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O RIO DE JANEIRO NA REPÚBLICA DO BRASIL

A REPÚBLICA VELHA - 1889-1930

AS PRINCIPAIS REFORMAS DO RIO DE JANEIRO NA REPÚBLICA VELHA



Reforma de Pereira Passos - 1902-1906

Em 1902, no Governo de Rodrigues Alves, assumiu o cargo de Prefeito do Distrito Federal, Francisco Pereira Passos, um ousado reformador, que apesar de seus sessenta e seis anos de idade ainda mantinha uma energia pouco comum e grande capacidade de trabalho, ele submeteu o Distrito Federal a uma reforma de ponta a ponta, com o apoio do Presidente através de seus recursos abundantes, resultantes da expansão do mercado internacional do café e da borracha. Pereira Passos destruiu e arrasou o que estava feito e construiu no seu lugar, o núcleo básico de uma nova cidade, moderna e arejada.

Desde os anos 80 do Século XIX, diversas modificações se processaram na mentalidade dos brasileiros, principalmente médicos e engenheiros, que começaram a se inspirar nos avanços da ciência e queriam "civilizar" a cidade que vivia imensos problemas ligados à pobreza e à escravidão, Pereira Passos e Osvaldo Cruz faziam parte deste grupo.

Pereira Passos tinha grande experiência adquirida como Consultor Técnico do Ministério da Agricultura e Obras Públicas do Império sob a direção de João Alfredo Correia de Oliveira. Recebeu de D. Pedro II, a concessão da Estrada de Ferro do Corcovado, tinha grande prestígio no Clube de Engenharia e presenciou, em Paris, a grande reurbanização comandada por Georges Haussmann. Pereira Passos reuniu uma equipe de engenheiros, topógrafos e desenhistas e planejou uma grande Reforma que tinha três principais dirigentes: Carlos Augusto Nascimento Silva, substituído em 1905, por Jerônimo Coelho; Francisco de Oliveira Passos e Alfredo Américo de Sousa Rangel.

O projeto da Reforma foi realizado por Pedro Américo de Sousa Rangel que o submeteu ao Engenheiro Nascimento Silva em 13 de abril de 1903, com bastantes detalhes e uma previsão orçamentária para sua execução. Levado ao Prefeito foi aprovado em 1o de setembro de 1903 sob o título de: Embelezamento e Saneamento da Cidade. O projeto foi executado sem alterações profundas.

Em pouco mais de três anos, 1903 a 1906 foram arrasadas áreas inteiras, espantando a população marginal que se alojava em cortiços e casas de cômodo. Esta obra, foi a maior que a cidade já vivenciou e tinha como parte essencial o saneamento básico e a higienização visando erradicar as doenças da cidade, tarefa entregue ao cientista Oswaldo Cruz, microbiologista que estudou no Instituto Pasteur em Paris e que, em 1902, era Diretor do Instituto de Manguinhos, atual Instituto Oswaldo Cruz.

Oswaldo Cruz lançou uma grande campanha para combater a febre amarela e a varíola tornando a vacina obrigatória. Foi abolido da cidade tudo que podia enfear e que fosse contra a ordem sanitária, para isto foram afastados os animais que tinham livre trânsito pelo centro da cidade e a população teve que mudar de hábitos, até os tradicionais "quiosques" foram considerados nefastos devido à sujeira que traziam.


A Avenida Rio Branco atualmente em toda sua extensão, foto tirada do navio Armonia
saindo do Porto do Rio de Janeiro, na Praça Mauá, tendo ao fundo o Obelisco.

A Reforma, que era formada de 196 projetos, contemplava: o re-ordenamento e extensão da malha de circulação viária; escoamento de águas pluviais; indução e desenvolvimento da produção; reaproveitamento do solo urbano; melhoramentos dos serviços a cargo da Prefeitura; abertura de escolas primárias; ampliação do atendimento médico de ordem pública e delineamento de horizontes futuros. Tinha como linha mestra a abertura de avenidas litorâneas que facilitassem o acesso de uma extremidade a outra da cidade, em um sistema que com o reforço da abertura posterior de túneis, vem atualmente, um século depois se completando.

Esta grande obra de remodelação tinha como ponto principal a abertura da Avenida Central, que teve suas obras iniciadas em 1904, rasgou todo o centro da cidade da Praça Mauá até a Avenida Beira Mar, com 33 metros de largura e 1.800 metros de comprimento, tendo no seu eixo o Pão de Açúcar, símbolo da cidade. O Projeto da Avenida Central foi chefiado pelo Engenheiro André Gustavo Paulo de Frontin.


A Avenida exigiu para sua abertura a demolição de cerca de 600 prédios velhos do centro da cidade, obra que ficou conhecida como "bota-abaixo". Em vinte meses, Pereira Passos enfrentou preconceitos, desalojou milhares de pessoas, deslocou centenas de estabelecimentos comerciais, removeu escombros, loteou o terreno, fez instalações de esgoto, água, luz e eletricidade, nivelou, calçou, arborizou, numa obra que honrou quem a executou e quem a determinou.

A Avenida cortou vários logradouros e absorveu outros, atravessou a Rua Chile que desapareceu; a Rua do Ourives, atual Miguel Couto; a Rua da Assembléia; a Rua Sete de Setembro e a Rua do Ouvidor, entre outras. De seu corte nasceram novos logradouros, como as ruas: Mayrink Veiga; Beneditinos; Almirante Barroso e Araújo Porto Alegre. A Avenida estabeleceu a ligação do centro comercial e do Porto do Rio de Janeiro, com a zona sul da cidade, interligando-os através da Avenida Beira Mar aos bairros da Glória, Catete, Botafogo, Lagoa, Laranjeiras e Gávea. O novo Porto também parte do projeto da reforma Pereira Passos, foi inaugurado em 1910. Assim se criava a cidade do futuro que se firmava com a função de vanguarda da Nação.

A Avenida era moderna no meio de uma região que não era moderna, deveria assim, exercer sobre as ruas do centro uma modernidade que iria aos poucos se integrando, seu projeto era mais do que uma reforma urbana, era um projeto de vida moderna. Todo o entorno da Avenida foi atingido pela Reforma, as ruas foram ampliadas e receberam asfaltamento, que foi nesta época introduzido na cidade.

Sua inauguração ocorreu em 15 de novembro de 1905, seu calçamento era de pedras portuguesas e o canteiro central, que dividia a avenida em duas mãos era enfeitado por árvores de pau-brasil. Depois de sua inauguração passou a ser, e mantém-se até hoje como a principal artéria do coração financeiro da cidade, destronando a antiga Rua Direita, que perdeu sua categoria de endereço mais elegante e importante do Rio de Janeiro. No início de sua existência a Avenida era lugar de passeio da população.

O povo se entusiasmou com a iluminação elétrica que também foi inaugurada na cidade, como consequência da instalação no Rio de Janeiro, da empresa canadense do Grupo Light, que já estava instalada em São Paulo desde 1899.

Logo depois de sua abertura inúmeros prédios de grande beleza arquitetônica foram surgindo ao longo da Avenida, seguindo deliberações de Paulo de Frontin, todos os prédios construídos foram vencedores do Concurso de Fachadas, portanto a construção foi toda planejada. Seu principal arquiteto foi Morales de los Rios, herdeiro de Grandjean de Montigny. O primeiro prédio a ficar pronto na nova Avenida foi o da Tabacaria Londres, em 25 de março de 1905.

A Avenida Central modificou totalmente os hábitos e aspectos da cidade e teve influência sobre toda a região ao seu redor. Para o comércio ela foi vital e nela se instalaram as principais casas comerciais. Teve e ainda tem jornais importantes, grandes companhias, clubes, hotéis, vários edifícios do Governo como: a Escola de Belas Artes, hoje Museu de Belas Artes; o Teatro Municipal do Rio de Janeiro; a Biblioteca Nacional e o Palácio Monroe, onde funcionou o Senado Federal; os maiores bancos que operaram na cidade, lanchonetes, cafés e toda ordem de representações. Já em 1910 hospedava o Centro Financeiro da cidade.

No final da Avenida foi colocado o Obelisco que ainda hoje existe e que significava a revitalização da cidade. A Praça Floriano, atualmente conhecida como Cinelândia, só foi inaugurada em 1916 e foi a apoteose da República, apresentando a perspectiva de desenvolvimento que o café vislumbrava.

Coração da cidade, como sua principal artéria, a Avenida Central teve papel importante na vida do Rio de Janeiro e de seus habitantes, nos momentos de glória nacional ou da cidade e de grandes emoções, no prazer e no sofrimento. Em todos os momentos de vibração do povo desta cidade, a Avenida tomou parte, saudando, glorificando e sofrendo com a população.

Outro ponto importante da Reforma consistia de dois eixos radiais. O primeiro saindo da Avenida Central para a Lapa atingindo as Ruas Mem de Sá, Estácio de Sá e Salvador Correa de Sá até a Tijuca e São Cristóvão, do outro lado atingia desde o Arsenal de Marinha até a Praça Onze de Junho, passando pelas Ruas: Visconde de Inhaúma, São Joaquim, Marechal Floriano, ia até a Central do Brasil, o Mangue, o Campo de Santana e continuava até a Praça da Bandeira.

Em 1891 teve início o desmonte do Morro do Senado, Pereira Passos concluiu a obra fazendo surgir em seu local a Praça Cruz Vermelha e as ruas ao seu redor. A obra atingiu também o Largo da Carioca com a distribuição do transporte de bonde, a Rua Mariz e Barros, a Boulevard de São Cristóvão e a Zona Sul com a canalização do Rio Carioca no Catete e teve início a construção de uma Avenida Atlântica em Copacabana, que não é a que hoje existe, porque depois passou por outras grandes reformas que a ampliaram.

Foi aberta a Avenida Beira-Mar com 5.200 km de extensão, no trecho que ia do final da Avenida Central até o Mourisco em Botafogo, desta forma abrindo espaço para a ligação da Zona Sul com mais facilidade. Ao redor do Morro da Viúva foi construída a Avenida da Ligação que hoje se chama Avenida Osvaldo Cruz. Toda a faixa da Avenida foi conquistada ao mar por um aterro que era protegido por um enroscamento de pedras, sobre o qual o mesmo foi construído. A Avenida apesar de sua extensão levou os projetados 23 meses para ser construída.

Outra importantíssima obra da reforma foi a construção do novo Porto do Rio de Janeiro, e para melhor atendê-lo foi aberta a Avenida Rodrigues Alves, antiga Avenida do Cais com 3.090 metros indo da Praça Mauá até a Avenida Francisco Bicalho que também foi obra da reforma, resultado das obras de saneamento do Mangal de São Diogo, era um prolongamento do Canal do Mangue, desde a Ponte dos Marinheiros até o mar onde terminava o cais, possuindo 1.380 metros de extensão e 95 metros de largura sendo 33 metros mais larga que a Avenida Presidente Vargas que não é desta época e sim dos anos 40.

Em novembro de 1906, ao final do mandato de Rodrigues Alves, foi inaugurada a primeira parte do cais do Porto, com 50 metros de extensão, compreendendo parte da Gamboa e a embocadura do Canal do Mangue. Em fins de 1907 foram concluídos os 1.465 metros do cais, mas só o primeiro trecho possuía armazéns provisórios para o serviço de cabotagem sob a fiscalização da Alfândega, o restante continuava repleto de pontos de desembarque. O Porto do Rio de Janeiro foi inaugurado oficialmente em 20 de julho de 1910, pelo Presidente Afonso Pena.

Na Tijuca houve melhorias na Rua Barão de Mesquita e na Praça Saens Pena. A Reforma não deixou de contemplar as estradas turísticas, melhorando as curvas e macadanizando para oferecer melhor superfície de rolamento às estradas do Alto da Boa Vista, tendo sido melhoradas as estradas: da Cascatinha, da Bica, do Açude, da Vista Chinesa, da Gávea Pequena, de Furnas, da Barra da Tijuca e do Pica-Pau.

Foi também reconstruído o Mercado Municipal da Praça Quinze de Novembro, que foi demolido com a abertura da Avenida Perimetral e foi urbanizada a área adjacente do antigo Largo do Moura. Foi ampliado o Paço Municipal antiga sede da Prefeitura no Campo de Santana, que foi demolido com a abertura da Avenida Presidente Vargas e foi construído o Mercado das Flores na Travessa de São Francisco, atual Rua Ramalho Ortigão entre as Ruas da Carioca e Sete de Setembro, que foi transferido, em 1922, para a atual Praça Olavo Bilac, ao final da Rua Gonçalves Dias.

Foram embelezados e remodelados os jardins: da Praça Quinze, do Largo da Glória, do Largo do Machado, da Praça São Salvador, da Praça Onze de Junho, do Alto da Boa Vista, do Passeio Público e da Praça Tiradentes, desta última foi retirada uma balaustrada então aproveitada na Rua da Glória, que hoje se encontra arrematada pelo célebre relógio da Glória, que coroa uma coluna ornamental de gnaisse porfiróide.

Na administração de Pereira Passos foram construídas as escolas: Rodrigues Alves, Tiradentes, Prudente de Moraes, Deodoro e Alberto Barth. No Largo do Estácio na confluência da Rua Joaquim Palhares foi construído o prédio onde funcionou a Escola Normal, antes de mudar-se para a Rua Mariz e Barros, ele passou então a ser a sede da Limpeza Urbana.

O Projeto incluía a criação de uma legislação visando melhorar as condições de vida da cidade, que proibiu: o entrudo no carnaval, a venda de bilhetes de loteria nas ruas da cidade, a venda de miúdos de reses em tabuleiros, a ordenha de vacas leiteiras nas ruas à porta do freguês, a criação de porcos no perímetro urbano, a venda de carnes expostas nas portas dos açougues em condições anti-higiênicas e a mendicância nas ruas. Criou o serviço de apreensão de cães vadios nas ruas e tornou obrigatória a pintura das fachadas dos prédios visíveis dos logradouros.

Uma conseqüência negativa da Reforma Pereira Passos foi que ocorreu a expulsão da população do centro da cidade que na época era densamente povoada para a periferia, e por não haver um projeto de habitação para esta população, muitas vezes elas foram formar as favelas cariocas.

A reurbanização do Rio teve um documentarista de alto gabarito, o fotógrafo Marc Ferrez, que veio para o Brasil com seu pai Zéphyrin Ferraz, na Missão Francesa de 1815. Marc foi contratado para documentar a construção da grande avenida e através de suas fotos atualmente pode se relembrar como foi o boulevard mais lindo do Brasil.

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A Reforma de Paulo de Frontin - 1919

Em 1919, o Vice-Presidente Delfim Moreira, que exerceu a Presidência da República com a morte de Rodrigues Alves convidou o engenheiro e senador André Gustavo Paulo de Frontin para ser Prefeito carioca. Era o segundo carioca a administrar a terra em que nasceu, o primeiro foi o Dr. Carlos Leite Ribeiro em 1902. Paulo de Frontin era um dos engenheiros mais famosos do país e foi professor ilustre da Escola Politécnica, resolveu dar continuidade à Reforma iniciada por Pereira Passos, na qual teve uma grande participação, dizendo que faria apenas um "modesto programa de obras".

Concentrou suas obras na Zona Sul da cidade, tendo dado prosseguimento à construção da Avenida Atlântica que foi duplicada e adquiriu sua extensão atual, construiu o Cais da Urca que permitiu que Carlos Sampaio depois projetasse a Avenida Portugal. Construiu a Avenida Delfim Moreira no Leblon em continuação da Avenida Vieira Souto de Ipanema.

Abriu a Avenida Niemeyer na encosta entre o mar e a montanha, ao longo do Maciço dos Dois Irmãos, que é até hoje uma via turística de onde se descortina um dos mais belos panoramas do Rio de Janeiro. Junto com o Elevado das Bandeiras é considerado um dos mais encantadores passeios da cidade, do tipo das estradas da Cote D’Azur.

Reurbanizou o Rio Comprido incluindo a abertura da Avenida Rio Comprido, que no dia da inauguração foi rebatizada pelo povo de Avenida Paulo de Frontin e construiu pontes nos cruzamentos das ruas: Haddock Lobo, Joaquim Palhares, Itapiru e no Largo do Rio Comprido. Suas obras atingiram o Alto da Boa Vista e Santa Teresa.

No Centro da cidade abriu a Rua Alcindo Guanabara nas terras do Convento da Ajuda, ligando a Rua Senador Dantas à Praça Floriano Peixoto. Abriu a Avenida Presidente Wilson, como prolongamento da Avenida Beira Mar indo até o Calabouço. Teve obras executadas na Ilha do Governador e até em subúrbios distantes como Santa Cruz, Campo Grande e Guaratiba.

Perfurou o Túnel João Ricardo com largura de 13,20 metros e comprimento de 335 metros ligando as Ruas Bento Ribeiro, antiga João Ricardo à Rua Rivadávia Correia, antiga Rua da Gamboa, facilitando a comunicação entre a Estação D. Pedro II, o centro da cidade e a área portuária.

Paulo de Frontin foi Prefeito por apenas seis meses, mas seu trabalho foi imenso, quando Epitácio Pessoa tomou posse substituiu Paulo de Frontin pelo Bacharel Milcíades Mário de Sá Freire na Prefeitura.

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A Reforma de Carlos Sampaio - 1920-1922

Machado de Assis abre Esaú e Jacó, seu penúltimo romance, subindo o Morro do Castelo. O livro foi publicado em 1904, quando o Castelo perdeu a primeira encosta, para a abertura da Avenida Central, na altura do lugar onde se construiu a Biblioteca Nacional.

Natividade, a protagonista vai com sua irmã ao Castelo para se consultar com uma vidente sobre o futuro de seus filhos gêmeos. Para não revelar ao lacaio e ao cocheiro o seu verdadeiro destino, Natividade deixa o coupé um pouco distante da Ladeira do Carmo, na travessa entre a Igreja de São José e a Assembléia Legislativa, cujo nome é Travessa Natividade.

Apesar de Machado não tocar no assunto do arrasamento do morro repare-se o tom solene da predição: "Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés."



Carlos César de Oliveira Sampaio foi convidado pelo Presidente Epitácio Pessoa para ser Prefeito do Distrito Federal e preparou a cidade para os festejos comemorativos do 1º Centenário da Independência. Carlos Sampaio era engenheiro e professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Cercou-se de uma boa equipe com o objetivo de executar a difícil terefa da qual foi incumbido.

A obra mais marcante e também polêmica de sua Administração foi o desmonte do Morro do Castelo, para que a área fosse utilizada para a construção da Exposição Internacional do 1º Centenário da Independência do Brasil. Carlos Sampaio achava que nenhum outro Prefeito conseguiria realizar a tarefa do desmonte da colina para onde em 1567, Mem de Sá havia transferido a cidade do Rio de Janeiro, mas considerava necessária a demolição, porque achava que o Morro era um embaraço para ventilação da cidade e seu saneamento.



Fotos do Desmonte do Morro do Castelo, tiradas do livro: Era uma vez – o Morro do Castelo. A primeira Terrapleno do Castelo, pág. 294 e a segunda Desmonte Hidráulico do Morro do Castelo, pág. 293, fotografias de Augusto Malta de 1922, do MIS, Rio de Janeiro.

"Longe de significar uma proposta unitária, afinada com os interesses e a visão do mundo
da classe "dominante", a derrubada do Castelo exigiu um complexo processo de decisão.
Tema cotidiano da imprensa a partir de meados de 1920, jornais e revistas registram
minuciosamente os argumentos pró e contra a demolição do Castelo, sustentados em interpretações
diferenciadas do que seria uma cidade sintonizada com a modernidade do século XX.
"(1)

Tecnicamente, Carlos Sampaio ele não encontrava dificuldades porque já havia chefiado o desmonte do Morro do Senado. O material retirado foi usado para aterrar a região ao longo da Praia de Santa Luzia e a Enseada da Glória até a Ponte do Russel. A escavação a princípio foi mecânica, feita por escavadeiras e depois foi utilizado o desmonte hidráulico de melhor rendimento e finalmente foram utilizadas potentes bombas de maior eficiência.

O desmonte foi realizado e no ano do Centenário já se pode utilizar grande parte da área aterrada para a Exposição e o restante do aterro até o Russel continuou sendo realizado até 30 de setembro de 1922. No lugar onde existia o Morro do Castelo surgiu a Esplanada do Castelo, mas a cidade perdeu o seu berço.

Entre as outras obras que executou podem ser citadas:

  • Construção do Hotel Sete de Setembro no Morro da Viúva, hoje transformado na Escola de Enfermeiras Ana Néri.

  • Construção de um conjunto arquitetônico incorporado à Exposição do Centenário constituído de um teatro e um cassino, unidos por uma pérgula, no Passeio Público, mais tarde demolido na Administração de Henrique Dodsworth.

  • Construção das escolas: Celestino Silva na Rua do Lavradio e Pereira Passos na Praça Condessa de Frontin e também o novo prédio da Escola Epitácio Pessoa na Avenida Paulo de Frontin.

  • Construção da ponte de embarque na Praia da Ribeira na Ilha do Governador.

  • 158 logradouros em toda a cidade receberam calçamento, reposição, reparos e conservação.

  • Abertura da Avenida Portugal na Urca, com 1915 metros pavimentados a macadame betuminoso e a Avenida Rui Barbosa permitindo uma segunda ligação entre os bairros de Flamengo e Botafogo, circundando o Morro da Viúva. Reconstruiu a Avenida Atlântica semidestruída por uma ressaca.

  • Abertura da Avenida Epitácio Pessoa em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas e construção de dois canais para saneamento da lagoa: o de comunicação com o mar no Jardim de Alah e o interceptador da Avenida Visconde de Albuquerque destinado a recolher águas pluviais da vertente da Serra do Corcovado, desviando da lagoa as águas doces que passaram a ser diretamente conduzidas ao mar. Estes canais foram projetados por Saturnino Rodrigues de Brito.

  • Abertura, saneamento e urbanização da Avenida Maracanã que facilitou o tráfego para os bairros da Tijuca e Vila Isabel. Nesta época foram construídos 3 km da Avenida que serviu também para diminuir o problema das inundações na região.

Carlos Sampaio veio complementar a Reforma de Pereira Passos, dando ao Rio de Janeiro a fisionomia atual da madura metrópole. Os grandes prédios da Esplanada do Castelo foram construídos mais tarde, a partir do Estado Novo de Getúlio Vargas.

Em 1921 o Engenheiro Pedro Fernandes Viana da Silva, realizou o Projeto no 1420, que estabelecia a abertura do Túnel Catumbi – Laranjeiras e a abertura da Rua Pinheiro Machado. Este projeto, no entanto, só foi realizado nos anos 50 com a abertura do Túnel Santa Bárbara.


A DESPEDIDA AO MORRO DO CASTELO

"20 de janeiro de 1922 foi o dia designado para cerimônia da trasladação das relíquias históricas - a imagem de São Sebastião, as cinzas de Estácio de Sá e o marco simbólico da fundação da cidade do Rio de Janeiro.

Revestiu-se o acontecimento de tal importância que jamais será esquecido por quantos o assistiram. Pela manhã, às 6 horas, no altar-mor da igreja do morro, foi celebrada a última missa. Era a despedida dos capuchinhos aos fiéis que sempre os procuraram necessitados de consolo, cheios de aflições espirituais, e, seja-nos lícito dizer, nunca deixaram de neles encontrar alívio aos males, o conselho certo, a palavra oportuna para minorar as suas atribulações.

A missa desse dia memorável realizou-se no pátio da igreja, que para tanto foi ornamentada festivamente, e teve como oficiante o então arcebispo-coadjuntor dom Sebastião Leme, depois cardeal, falando após ao evangelho, o vigário da paróquia, monsenhor Benedito Marinho.

A afluência à cerimônia campal foi considerável; cerca de 10 000 pessoas desde a madrugada já se achavam nas imediações do templo, pela encosta do monte, numa demonstração viva de fé, e de respeito pelas gloriosas lembranças nacionais. Terminada a missa, as preciosas relíquias da cidade foram conduzidas até o sopé da colina, para então ser organizada a procissão. Durante a descida os navios da esquadra, as fortalezas da Guanabara e uma bateria colocada na Praça 15 de Novembro salvaram com 19 tiros.

Por cerca das 8 horas, o cortejo já estava formado. Via-se à frente uma grande bandeira dos navegantes portugueses, toda branca ao centro a cruz de Cristo. Logo após vinham os escoteiros católicos, colégios, irmandades, confrarias, ordens terceiras, clero secular e regular, e a seguir o andor com a imagem do padroeiro.

Atrás do andor iam o presidente da República Epitácio Pessoa, o prefeito municipal, Carlos Sampaio, representantes do Senado, da Câmara, do Supremo Tribunal Federal, Conselho Municipal, corpo diplomático, chefe de polícia e muitas outras autoridades. Um grupo de escoteiros conduzia uma bandeira nacional que tremulava ao vento, e após se via uma outra bandeira – esta era a de Estácio de Sá e o marco da cidade.

Somente às 12:30 horas chegou o cortejo cívico-religioso ao novo convento provisório dos frades capuchinhos, na Rua Conde de Bonfim. A imagem foi logo colocada por missionários da ordem, no lugar que havia sido adrede preparado, o mesmo acontecendo com as demais relíquias que passaram a ocupar uma sala contígua à capela. E ali no recolhimento temporário da Rua Conde de Bonfim, permaneceram os capuchinhos durante nove anos, isto é, até 1931. "(2)

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Presidentes do Conselho Municipal de Intendentes - 7/12/1889 a 20/09/1892

Francisco Antônio Pessoa de Barros
1889-1890
Ubaldino do Amaral Fontoura
1890
José Félix da Cunha Meneses
1890-1891
Carneiro de Fontoura
1891
Nicolau Joaquim Moreira
1891-1892

O Conselho Municipal de Intendentes foi criado pelo Governo Republicano Provisório, após a extinção da Ilustríssima Câmara
Municipal existente no tempo do Império, pelo Decreto número 50 A, de 7 de dezembro de 1889.

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Prefeitos do Distrito Federal na República Velha - 1892-1930

Alfredo Augusto Vieira Barcelos - 1892 - Interino Cândido Barata Ribeiro - 1892-1893 Antônio Dias Ferreira - 1893 - Interino Henrique Valadares - 1893-1894 Francisco Furquin Werneck de Almeida - 1895-1897 Ubaldino do Amaral Fontoura - 1897-1898 Luis Van Erven - 1898-1899 - interino José Cesário de Faria Alvim - 1899-1900 Honório Gurgel do Amaral - 1900 - interino
Antônio Coelho Rodrigues - 1900 João Felipe Pereira - 1900-1901 Joaquim Xavier da Silveira Júnior - 1901-1902 Carlos Leite Ribeiro - 1902 - interino Francisco Pereira Passos - 1902-1906 Francisco Marcelino de Souza Aguiar - 1906-1909 Inocêncio Serzedelo Correia - 1909-1910 Bento Manuel Ribeiro Carneiro Monteiro - 1910-1914 Rivadávia da Cunha Correia - 1914-1916
Antônio Augusto de Azevedo Sodré - 1916-1917 Amaro Cavalcanti - 1917-1918 Manuel Cícero Peregrino da Silva - 1918-1919 - interino André Gustavo Paulo de Frontin - 1919 Milcíades Mario de Sá Freire - 1919-1920 Carlos César de Oliveira Sampaio - 1920-1922 Alaor Prata Leme Soares - 1922-1926 Antônio Prado Júnior - 1926-1930  


 

(1) - Marly Silva da Motta. A Nação faz 100 anos. Rio de Janeiro, Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1992, pág.55 apud in SANTOS,
Núbia Melhem. Era uma vez – O Morro do Castelo, pág. 225.

(2) - Maurício Augusto. Templos Históricos do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Biblioteca Militar, Gráfica Laemmert, 1946, pág. 57-58 apud
in SANTOS, Núbia Melhem. Era uma vez – O Morro do Castelo, pág. 262.


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