O PERÍODO POPULISTA - 1945-1964
PERÍODO DE TRANSIÇÃO APÓS O SUICÍDIO DE VARGAS
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Depois da morte de Getúlio, assumiu o Governo o Vice-Presidente Café Filho, que era do PSP de Ademar de Barros, partido do populismo de São Paulo. Desobrigado por Ademar de seguir o partido, Café Filho imprimiu uma orientação conservadora a seu Ministério e procurou cumprir o calendário eleitoral mantendo as eleições para outubro de 1955. O Governo de Café Filho, embora sendo um Governo provisório, representou um marco decisivo no desenvolvimento do capitalismo no Brasil, ao colocar como Ministro da Fazenda, Eugênio Gudin. Ele era partidário do pensamento econômico liberal, pregado pelo Fundo Monetário Internacional – FMI, com sua ortodoxia monetarista que viria a fazer escola e permitir a abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro. Esta política era adversária da política industrial que vinha sendo adotada até aquela época. O alinhamento do Governo com o FMI desagradou aos nacionalistas. Neste mesmo caminho, para o Ministério das Relações Exteriores foi escolhido Raul Fernandes, conhecido por sua política de alinhamento com os Estados Unidos. A política econômica desde os anos 30 foi implementada tendo como base um modelo conflitante do setor agrário-exportador e do setor industrial, mais do que um conflito entre agricultura e indústria, se referia a uma contradição do padrão de acumulação do capitalismo brasileiro. Enquanto se transferia os excedentes da produção cafeeira para o setor industrial, tinha que se preservar a rentabilidade da empresa agro-exportadora, porque ela era a única que podia fornecer os meios de pagamento internacionais necessários à oferta interna de bens de capital e insumos básicos. Sem procurar resolver esta contradição, Gudin procurou obter financiamento no capital externo de investimento direto, que antes era obtido pelo deslocamento da própria economia brasileira ou de créditos externos obtidos pelo Governo. A prioridade de Gudin na área econômica era a redução da taxa de inflação e conseguiu seu intento à custa de contenção de gastos públicos e restrição ao crédito. Com isto apesar de ter tido pouco tempo de Governo, este período foi de grande importância para a economia brasileira. Colocou em vigor a Instrução 113 da Superintendência da Moeda e Crédito – SUMOC, com ela as empresas estrangeiras ficaram livres para fazer investimentos na economia brasileira, sem cobertura cambial. Com esta Instrução, teve início o desenvolvimento no Brasil de um setor de bens de consumo duráveis, que prevaleceu sobre a indústria de bens de consumo corrente, este fato representou uma mudança no padrão na acumulação capitalista que seria aprofundada no Governo de Juscelino. Em novembro de 1954, Juscelino Kubitscheck, então Governador de Minas Gerais lançou a sua candidatura para a Presidência pelo PSD. A possibilidade de aliança PSD-PTB provocava muitas reações contrárias, mas não adiantou porque Juscelino se impôs ao PSD e a aliança foi estabelecida, tendo como Vice João Goulart, que havia como Ministro do Trabalho de Getúlio contribuído para a crise que levou Getúlio ao suicídio. Estava lançada a campanha para as eleições de 1955, que teve ainda como candidatos: Ademar de Barros candidato pelo PSP; Juarez Távora pela UDN e Plínio Salgado o eterno candidato dos integralistas. As eleições foram realizadas a 3 de outubro e Juscelino Kubitscheck foi vitorioso com 36%, correspondendo a 3.077.411 votos contra 30% de Juarez Távora correspondendo a 2.610.462 votos. Ademar de Barros teve 26% dos votos e Plínio Salgado ficou com apenas 8%. Vencida nas urnas, a UDN começou a conspirar contra a posse de Juscelino, alegando que ele não havia obtido a metade absoluta dos votos, mas o Tribunal Superior Eleitoral validou a vitória de Juscelino Kubitscheck. A UDN não tinha nada contra Juscelino Kubitscheck, mas tinha contra João Goulart que era visto como incitador de greves e articulador da república sindicalista. Goulart havia recebido mais votos do que o Presidente. A vitória nas eleições de uma chapa que podia lembrar a herança de Vargas despertava ressentimento naqueles que lutaram por sua deposição e isto fez com que o país marchasse para mais uma crise. Em 5 de novembro Café Filho teve um ataque cardíaco ou como dizia Juscelino fingiu ter e deixou o Governo para o Presidente da Câmara, Deputado Carlos Luz que não era de confiança do Ministro da Guerra por suas ligações com a UDN, com a qual tramava impedir Juscelino de tomar posse. Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa clamava para que as forças armadas impedissem Juscelino Kubitscheck. Em 11 de novembro, depois de se demitir do Ministério, o General Lott colocou as tropas na rua e demitiu Carlos Luz, dando um Golpe Preventivo para garantir que Juscelino Kubitscheck tomasse posse. Este foi o único golpe militar legalista da História brasileira e por meio dele foi preservada a legalidade constitucional. O Congresso Nacional elegeu Nereu Ramos, Presidente do Senado que assumiu o Governo sob estado de sítio. No dia 21 de novembro de 1955, Café Filho quis retomar à Presidência mas foi impedido pelo Congresso e Lott colocou-o em prisão domiciliar. Em janeiro de 1956, Juscelino Kubitscheck de Oliveira tomou posse na Presidência da República do Brasil. |
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