O PERÍODO POPULISTA - 1945-1964
O GOVERNO DE JUSCELINO KUBITSCHECK - 1956-1960
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![]() Manifestação após a vitória de Juscelino Kubitscheck, foto da Empresa Brasileira de Notícias – Rio de Janeiro, 1956. Copiada da Revista Nosso Século – 1945-1960, Capítulo VIII - "A Era de Juscelino Kubitscheck – 50 anos em 5", pág. 195. |
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Antes de iniciar o Governo, Juscelino Kubitscheck de Oliveira viajou por vários países com o objetivo de atrair a atenção do mundo para o Brasil. A escolha de seu Ministério refletiu a aliança PSD/PTB e os Ministérios militares foram ocupados pelos que desfecharam o Golpe Preventivo: Henrique Teixeira Lott na Guerra; Antonio Alves Câmara na Marinha e Vasco Alves Secco na Aeronáutica. Logo de início Juscelino solicitou ao Congresso a suspensão do estado de sítio e pôs fim a censura à imprensa. Apesar desses atos ele continuou a enfrentar revolta. Em 11 de fevereiro, o Major Haroldo Veloso e o Capitão José Chaves Lameirão desfecharam o primeiro ataque contra seu Governo, dirigindo-se para Jacareacanga no Pará tomaram a base aérea contando com a adesão de outros oficiais. Juscelino enviou contra eles uma força conjunta das três armas, mas o Major Veloso se rendeu sem ter atingido seu intuito de levantar a Aeronáutica contra o Presidente. Juscelino decretou a anistia de todos os envolvidos em atentados contra a ordem desde novembro de 1955, visava com esta atitude serenar os ânimos e iniciar seu Governo em clima de tranqüilidade, mas este ato estava também em sintonia com sua maneira de agir, sem deixar ódios e sem retaliações políticas ou pessoais. Sua atitude não impediu que em dezembro de 1959, ainda tivesse que enfrentar outra rebelião, quando o Tenente-coronel João Paulo Burnier e de novo Haroldo Veloso tentaram uma revolta baseados em Aragarças, Goiás, mas não resistiram além de trinta e seis horas. Sem apoio o primeiro refugiou-se no Paraguai e o segundo na Bolívia. Para conseguir realizar sua política, Juscelino utilizou a aliança PSD-PTB para aprovar seus gastos públicos no Legislativo, a UDN com sua eterna oposição representou um foco de resistência a ser vencido. Neste período e até 1964 o Congresso tinha uma importância maior do que a que tem atualmente, porque era ele que realmente legislava, não havia Medida Provisória que permitisse ao Presidente fazer leis, este expediente surgiu com os Governos Militares. A aliança PSD-PTB fazia o Congresso funcionar como canal de circulação de demandas setoriais de grupos de apoio ao Governo, os deputados da aliança faziam passar os projetos de leis favoráveis a suas bases regionais. Mas também freqüentavam gabinetes ministeriais para assegurar obras, empregos e mais votos nas eleições futuras. O PSD pregava uma política de conciliação entre as classes patronais e os trabalhadores, o PTB apoiava o direito de greve, as reivindicações salariais e melhores condições de vida e participação dos trabalhadores em áreas governamentais. A UDN era o partido conservador, reacionário e tinha um tom virulento que combatia as articulações populistas. Defendia um liberalismo total em nome da destruição da tutela do Estado sobre a sociedade brasileira, aplicava uma prática de golpismo para substituir o processo eleitoral e instaurar uma ditadura que, para seus seguidores deveria estabelecer a verdadeira democracia, considerava o processo eleitoral brasileiro viciado e o eleitorado ignorante e de fácil manipulação. A UDN com sua atitude não deixava de ser uma legitimadora do regime, porque existindo liberdade de imprensa, os jornais de oposição podiam falar mal do Governo livremente, sob um ponto de vista conservador. O ônus da política elitista ficava com a UDN que não confiava nas massas. Juscelino Kubitscheck era um empreendedor e foi incentivador de um período de otimismo no Brasil, não concordava com a tese de que o país estava condenado ao atraso e desejava criar condições para o Brasil se desenvolver e se tornar moderno e industrializado. Assegurou que promoveria um desenvolvimento de "50 anos em 5 de governo", não se pode aferir o desenvolvimento do Brasil, mas com certeza se pode afirmar que ele promoveu um considerável desenvolvimento da economia industrial do Brasil, lançando os alicerces necessários ao futuro desenvolvimento. Ele era fiel aos princípios democráticos, em seu Governo o país viveu a época dos anos dourados, fortalecido por uma conjuntura internacional favorável na qual a Europa e o Japão saíram da destruição da II Guerra Mundial para a reconstrução, favorecida pelo Plano Marshall na Europa e pelas facilidades dadas pelos Estados Unidos ao Japão. Esta situação favoreceu ao Brasil, porque os países em reconstrução viram nele grandes oportunidades para aplicarem seus investimentos. Juscelino lançou um audacioso Plano de Metas para realizar os "50 anos em 5" e sua síntese foi a construção de uma nova capital no Planalto Central Brasileiro – Brasília. Em 1958 foi feito o Acordo Internacional do Café porque desde 1950 as exportações estavam em queda causando a redução de divisas, como conseqüência da concorrência do café africano. Para os nacionalistas o Brasil deveria defender a descolonização da África, mas isto implicava em ter os países africanos como concorrentes em igualdade de condições no mercado internacional, por isto se adotou uma postura conservadora que procurou resolver a questão por meios diplomáticos, sem levantar o problema da colonização, por isto foi feito o Acordo. Por outro lado os nacionalistas foram vencedores nas questões da apresentação aos Estados Unidos do projeto da Operação Pan-Americana – OPA e no rompimento com o FMI. A OPA foi um acordo similar ao Plano Marshall, feito para a América Latina, mas o chanceler Macedo Soares que representava o Brasil não participou de sua elaboração e por isto foi contra o acordo e Eisenhower o recusou. Este plano seria relançado posteriormente por John Kennedy com o projeto da Aliança para o Progresso. Em relação ao FMI, Juscelino considerava que as condições impostas pela entidade poderiam colocar em cheque o seu Plano de Metas e por esta razão rompeu com o FMI em 1959, optando pelo crescimento com inflação. No período conhecido por algumas correntes como o Período Democrático, 1945-1964, o Brasil viveu intensos conflitos políticos que impediram que os governantes tivessem seus mandatos concluídos. Juscelino Kubitscheck manteve-se no Governo pelos cinco anos de mandato e entregou o cargo a seu sucessor, governando pelo centro, com desvios para a esquerda e às vezes para a direita, com o propósito de conciliar interesses. Desta forma gerou a modernização conservadora, ou seja, o Brasil se industrializou e se urbanizou, mas foram mantidas a distribuição desigual de riquezas e os latifúndios. A nova capital projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer foi inaugurada em 21 de abril de 1960. O Rio de Janeiro depois de quase duzentos anos deixou de ser a capital do Brasil e iniciou o seu período de decadência e de esvaziamento. Brasília nasceu no cerrado, longe da pressão direta e da agitação das massas, sem uma Cinelândia para o povo se reunir. Mas como resultado de um país que inchou mais do que cresceu, Brasília foi projetada para ter 700 mil habitantes como estimavam seus criadores, mas no alvorecer do século XXI já tinha passado dos 2 milhões de habitantes. |
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O modelo econômico implantado por JK foi preponderantemente diferente da industrialização restringida do período anterior. Neste o capital era proveniente da agricultura, do campo e era transferido para a indústria através de meios diversos, o capital externo era fraco tinha pouca penetração no país e só teve algum aumento depois da guerra, a partir de 1950. A indústria que prevalecia era a de base, de infra-estrutura, que era bastante favorecida. Após 1955 as características se modificaram, na era JK, entre 1955 e 1960, predominando características como:
Estes dois pontos representaram rupturas com o modelo anterior. Mas a modificação do modelo econômico brasileiro também sofreu influência das condições ocorridas na conjuntura internacional, porque depois de 1950, concluída a restauração do após Guerra, os países capitalistas europeus ganharam estabilidade econômica que os levou a procurar novas oportunidades de exportação de capitais que lhes trouxessem condições lucrativas. Havia pressão internacional para que o capital externo fosse aceito no Brasil, mas não foram os Estados Unidos que se interessaram inicialmente em participar do processo de abertura do terceiro mundo a seus investimentos, foram os países do Mercado Comum Europeu e o Japão. As primeiras indústrias de automóveis a se instalarem no Brasil foram: a Volkswagem, de capital alemão e a SIMCA, francês. De início os americanos colocavam restrições para o Brasil se industrializar, mas diante da entrada de capital de outros países também participou do processo. Em relação à forma de financiamento, o modelo de acumulação entre 1955 a 1960, beneficiando o capital estrangeiro, foi totalmente diferente da utilizada no período anterior. A Instrução 113 da SUMOC, que foi baixada ainda no Governo transitório de Café Filho, antes do Governo de Juscelino, permitia a entrada de capitais externos que não possuíssem cobertura cambial, assegurando ao investidor estrangeiro a importação de equipamentos industriais segundo uma classificação estabelecida pelo Governo. Esta tendência foi mantida no Governo Juscelino Kubitscheck, obrigando o capital nacional a associar-se com as multinacionais, para ter benefício semelhante. Enquanto no modelo anterior a emissão de moeda era uma medida esporádica, neste, passou a ser uma estratégia sistemática de aquecer a economia e de criar poupanças forçadas. A inflação passou a ser uma transferência de capital, mas quem ganhava eram os setores bancário e industrial, a opção por este modelo atingiu os setores subalternos. O expediente utilizado tinha alto poder corrosivo sobre os salários, mas não comprometia de imediato o pacto populista, porque os trabalhadores estavam envolvidos nos projetos de grandeza nacional, vivia-se o processo desenvolvimentista de "50 anos em 5" e havia uma crença positiva de desenvolvimento e de um futuro melhor. O nacional queria significar desenvolvimentismo e progresso industrialização, a ascensão social se fazia através do emprego. Neste período a mão-de-obra estava fluindo para a cidade, sendo uma fase de expansão econômica e desenvolvimento, havia muito emprego e uma massa muito grande de trabalhadores foi incorporada ao mercado, estas condições atenuavam os efeitos da inflação sobre o custo de vida e os salários. Sem resolver as contradições do desenvolvimento, particularmente no campo onde a miséria era maior, o desenvolvimento acabou por levar a mão-de-obra barata para os centros urbanos, no processo de industrialização. Foi consolidada a mudança de perfil da indústria brasileira com o predomínio das indústrias metalúrgicas, metal-mecânica, de material elétrico, de transporte e de comunicação, em detrimento das tradicionais: têxteis; de alimentos e de bebidas. No Governo de Juscelino prevaleceu a manutenção das bases da indústria brasileira, setorizada e distribuída entre: o capital privado nacional no tocante à produção de bens de consumo correntes; o capital estrangeiro ligado ao setor de bens de consumo duráveis e o capital estatal alocado aos bens de produção. O Estado servia de mediador para que houvesse um convívio harmonioso entre as partes. A indústria se modernizou e ligada às multinacionais surgiu uma grande quantidade de empresas fornecedoras de tudo que o núcleo dinâmico necessitava, principalmente em relação à indústria automobilística. O grande desenvolvimento do setor de bens de consumo duráveis incentivou o aumento dos investimentos estatais em infra-estrutura. O Governo de Juscelino experimentou o planejamento integrado no Plano de Metas, que teve sua origem em 1952, com os diagnósticos do CEPAL – BNDE. Seus objetivos visavam em curto prazo acelerar a acumulação capitalista e em médio prazo elevar o nível de vida da população superando a miséria com novas frentes de emprego. Juscelino além de fortalecer o Estado fortaleceu o Executivo, através da Administração Paralela. Os empregos públicos eram utilizados pelos partidos mantendo o clientelismo, assim ele deixava a cargo dos partidos a máquina do Governo, mas foram criadas autarquias que eram ocupadas por critérios técnicos e na verdade eram os órgãos encarregados de implementar as políticas de desenvolvimento, surgindo nelas os tecnocratas que eram extremamente competentes e de fato gerenciavam os projetos. Assim surgiram organismos paralelos como a Companhia Auxiliar de Comércio Exterior - CACEX, a Superintendência de Moeda e Crédito - SUMOC, que embora já existentes foram ampliadas, o Conselho de Política Aduaneira – CPA, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE e muitos outros. Foram criados também Grupos Executivos, entre eles: o de maquinamento pesado – CEIMAPE; o de indústria automobilista – GEIA; o de energia elétrica - GTENE e o da construção naval – GEICON.
Durante o Governo de Juscelino, foram feitas obras de ampliação das instalações da Hidrelétrica de Paulo Afonso e foram iniciadas as obras de duas grandes hidrelétricas: Furnas e Três Marias; ambas situadas em Minas Gerais. O Plano de Metas contemplava também as usinas termoelétricas determinando a construção de novas centrais no sul do país, visando o aproveitamento da produção excedente de carvão. Juscelino colocou em prática o Plano Nacional de Eletrificação elaborado em 1954. "O maior dinamismo da economia brasileira no período pode ser avaliado mediante os números seguintes: na produção de cimento o Brasil tornou-se auto suficiente, produziu-se, em 1961, 4.680 mil toneladas, enquanto a produção em 1947 havia sido de 914 mil toneladas; a produção de aço em lingotes passou de 1,4 milhões de toneladas (1956) para 2,7 milhões de toneladas (1962); a produção de veículos automotores passou de 31.000 (1957) para 200.000 (1962); a capacidade instalada de geração de energia elétrica passou de 2,9 milhões de kw (1954) para 6,0 milhões de toneladas (1962) e a extensão de rodovias pavimentadas passou de 3.200 Km (1956) para 9.000 km (1962). Enfim, o crescimento médio anual da economia brasileira foi de 8,1 %. "(1) A conta deste período só chegaria mais tarde, porque ao final do Governo de Juscelino Kubitscheck já se delineava a crise econômica provocada pela dívida externa e pela alta inflacionária, que foi a herança deixada para os governos seguintes. |
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A CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina, ligada à Organização das Nações Unidas – ONU, criada em 1948, foi uma instituição que se propôs a investigar a gênese da economia política latino-americana, com a preocupação básica de determinar a causa do atraso da América Latina em relação aos centros desenvolvidos e encontrar fórmulas para superá-las. Possuía um caráter nacional e desenvolvimentista e se transformou na mais importante escola do pensamento econômico dos países subdesenvolvidos. Os estudos da CEPAL estabeleceram como diagnósticos para os problemas da América Latina:
Sua crítica era feita à Lei das Vantagens Comparativas, um dos pilares da teoria clássica, segundo Paul Samuelson, que pregava que se os países atrasados deveriam especializar-se nos produtos primários e os avançados na industrialização, porque as relações entre eles acabariam por beneficiar os atrasados que absorveriam o diferencial da produtividade dos países avançados, recebendo seus ganhos. Para a CEPAL isto não acontecia e sim o contrário, o centro se beneficiava dos poucos ganhos de produtividade da periferia. A Argentina até a década de 30 se beneficiou dos ganhos dos países adiantados, mas isto não se efetivou. A diferença entre a Argentina e o Brasil estava no fato do Brasil ter colocado toda a sua capacidade na produção do café e a Argentina ter diversificado, investindo na produção de carne, trigo e algodão, produtos que eram mais importantes. Para a CEPAL as desigualdades entre os países seriam provenientes:
A CEPAL sugeria para melhorar a situação da América Latina: que o Estado tivesse uma decidida participação na economia, como promotor do desenvolvimento e como responsável pelo planejamento das modificações que se faziam necessárias e a industrialização como meio mais eficiente para se conseguir o aumento da renda nacional e da produtividade e reter os frutos dos progressos técnicos. Desta forma as medidas que deveriam ser tomadas para destruir os entraves do desenvolvimento de um país eram: desenvolvimento industrial, reforma agrária, melhor alocação de recursos produtivos e estimulação do mercado interno. Pertenceram às fileiras cepalinas nomes influentes da política brasileira, o mais importante deles o economista Celso Furtado. O documento mais importante gerado pela CEPAL foi: Estúdo Econômico da América Latina de Raul Prebisch que foi seu primeiro ideólogo. Os documentos importantes da CEPAL tinham como característica além de fornecer as idéias, fornecer também diretrizes que foram colocadas em prática em diversos países. No Brasil ganhou estatus de políticas públicas no segundo Governo de Vargas e também no de Juscelino Kubitscheck e de João Goulart, entre 1950 e 1964. Em 1953, Celso Furtado administrou um convênio entre o BNDES e a CEPAL para obter dados sobre a economia brasileira e propôs um programa para o Brasil: Esboço de um Programa de Desenvolvimento para a Economia Brasileira no Período de 1955 a 1962, que serviu de base para o Plano de Metas de Juscelino Kubitscheck. Guido Mantegna no seu texto A Economia Política Brasileira - "O Pensamento da CEPAL", critica as propostas da CEPAL porque tanto cepalistas como liberais pregam que o Capitalismo pode resolver os problemas sociais, o que para ele não ocorre, considerando: que eles ignoravam a lógica intrínseca do Capitalismo que prega que o empresário tem que ganhar a "mais-valia" e que o desenvolvimento do Capitalismo voltado para o mercado interno, estaria esquecendo que existem classes sociais e seus conflitos. Para Guido o liberalismo com sua ortodoxia acreditava no mercado, os cepalinos com sua heterodoxia acreditavam que o mercado não resolve os problemas e pregavam a necessidade do Estado agir como um agente regulador, que interviesse e regulamentasse. Assim o Estado interferia no poder predatório do mercado. O Estado estaria acima das classes e na frente delas, criando uma casta de técnicos e burocratas, à frente do aparato estatal, capacitados a iluminar o caminho para as desnorteadas classes sociais latino-americanas. O Instituto Superior de Estudos Brasileiros - ISEB foi criado em 1954, no Governo de Café Filho, inspirado em um projeto de Alberto Torres do início do século, na época dos grandes diagnósticos do Brasil. Seu objetivo era reunir as melhores cabeças, fossem elas de direita, de esquerda ou do centro, como: Nelson Werneck Sodré; Helio Jaguaribe; Roland Corbusier; Cândido Motta Filho; Josué de Castro; Guerreiro Ramos, Álvaro Vieira Pinto; Cândido Mendes de Almeida e Roberto Campos, entre outros que pensavam diagnósticos e soluções para os problemas brasileiros pela via do nacionalismo. Estava ligado ao Ministério da Educação e Cultura e apoiava a política desenvolvimentista de Juscelino Kubitscheck. Nesta época teve destaque como criador de uma ideologia desenvolvimentista elaborando cursos, conferências e pesquisas em paralelo à que era desenvolvida na Escola Superior de Guerra – ESG, criada em 1948 por ex-participantes da FEB. Em 1958 ocorreu no ISEB uma crise entre moderados e radicais em reedição da polêmica "entreguistas" x "nacionalistas" e os moderados – Jaguaribe, Motta Filho, Cândido Mendes, se retiraram do ISEB, permanecendo os radicais liderados por Nelson Werneck Sodré, que era o ideólogo do Partido Comunista e que se ligou aos movimentos estudantis e à burocracia estatal, mas não atuava diretamente no ensino superior. No Governo de João Goulart o ISEB participou das discussões sobre as Reformas de Base. Foi extinto em 1964. |
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O Plano de Metas de Juscelino Kubitscheck, teve como inspiração as análises do grupo CEPAL-BNDE, formado em 1952 por membros do Banco e da Comissão Econômica para a América Latina e outras instituições importantes na formação do pensamento social dos anos 50, como o ISEB – Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Elas forneceram os elementos para o projeto denominado desenvolvimentista que regeu os anos do Governo de Juscelino. No Parlamento o desenvolvimentismo uniu os partidos PSD, PTB, PSB e UDN e o grande mérito de Juscelino Kubitscheck foi administrar as oposições, fazendo concessões a todos sem permitir o comprometimento das instituições democráticas. O Plano de Metas era composto de trinta e uma metas que contemplavam cinco setores básicos:
A construção de Brasília era a meta-síntese, que simbolizava os "50 anos em 5", capitalizando politicamente os efeitos sobre a população das cidades. Para a execução do Plano de Metas, Juscelino utilizou os Grupos de Trabalho e Grupos Executivos que faziam parte da Administração Paralela de seu Governo. O êxito do programa foi inquestionável, no setor de indústria de base, as metas do aço, da indústria de automóveis, cimento e construção naval alcançaram 100% do resultado previsto. No setor automobilístico foi previsto, para 1960, uma meta de construir 347.000 veículos, entre caminhões, utilitários, jipes e automóveis, a meta alcançada foi de 321.000 veículos, um excelente resultado, bem próximo do estimado. Nesta área foi estabelecido um acordo no qual a produção de autopeças ficava a cargo do empresariado nacional enquanto o controle das montadoras ficava por conta das multinacionais. O setor de transporte foi grandemente desenvolvido e o setor de produção energética atingiu tal grau de desenvolvimento que foi criado, em 1960, o Ministério de Minas e Energia além de serem estabelecidas as regras para a instalação da ELETROBRÁS, que definitivamente se tornou realidade em 1961 no Governo de Jânio Quadros. Muitas metas não conseguiram ser executadas, principalmente nas áreas de agricultura e educação, significando alguns fracassos parciais, amplamente justificados, o importante era considerar que através de programa de metas o capitalismo monopolista de Estado foi definitivamente instaurado no Brasil ao final do Governo de Juscelino Kubitscheck. O êxito do Plano de Metas corporificava a ideologia desenvolvimentista dominante no período, fazendo convergir os interesses dos empresários, dos políticos, dos militares e dos assalariados urbanos. O Plano de Metas de Juscelino ao se basear no pensamento cepalista esqueceu que o grande desenvolvimento e a euforia nacionalista ocultavam o fato do país ter se tornado dependente do capital e da tecnologia estrangeira e de ter ocorrido grande concentração de renda ao invés de libertação e de autonomia. |
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Em relação ao setor agrícola, no Governo Juscelino Kubitscheck os progressos foram pequenos ou quase nulos, porque o latifúndio impedia toda iniciativa modernizadora. O poder político dos coronéis e a bancada ruralista no Congresso impediam qualquer ação efetiva no campo. A grande distância entre o desenvolvimento urbano e rural se pronunciaram à medida que a industrialização aumentou e as diferenças entre os ganhos obtidos pelo trabalhador urbano também se distanciaram dos atingidos pelo trabalho no campo, outra diferenciação pronunciada foi em relação ao desenvolvimento da Região Sudeste e da Região Nordeste. Os problemas das secas do Nordeste agravavam a situação vivida pela região e para tentar reverter a situação Juscelino criou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE, abrangendo a região do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, parte de Minas Gerias e Fernão de Noronha. A SUDENE teve como primeiro Secretário Executivo Celso Furtado e tinha como objetivo político combater a indústria da seca, em outras palavras, as oligarquias locais que obtinham recursos contra a seca em proveito próprio, construindo com dinheiro público poços, açudes e estradas para beneficiar políticos locais e seus apadrinhados. A criação da SUDENE foi apoiada pela Igreja através de D. Hélder Câmara, pelas Ligas Camponesas e pelo empresariado industrial da Confederação Nacional das Indústrias. Com o novo órgão Juscelino pretendia levar ao Nordeste um "mini-programa de metas" que se propunha a:
O primeiro Plano Diretor da SUDENE abrangia a siderurgia, energia, setor têxtil, e a diversificação e modernização da agricultura, mas não falava de redistribuição da terra e das relações de poder no campo. Este programa para o Nordeste não apresentou os mesmos resultados que foram obtidos pelo Plano de Metas e o Nordeste não se desenvolveu. |
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Brasília foi construída contando com o apoio do povo, das elites conservadoras, da esquerda e até da oposição, cada um alimentando o seu próprio sonho. Oscar Niemeyer, que era comunista, sonhava que Brasília seria a capital de um regime socialista. Ele e muitos profissionais da arquitetura achavam que a cidade ajudaria a construir a sociedade mais justa e igualitária e que seria um núcleo de modernidade que iria revolucionar o Brasil. Muitos sonhavam que o Plano de Metas de Juscelino Kubitscheck seria a revolução industrial brasileira nos mesmos moldes que Stalin fez a revolução industrial russa e Mao Tsé-Tung a chinesa, num mundo em que guerrilheiros de Sierra Maestra liderados por Fidel Castro e Che Guevara estavam modificando Cuba e alimentavam o sonho da revolução da América Latina. Mas pelo outro lado a elite conservadora brasileira, que tinha receio da revolução aceitava um governante inovador e industrialista como Juscelino Kubitscheck. A idéia modernista de fazer uma Revolução através de Brasília era desconhecida pela população e até do próprio Juscelino. Caberia ao patriotismo de Juscelino Kubitscheck arcar com a responsabilidade de fazer a Revolução Industrial no Brasil, antes que o povo a fizesse. Brasília foi o símbolo do desenvolvimento e de um Governo, que para evitar atritos com as oligarquias latifundiárias não fez a Reforma Agrária e nem legislou sobre as terras que se abriram para a construção de Brasília e do gigantesco eixo rodoviário formado pelas Estradas: Belém – Brasília; Fortaleza – Brasília; Belo Horizonte – Brasília e Goiânia – Brasília; que sem regulamentação de posses e de propriedades, fez com que a interiorização da capital favorecesse a formação de novos latifúndios. "Para muitos contemporâneos de Brasília, os vultosos recursos gastos em sua construção teriam tido melhor aplicação na reforma agrária, que distribuiria terra, renda e dignidade ao povo. Eles não estavam errados. Mas Brasília era também uma utopia, sonhada coletivamente por outros tantos brasileiros daqueles anos de otimismo. Brasília é, por isto mesmo, um monumento controvertido da cultura brasileira. Aliás, um monumento vivo, cuja trajetória é traçada dia a dia no coração do Brasil. "(2) |
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A campanha para a sucessão de Juscelino teve início em 1959, apesar das eleições estarem marcada para 3 de outubro de 1960. O Partido Trabalhista Nacional – PTN, que era um partido inexpressivo que estava tendo uma rápida trajetória de desenvolvimento, lançou a candidatura de Jânio Quadros, e a UDN aderiu à candidatura, numa coligação que apresentou como Vice Milton Campos. Jânio era um político excêntrico e teatral, usou como símbolo da campanha uma vassoura significando que ia varrer a corrupção das altas esferas do Governo. Criticava Juscelino Kubitscheck acusando-o de ter causado a dissolução dos bons costumes, além de causar inflação e a desorganização administrativa. Jânio tinha popularidade junto às massas operárias de São Paulo e conquistou a simpatia de brasileiros ricos, pobres, remediados, urbanos, rurais, ignorantes e letrados. Usava como jingle de sua campanha, a música: "Varre, varre, varre, varre, vassourinha./ Varre, varre a bandalheira. Jânio em plena campanha, em 26 de novembro de 1959, em carta ao Governador de São Paulo Carvalho Pinto, renunciou à sua candidatura em virtude dos desentendimentos com os partidos que o apoiavam - que eram 5 partidos: PTN, UDN, PDC, PR, PL; além de dissidências de outros cinco: PTB, PSD, PRP, PSP e PSB - principalmente a UDN. No entanto em 5 de dezembro voltou atrás e retomou a candidatura. A coligação PSD/PTB lançou como candidato o General Henrique Teixeira Lott, que usou como símbolo de sua campanha a espada. Foi a campanha da espada e da vassoura. Lott tinha como Vice João Goulart e a chapa teve o apoio de Juscelino, mas Lott era um candidato que não possuía a flexibilidade de um político. Outro candidato foi Ademar de Barros pelo PSP. Jânio Quadros venceu as eleições com 48% dos votos que correspondeu a 5.636.623 votos, tendo tido uma das votações mais expressivas da História do país. Lott obteve 32% e Ademar 20%. João Goulart foi eleito Vice porque a votação era independente. Nas urnas saiu vitoriosa a dupla Jan-Jan, que articulada à revelia de seus integrantes, tinha tudo para dar errado. |
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(1) - Ana Maria dos Santos, Guilherme Pereira das Neves, Humberto Fernandes Machado e Williams da Silva Gonçalves. História do Brasil - da Terra Ignota ao Brasil Atual, no capítulo "República Liberal – O Governo de Juscelino Kubitscheck (1956-1961)", Rio de Janeiro, LOGON Informática Ltda., Editora Multimídia Ltda., 2002, pág. 352. (2) - Vânia Maria de Losada Moreira. "Utopia no Planalto" in Revista Nossa História da Biblioteca Nacional, ano 2, número 23, de setembro de 2005, pág. 23. |
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