O Rio de Janeiro na República do Brasil A República Velha - 1889-1930 Getúlio Vargas e o Estado
Novo- 1930-1945
O Período Populista - 1945-1964 O Regime Militar - 1964-1985 A Nova República - 1985

O RIO DE JANEIRO NA REPÚBLICA DO BRASIL

O PERÍODO POPULISTA - 1945-1964

LAZER E CULTURA DA SOCIEDADE - 1945-1964



As Ondas do Rádio

Entre os anos 40 e 50 o rádio foi a janela para o mundo, era ele que trazia para dentro dos lares brasileiros as notícias, moldava os hábitos e os costumes, formava a opinião pública e alimentava os sonhos dos ouvintes.

Neste universo encantado reinavam os reis e as rainhas, nos quais o mais ambicionado trono era o de "Rainha do Rádio", que desde 1937 e por onze anos seguidos elegeu a cantora Linda Batista num concurso promovido no Iate das Laranjas ancorado na Esplanada do Castelo no Rio de Janeiro, somente em 1948 o concurso foi ganho pela irmã de Linda, Dircinha Batista, que além de cantora era atriz de novela e de cinema.

Em 1949 Emilinha Borba que possuía o título de "Favorita da Marinha" foi derrotada por uma paulista que apenas há um ano trabalhava na Rádio Nacional, Marlene, que na verdade se chamava Vitória Bonaiuti e a partir de então surgiu uma histórica rivalidade entre as duas, apenas para publicidade, porque na verdade elas eram amigas.

Seguidamente o concurso foi ganho por: Dalva de Oliveira em 1951; Emilinha Borba cujo nome era Emília Savana da Silva, em 1953; Ângela Maria ou seja Abelin Maria da Cunha em 1954; em 1955 foi a vez de Vera Lucia e em 1956 de Dóris Monteiro.

Havia também o "Rei do Rádio" que foi um título exclusivo do "Rei da Voz", Francisco Alves que teve como seu maior sucesso o famosíssimo samba de Ari Barroso - Aquarela do Brasil. Francisco Alves foi cantor da Mayrink Veiga e depois da Rádio Nacional e foi o cantor que mais gravou discos de 78 rotações, com quase 500 discos.

Só teve sucessor em 1953, após sua morte trágica na Via Dutra em setembro de 1952, quando Orlando Silva – o "Cantor das Multidões" recebeu o título de "Príncipe do Disco" depois de gravar Risque de Ari Barroso. Em 1954 passou a ser o "Rei do Rádio".

Pelo velório de Francisco Alves, realizado na Cinelândia no Rio de Janeiro, na Câmara Municipal passaram mais de 500 mil pessoas e o cortejo que o acompanhou parou a cidade.

Mas no Olimpo do rádio havia lugar para muitos "deuses", como: Nelson Gonçalves; Adelino Moreira; Sílvio Caldas; Ivon Cúri; Dorival Caymmi; Dick Farney, Francisco Carlos o "Cantor Namorado do Brasil"; Cauby Peixoto e muitos outros.

Do lado feminino também não faltavam ídolos, além dos já citados como "Rainha do Rádio" tinham destaque: Carmélia Alves; Nora Ney; Carmen Costa; Lana Bittencourt; Adenilde Fonseca; Isuarinha Garcia e Maysa Monjardim casada com um Matarazzo que era a cantora que na época mais faturava em cachês de excursões e apresentações no rádio e na TV e direitos autorais da RGE.

Teve grande destaque também a "Divina" Elizeth Cardoso que exerceu inúmeras profissões antes de ser descoberta por Jacó do Bandolim. Seu maior sucesso foi Barracão de Luís Antônio e Oldemar Magalhães.

O rádio brasileiro não vivia apenas de música popular brasileira, a ela se juntava o ritmo norte-americano, no qual tinha destaque: Frank Sinatra e Nat King Cole; o jazz e o fox-trot que consagrou orquestras como: Harry James; Less Elgar; Ray Anthony; Less Brown e Ray Coniff, além dos cantores que precederam o rock: Johnny Ray; Roy Hamilton; Frankie Laine; Doris Day; Peggy Lee e Julie London.

O rádio e o carnaval tinham uma estreita ligação porque os cantores de sucesso gravavam músicas para o Carnaval. A vida pública e o cotidiano do Rio de Janeiro serviam de tema para estas músicas. As Escolas de Samba promoviam seus desfiles e seus sambas-enredos, por muitos anos prevalecendo a disputa entre Mangueira e Portela embora outras Escolas importantes começassem a surgir, como o Império Serrano de 1947; a Beija-Flor de Nilópolis em 1948 e os Acadêmicos do Salgueiro de 1953.

A partir de 1946 o rádio também começou a se destacar com os programas de humorismo de sátira política e social, sendo o mais importante o de Silvino Neto, o "Pimpinela Escarlate" na Mayrink Veiga que parodiava Getúlio Vargas, Ademar de Barros, João Goulart e Jânio Quadros. Sua popularidade era tão grande que em 1950, Silvino Neto foi o vereador mais votado do Rio de Janeiro.

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O Novo Lazer da Família - a TV

No dia 18 de setembro de 1950, às 22 horas, em São Paulo, foi ao ar o primeiro programa da TV brasileira, que havia sido inventada há 14 anos e o Brasil era o quarto país do mundo a ter televisão em seu território.

O responsável pelo milagre foi Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, proprietário dos Diários Associados, que comprou uma estação de TV da RCA Victor Americana em 1947, com a ajuda da Sul América Seguros, Antártica Paulista, Laminação Pignatari e Moinho Santista que adiantaram a ele um ano de publicidade. Foram também importados os primeiros duzentos televisores, que foram vendidos pelas lojas Cássio Muniz.

Chateaubriand montou a TV Tupi, Canal 3 de São Paulo que transmitia seu primeiro programa "TV na Taba", mas quando o programa terminou a equipe da TV Tupi, que havia ensaiado o programa durante vinte dias não sabia o que fazer no dia seguinte.

O início da televisão foi marcado pelo improviso, na noite seguinte foi levado ao ar o primeiro telejornal: "Imagens do Dia" escrito por Rui Resende minutos antes da transmissão, que era ao vivo. Naquela época só os mais ricos podiam comprar aparelho de TV que custava Cr$ 9.000, 00, três vezes mais que o preço de uma boa vitrola.

A programação da Tupi ia ao ar entre 18 e 23 horas. Em 1951 teve início o "Circo na TV" apresentado por Walter Stuart com patrocínio da empresa Bom Bril. Os primeiros shows ficaram na memória dos telespectadores como o: "Desfile Musical Jardim". Naquela época Hebe Camargo já participava dos programas de TV. Em novembro de 1950 Cassiano Gabus Mendes dirigiu o primeiro teleteatro, adaptando o filme norte-americano: "A Vida por um fio".

No Rio de Janeiro, quatro meses depois de inaugurada a TV Tupi de São Paulo entrou no ar a TV Tupi do Rio, em 20 de janeiro de 1951, tendo como programação desde o telejornal de Luís Jatobá até o "Espetáculo Tonelux" com Virgínia Lane e um programa infantil chamado "Fantasia".

Assis Chateaubriand foi seguido por outros empresários, assim em 1952 o Brasil já possuía quatro estações de TV, três em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Em 1953 foi inaugurada a TV Rio Canal 13 instalado nas dependências do luxuoso Cassino Atlântico em Copacabana.

O primeiro beijo da TV foi entre Walter Forster e Vida Alves e a primeira telenovela foi levada ao ar em dezembro de 1951: "Sua Vida me Pertence" e era apresentada duas vezes por semana. No ano seguinte foi ao ar "O TV Vanguarda" para divulgar os clássicos da literatura e o "Sítio do Pica Pau Amarelo" de Monteiro Lobato adaptado por Tatiana Belinsky dirigido por Julio Gouveia.


Foto da Editora Abril, mostrando o Programa "Discoteca
do Chacrinha", copiada da Revista Nosso Século – 1945-
1960
, Capítulo II, "Nas Ondas do Rádio e da TV", da
Editora Abril, pág. 58.

Mas não era só teatro que tinha na TV, havia outras atrações: o "Almoço com as Estrelas" apresentado por Airton Rodrigues, o seriado "Alô Doçura" com John Hebert e Eva Wilma, primeiro casal da TV brasileira; "Rancho Alegre" que tinha Mazzaroppi e Abelardo Barbosa o famoso "Chacrinha" e a "Revista São Luís" que tinha entre os participantes a vedete Bibi Ferreira.

No jornalismo tinha destaque: o "Repórter Esso", o "Mappin Movietone", as "Imagens do Dia" e a "Edição Extra".

No entanto, o programa mais famoso foi sem dúvida "O Céu é o Limite" que teve início em 1955, apresentado por Aurélio Campos que consistia de perguntas de "sabe-tudo" sobre algum assunto, as questões valiam partes em dinheiro que iam sendo acumuladas na medida em que o candidato acertasse e era tirado do jogo caso errasse. O candidato podia abandonar o programa quando quisesse levando o que tinha acumulado. O programa também ia ao ar no Rio de Janeiro, comandado por J. Silvestre que permaneceu no ar durante muitos anos e foi um dos maiores sucessos da TV.

Em 1953 tinha início um dos mais famosos programas humorísticos da TV: a "Praça da Alegria" com Manuel de Nóbrega e Ronald Golias e foi neste programa que surgiu Sílvio Santos. Em 1954 o Ibope fazia a sua primeira pesquisa de TV no Rio de Janeiro e em São Paulo.


"Almoço com as Estrelas" com Linda Batista e Dircinha Batista, foto de 1954 da Chino Vizzoni – São Paulo, copiada de Nosso Século – 1945-1960. Capítulo II, "Nas Ondas do Rádio e da TV", pág.55.

Teatro na TV: "O Cordão" de Arthur Azevedo com Fernanda Montenegro, 1952, foto tirada de Nosso Século – 1945-1960, Capítulo II, "Nas Ondas do Rádio e da TV", pág. 55. Arquivo de O Cruzeiro-Jornal de Minas Gerais – Belo Horizonte.

Em 1956 a TV Tupi transmitiu o jogo Brasil x Itália do Maracanã para São Paulo fato que impressionou até os técnicos americanos que trabalhavam no Brasil, foi uma iniciativa de Reinaldo Paim.

Em 1957 a TV Rio revolucionava a TV com novos equipamentos e nela surgiu a dupla Walter Clark e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho – o Boni, que se tornariam imbatíveis na TV. Foram eles os autores do primeiro vídeo-tape no programa "Chico Anísio Show". Em 1959 a TV Rio contratou o Chacrinha que antes era da TV Tupi e que logo alcançou os maiores índices de audiência da TV.

Não demorou e os tempos da TV chegaram a vários estados do Brasil e em 1960 chegou a Brasília com a TV Alvorada ligada à TV Record. A TV brasileira tinha iniciado o seu trajeto de sucesso que não mais pararia, deixando de ser um brinquedo da elite para ser um dos ramos da indústria de comunicação e entretenimento com maior capacidade de desenvolvimento para o futuro.

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A Bossa Nova

Em 1956, no Bar Vilarino, na Avenida Graça Aranha, no Rio de Janeiro, um rapaz chamado Antônio Carlos Brasileiro Jobim foi apresentado ao Diplomata e poeta Vinícius de Moraes. Tom Jobim, como ficou conhecido, musicou a peça de Vinícius Orfeu do Carnaval, que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 25 de setembro de 1956. Vinícius ficou tão impressionado com as composições daquele pianista desconhecido que a dupla não mais se separou.

Em 1958, Elizeth Cardoso gravou o LP Canção do Amor Demais com composições de Tom e Vinícius, tendo participação do violonista João Gilberto nas faixas Chega de Saudade e Outra Vez que lançaram um novo estilo musical que se caracterizou como a Bossa Nova, surgida em um apartamento de classe média carioca, que teria uma longa vida de sucesso e lançaria muitos talentos musicais.

João Gilberto chamava a atenção com sua maneira intimista de cantar, que era bastante diferente da maneira da época. João Gilberto abriu caminho para jovens universitários que levaram à frente a Bossa Nova, como: Roberto Menescal; Ronaldo Bôscoli; Nara Leão que foi a grande musa da Bossa Nova; Chico Feitosa; Carlos Lyra; Cândido Mello Mattos; Silvinha Teles; Baden Powell; Alaíde Costa e os irmãos Castro Neves.

Em 1958 foi lançado o Festival de Samba Moderno, na Faculdade de Arquitetura do Rio de Janeiro. Com o sucesso dos shows universitários, em 1959, Ronaldo Bôscoli e Luís Carlos Mieli organizaram seu primeiro pocket show que teve a participação de Sérgio Mendes e seu conjunto. Os pochet shows se transformaram em marca registrada das boates do Beco das Garrafas no Rio de Janeiro. Em 1962 o grupo se apresentou no Carnegie Hall em Nova York, com Mieli, Bôscoli, Silvinha Teles, Nara Leão e o Copa Trio.

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Cinema

Em 1949 Francisco Matarazzo Sobrinho industrial e mecenas paulista junto com Franco Zampari, fundaram em São Bernardo do Campo a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, com o objetivo de ser a hollywood brasileira. A Vera Cruz iniciou seus trabalhos com hostilidade a tudo que já havia sido feito até então no Brasil, em matéria de cinema.

Em 1953 foi criada a Multifilmes e com estas companhias São Paulo passou a ser a base cinematográfica brasileira desbancando o Rio de Janeiro. Mas o cinema que se fez em São Paulo não teve vida longa e ao final dos anos 50 já estava em crise e decadência.

Em 1955, foi rodado Rio 40 Graus, utilizando uma linguagem direta e despojada, o filme enfocava a população pobre dos morros cariocas, era dirigido por Nelson Pereira dos Santos e estrelado por Jece Valadão e Zé Kéti. Nelson Pereira tinha 27 anos e questionava a linguagem convencional do cinema brasileiro, sua geração estava cansada do mundo idealizado da Vera Cruz e da Atlântica e desejava fazer um cinema politicamente engajado inspirado no italiano Luchino Visconti.

Em 1960 Joaquim Pedro de Andrade deu sua contribuição com Cinco Vezes Favela e em 1961 um jovem baiano foi convidado a dirigir Barravento sobre uma aldeia de pescadores na Bahia, era ele Glauber Rocha. Esta nova geração de cineasta criou o Cinema Novo.

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Futebol

O ano de 1950 representou a maturidade do futebol brasileiro, quando o Rio de Janeiro foi a sede da IV Copa do Mundo e o Brasil apresentou uma poderosa máquina de futebol depois de superar os problemas existentes em 1934 e 1938.

No Rio de Janeiro foi inaugurado o maior estádio do mundo – o Maracanã, construído especialmente para o evento, em 10 de junho de 1950 com uma partida entre cariocas e paulistas sendo vencedora a equipe paulista por 3x2, mas coube ao garoto Didi marcar o primeiro gol da história do estádio.

O Brasil tinha tudo para ser o campeão mundial. O Brasil estreou na Copa com uma goleada sobre o México de 4 a 0 e disputou a final com o Uruguai em 16 de julho de 1950, quando ocorreu o grande desastre, o Uruguai venceu por 2X1 e se sagrou Campeão Mundial de Futebol, causando o maior silêncio que se ouviu no Maracanã.

A seleção brasileira era formada por: Barbosa, Augusto e Juvenal; Eli, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico.


Selecionado Brasileiro de 1950, foto do arquivo de O Cruzeiro - Jornal do Estado de Minas Gerais – Belo Horizonte, tirada de Nosso Século – 1945-1960, Capítulo II, "Nas Ondas do Rádio e da TV", pág. 49.

Em 1954 o Brasil perdeu a Copa do Mundo na Suíça perdendo para a seleção húngara, mas consagrou jogadores como: Julinho, Djalma Santos, Didi e Nilton Santos, os dois últimos jogadores do Botafogo Futebol e Regatas do Rio de Janeiro. A vencedora da Copa foi a seleção da Hungria.

As partidas de futebol nesta época já eram transmitidas pelo rádio e despontavam os speakers, como: Oduvaldo Cozzi; Paulo Planet Buarque; Pedro Luís; Jorge Curi e Geraldo José de Almeida, que deixaram seus nomes associados ao futebol. Em 1954 durante a transmissão do jogo Brasil e Hungria, Paulo Planet chegou a invadir o campo para esmurrar o juiz.

O grande sonho brasileiro se realizou em 1958 quando a Seleção Brasileira foi Campeã de Futebol na Suécia, vencendo os suecos por 5 x 2, em 28 de junho. Era a primeira vez que um país vencia uma Copa do Mundo fora de seu continente. A imprensa internacional especializada escolheu a seleção ideal que era constituída por oito jogadores brasileiros. Esta Copa teve dois grandes destaques: Garrincha e o menino Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que seria mais tarde considerado o "atleta do século";.


Seleção Brasileira de 1958, foto copiada da Revista Nosso Século 1945-1960, Capítulo IX, "Rock-and-Roll e Bossa Nova", pág. 243, podendo se ver em pé: Vicente Feola, técnico da Seleção; Djalma Santos; Zito; Bellini; Nilton Santos; Orlando e Gilmar; agachados: Garrincha; Didi; Pelé; Vavá; Zagalo e Paulo Amaral, preparador físico.


O Selecionado Brasileiro comemora em campo sueco, a conquista da Taça Jules Rimet, 1958, São Paulo, Cortesia, Elizabeth de Crapani. Foto copiada da Revista Nosso Século - 1945-1960,: Capítulo IX, "Rock-and-Roll e Bossa Nova",
pág. 243.

Em 1962 o Brasil conquistou o bi-campeonato de futebol no Chile onde teve destaque o jogador Garrincha, conhecido como "a alegria do povo" que jogava no Botafogo Futebol e Regatas do Rio de Janeiro.



O Período Populista
1945-1964
Do Declínio do Estado Novo ao Suicídio de Vargas 1945-1954 Período de Transição após o Suicídio de Vargas O Governo de Juscelino Kubitscheck - 1956-1960 O Esgotamento do Estado Populista - 1961-1964 Discussão Historiográfica sobre o Período Administração do Rio de Janeiro entre 1945-1964 Lazer e Cultura da Sociedade - 1945-1964



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