O RIO DE JANEIRO NA REPÚBLICA DO BRASIL



"O resultado do abandono do projeto republicano original dos propagandistas e de todos quantos, por meios distintos, se empenharam em realizá-lo foi a banalização do regime. Adotada pelo pragmatismo dos donos do poder, a República converteu-se numa instituição meramente formal, incapaz de traduzir conteúdos consistentes que pudessem ser transmitidos às gerações que se sucederam em seu percurso. Isto explica o fato de nessas gerações não se conheceram cidadãos que se autoproclamem republicanos, ao contrário do que ocorrera com a Monarquia, até hoje com partidários confessos. Política e ideologicamente a República, como ideário, esvaziou-se.


A REPÚBLICA, nova Imagem da Pátria, quadro de Manuel Lopes Rodrigues, que se encontra no Museu do Estado, em Salvador, após intensas discussões, ficou decidido que a República seria representada pela imagem de uma mulher. Imagem tirada do livro de Eduardo Bueno. Brasil: uma História – A Incrível saga de um País, pág. 242.

Nascida dos movimentos sociais, a idéia de República percorrera as ruas, o campo e chegara aos locais onde padeciam as suas populações sofridas. Crescera, ainda que sem uma elaboração ideológica mais consistente, em meio às vicissitudes da luta. O liberalismo radical e o socialismo reformista europeus exerceram forte influência nos setores letrados brasileiros. Jornalistas, advogados, médicos e escritores difundiam essas idéias. Houve momentos em que esses grupos se encontraram, e aí o ideal republicano alcançou sua melhor expressão.

Entretanto, a maneira pela qual as camadas populares absorveram a idéia de República não foi semelhante à forma de sua assimilação por parte das elites liberais. E, nesse sentido, o movimento republicano foi plural, isto é, expressava concepções diferentes, oriundas desses segmentos desiguais, do ponto de vista da estratificação social. "(1)


(1) - Lincoln de Abreu Penna. República Brasileira. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1999, pág. 39.



Proclamada a República o primeiro decreto do Governo Provisório confirmava o Rio de Janeiro como Capital da República, mas os republicanos consideraram a possibilidade de transferir a sede dos poderes para o Planalto Central do Brasil, num lugar afastado das turbulências da cidade grande.

A Constituição de 1891 especificou em seu Artigo 3o que a cidade se tornaria um Estado da Federação quando deixasse de ser o Distrito Federal, mas até 1960 a Capital da República Federativa do Brasil permaneceu no Rio de Janeiro, só então passando para Brasília, cidade que foi construída no Planalto Central Brasileiro, pelo Presidente Juscelino Kubitscheck para ser a nova Capital do Brasil.

Durante cerca de 70 anos, o Rio de Janeiro foi o palco dos acontecimentos republicanos, mantendo uma situação atípica sob a vigilância da União, cabendo ao Congresso Federal legislar sobre sua organização e ao Presidente da República nomear seu Prefeito pelo prazo de quatro anos, enquanto seus habitantes se incumbiam de eleger deputados e senadores para o Congresso Federal e vereadores para a Câmara Municipal.

Desde a Independência e particularmente desde o início do Segundo Reinado, quando se deu a consolidação do Governo Central e da economia cafeeira na Província do Rio de Janeiro, a cidade do Rio de Janeiro passou a ser o centro da vida política nacional e o que acontecia na cidade bem como comportamento político de sua população tinha reflexos imediatos no resto do país. Como capital política e administrativa e maior cidade do país, com seus 500 mil habitantes, o Rio de Janeiro estava em condições ou pelo menos deveria estar, de ser o local ideal para o desenvolvimento propício da cidadania.

Ao final do Século XIX, a República se transformou de ideal utópico em realidade, mas esta trouxe muitas contradições, que vão se desenvolver na História do Brasil, desde o período que ficou conhecido como “República Velha” ou Primeira República, que duraria de 1889 a 1930, e ao longo do restante do Século XX, até marcar quase ao seu final, em 1985, a ambigüidade da “Nova República”, sempre trazendo novas esperanças de uma participação mais ampla da população nos destinos da Nação.




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