O Rio de Janeiro na República do Brasil A República Velha - 1889-1930 Getúlio Vargas e o Estado
Novo- 1930-1945
O Período Populista - 1945-1964 O Regime Militar - 1964-1985 A Nova República - 1985

O RIO DE JANEIRO NA REPÚBLICA DO BRASIL

O REGIME MILITAR - 1964-1985

O SEGUNDO GOVERNO MILITAR - 1967-1969



O General Artur da Costa e Silva

Artur da Costa e Silva nasceu em Taquari, interior do Rio Grande do Sul em 3 de outubro de 1899 e faleceu no Rio de Janeiro em 17 de dezembro de 1969, foi o segundo Presidente dos Governos Militares, foi afastado da Presidência por motivo de enfermidade.

Filho de comerciantes portugueses da Ilha da Madeira, Artur da Costa e Silva iniciou sua carreira militar ao ingressar no Colégio Militar de Porto Alegre, onde concluiu como primeiro da turma ou aluno-comandante. Casou-se com D. Iolanda Barbosa, filha de um militar.

Em 1918 entrou na Escola Militar de Realengo no Rio de Janeiro, na qual se classificou como terceiro da turma. Aspirante em 18 de janeiro de 1921, era segundo-tenente em 1922 quando participou da tentativa de levante do 1o Regimento de Infantaria da Vila Militar, a 5 de julho daquele ano, aliando-se ao Movimento dos Dezoito do Forte de Copacabana, e acabou sendo preso no navio "Alfenas", por ordem do Governo Epitácio Pessoa.

Sua carreira militar foi muito brilhante, sendo promovido a Capitão em 1931; em 1937 a Major; a Tenente Coronel em 1943 e a Coronel em 1944. Fez todos os cursos do Exército. Chegou ao generalato em 2 de agosto de 1952 e alcançou o último posto - general-de-exército - em 25 de novembro de 1961.

Estagiou nos Estados Unidos, de janeiro a junho de 1944, após ter sido instrutor-adjunto de tática geral da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Foi adido militar na Argentina entre 1950 e 1952. Destacou-se nos comandos: da 3a Região Militar no Rio Grande do Sul entre 1957 e 1959; da 2a Divisão de Exército em São Paulo e do IV Exército de Pernambuco de agosto de 1961 a setembro de 1962, quando passou a Chefe do Departamento Geral de Pessoal e depois a Chefe do Departamento de Produção e Obras.

Foi Ministro da Guerra do Governo Castello Branco tendo tomado a posição de defensor dos interesses da chamada linha dura da ultradireita no interior das Forças Armadas e com o AI-2 que transferiu a eleição do novo presidente para o Congresso Nacional, foi candidato à sucessão de Castello Branco em detrimento de militares castelistas - como o futuro presidente Ernesto Geisel e seu futuro auxiliar Golbery do Couto e Silva - de postos de responsabilidade.

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A Ditadura Endurecida


Comício Relâmpago na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em junho de 1967, foto copiada da Revista Nosso Século – 1960-1980, Capítulo II – "Militares no Poder", pág. 131.

O segundo Presidente militar General Artur da Costa e Silva, Ministro da Guerra de Castello Branco assumiu a Presidência em 15 de março de 1967 tendo como Vice Pedro Aleixo. No mesmo dia entrou em vigor a nova Constituição Brasileira. Seu governo se estendeu até agosto de 1969, quando foi afastado por motivos de saúde.

Costa e Silva durante seu governo teve de enfrentar duas frentes de oposição que mudaram os rumos dos acontecimentos e a ditadura teve que ser endurecida. Logo em seus primeiros meses, o governo enfrentou uma onda de protestos que se espalharam por todo o país comandados por setores de oposição que começavam a se reorganizar: políticos se reuniram na "Frente Ampla", os setores da Igreja se defrontaram com o Governo e os estudantes também se mobilizaram em torno da UNE. Além disto, teve início a luta armada da esquerda radical.



A Reorganização das Oposições

O primeiro foco de oposição que surgiu foi formado por políticos influentes. Em 21 de novembro de 1966 o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda lançaram um manifesto, em Lisboa, para a criação de uma frente de oposição aos governos militares.

Em setembro de 1967, Lacerda e o presidente deposto João Goulart, que se encontrava no exílio, se reuniram em Montevidéu e assinaram o Pacto de Montevidéu, onde foram afirmados os objetivos políticos da frente e o comprometimento de lutar pela redemocratização do país. Este Pacto mostrou a fase contestatória do Frente e levou a linha dura a indispor-se com a mesma.

Neste movimento de oposição que ficou conhecido como Frente Ampla, Carlos Lacerda se uniu a seus maiores inimigos para fazer oposição aos governos militares. O movimento ganhou diversos adeptos até mesmo entre os políticos que haviam apoiado o movimento de 1964, mas que entraram em discordância com o governo diante dos rumos da política nacional como: Magalhães Pinto e Adhemar de Barros.

A Frente Ampla pressionou o governo reivindicando anistia, uma assembléia constituinte e eleições diretas para governador de estado e presidente da República. As lideranças políticas da Frente Ampla procuraram também obter o apoio popular articulando-se aos mais importantes sindicatos trabalhistas. Sua finalidade em princípio era lutar pelo restabelecimento do que chamavam de democracia, muito embora os objetivos democráticos de cada um pudessem ser bem diferentes.

No primeiro momento a Frente não tinha a intenção de entrar em choque com Costa e Silva, predominava a paz, mas os radicalismos de ambas as partes inviabilizaram a Frente Ampla. Membros mais a esquerda da Frente procuraram políticos que antes de 1964 eram mal vistos por ser considerado extremista como Leonel Brizola.

A Frente atuou com relativa liberdade por mais de um ano, tendo somente sido proibida depois das pressões exercidas por ela e de sua relação com o movimento estudantil. A Frente era uma alternativa política que estava fora da ordem legal no quadro constitucional vigente e ignorava a proscrição das lideranças caçadas, ela dava as costas para o Congresso e para a organização política constituída que era o Movimento Democrático Brasileiro – MDB, exercendo de fato o papel de oposição.

O MDB, embora temendo a reação militar que a Frente podia despertar não se indispunha com os parlamentares frentistas e nem com as parcelas radicais da opinião pública.

Em abril e 1969, Costa e Silva optou pelo endurecimento e através de uma portaria de Gama e Silva, Ministro da Justiça, extinguiu a Frente Ampla.



A Luta Armada

O ano de 1968 foi o ano da contestação política generalizada em todo o mundo e no Brasil não foi diferente. Os jovens se rebelaram embalados pelo sonho de um novo mundo. No Brasil este contexto mundial teve efeitos no plano cultural e artístico, principalmente na música e deu impulso à mobilização social. Organizadas por estudantes, cresciam por todo o país inúmeras manifestações de rua.


Passeata estudantil após a morte do estudante Edson Luís de Lima Couto em abril de 1968, foto copiada da Revista Nosso Século – 1960-1980, Capítulo II – "Militares no Poder", pág. 142.

O Rio de Janeiro apesar de não ser mais a capital do país ainda era o centro de grandes manifestações e protestos e foi nesta cidade que ocorreu o fato catalisador das ruas. Numa manifestação de estudantes no centro do Rio de Janeiro, no Restaurante do Calabouço, ponto de encontro de estudantes próximo do Aeroporto Santos Dumont, ocorreu a morte do jovem estudante Edson Luís de Lima Souto abatido pela polícia, em 28 de março de 1968.

Seu enterro e a missa rezada na Igreja da Candelária foram acompanhados por milhares de pessoas que na saída foram surpreendidos por um ataque da cavalaria que só não terminou em tragédia graças a intervenção dos padres.

O acontecimento fez explodir os ânimos, setores da igreja, antiga aliada do Governo, se uniram ao movimento estudantil, que juntamente com políticos e membros da sociedade civil organizaram a "Passeata dos Cem Mil" realizada em 26 de julho de 1968, uma significativa mobilização da sociedade contra o regime militar que ocupou toda a Avenida Rio Branco e adjacências desde a Cinelândia até a Candelária, desta vez sem nenhuma intervenção policial.


Passeata dos 100.000 no Rio de Janeiro em 26 de junho de 1968, foto copiada da Revista Nosso Século – 1960-1980, Capítulo II – "Militares no Poder", pág. 145.

A partir daí os protestos se espalhavam em várias direções da sociedade. O movimento operário começou a desafiar o regime militar em Minas Gerais, São Paulo e no Rio de Janeiro, onde pipocaram greves que demonstravam a insatisfação com a política do governo e sobretudo com o arrocho salarial.

Em Minas uma greve iniciada em Contagem por 1700 operários da Siderúrgica Belgo-Mineira, paralisou o trabalho e tomou como reféns os diretores da empresa, em uma semana 15.000 trabalhadores estavam em greve, mas o movimento terminou em acordo. Já em São Paulo, em Osasco os trabalhadores acompanhados de estudantes ocuparam a Cobrasma. Queriam medir forças com o Governo, mas o Ministério do Trabalho interveio no Sindicato dos Metalúrgicos e a polícia desocupou a fábrica com violência.

Esse quadro foi agravado com a ocorrência de atentados a bomba e diversas manifestações de movimentos armados e terroristas de esquerda que concluíram que a única maneira de tomar o poder dos militares seria através da luta armada.

Este foi o segundo foco de oposição ao regime militar e o mais resistente, composto por vários grupos e organizações políticas de esquerda. Depois de 1964, no Partido Comunista Brasileiro - PCB e em outras organizações de esquerda começaram a surgir lutas internas que deram origem a inúmeros outros grupos e organizações que defendiam um projeto revolucionário socialista para o país em substituição ao sistema capitalista vigente.

Enquanto o PCB defendia o caminho pacífico para a implantação do socialismo no país, por meio de reformas estruturais, os grupos e organizações de esquerda dissidentes defendiam o emprego da guerra revolucionária, para derrubar o governo militar e em seguida implantar o socialismo.

Nesse momento, influenciados pelo aparente sucesso da Revolução Cubana, pela guerrilha em vários países da América Latina e pela atuação de Ernesto "Che" Guevara na Bolívia, surgiu a primeira organização guerrilheira no Brasil, a Aliança Libertadora Nacional - ALN fundada pelo comunista Carlos Marighela que havia rompido com o PCB.

A guerrilha não surgiu em 1968, existia desde o início dos anos 60 e tinha como objetivo fazer no Brasil uma Revolução nos moldes da cubana. Em 1967 na Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade – OLAS foi lançada como palavra de ordem: "criar um, dois, três,...mil Vietnans", isto fez com que muitos jovens abandonassem suas vidas para se engajar na luta armada. Mas, em cada país este movimento seguia características diferentes. No Brasil ela foi influenciada pela derrota do populismo em 1964.


Assassinato do Capitão do Exército Americano Charles
Chandler em 12 de outubro de 1968, acusado de
pertencer à CIA, copiada da Revista Nosso Século –
1960-1980
, Capítulo II – "Militares no Poder", pág. 215.

As esquerdas armadas constituíram núcleos guerrilheiros urbanos e passaram a atuar por meio de atos terroristas: seqüestros, atentados a bomba, assaltos a bancos. Justificavam a prática do terrorismo como resposta à repressão policial-militar desencadeada pelo estado militarizado, mas esta por sua vez se intensificava a cada nova ação armada.

As pessoas que optaram pela luta armada pensavam que a maioria da população excluindo apenas os latifundiários e testas de ferro do imperialismo iria aderir à luta, que deveria criar um movimento generalizado que envolveria as massas numa guerra civil.

Mas este pensamento mostrou sua fragilidade e equívoco, porque se baseava na ilusão das classes e a adesão da população como um todo não aconteceu, porque ela não tinha o ideal socialista.

Portanto a luta armada não foi uma conseqüência do AI-5, vinha sendo formada devido a manutenção dos militares no poder. Com a sucessão de 1967 e a posse de um novo general as ações revolucionárias foram intensificadas.

Em 1968 as primeiras ações destes movimentos se fizeram sentir, uma bomba foi colocada no consulado norte-americano em São Paulo, surgiram as "expropriações", ou seja, assaltos para angariar fundos e a ALN assaltou um trem pagador na Estrada Santos – Jundiaí. Marighella na ALN comandou dezenas de assaltos e roubos de arma.

Outras organizações engrossaram o movimento: o Var-palmares que reuniu a Vanguarda Popular Revolucionária – VPR e o Comando de Libertação Nacional - COLINA; a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares; o Partido Operário Comunista – POC; o Partido Revolucionário dos Trabalhadores - PRT; o Movimento Revolucionário 8 de Outubro - MR-8; o Movimento Nacionalista Revolucionário – MNR; a Resistência Armada Nacionalista - RAN, e outros.

Em contrapartida, o próprio governo e determinados grupos civis organizaram ações para desestabilizar a ação dos grupos de esquerda no país. As Forças Armadas criaram serviços de informação: o Centro de Informações do Exército - CIEX, o Centro de Informações da Aeronáutica - CISA e o Centro de Informações da Marinha - CENIMAR eram os três órgãos que investigavam as atividades políticas daqueles que eram considerados ameaça à ordem nacional.

Entre a população civil, houve também a criação de grupos posicionados contra setores de esquerda. O Centro de Caça aos Comunistas - CCC; o grupo católico Tradição, Família e Propriedade - TFP e o Movimento Anti-Comunista - MAC completava esse processo de permanente vigilância contra os possíveis inimigos dos governos militares.

O MDB, partido que reunia os "opositores" do regime, insuflava a população contra o governo. O Deputado Federal, Márcio Moreira Alves, discursou na Câmara Federal, denunciando as violências praticadas contra os estudantes, responsabilizando os militares pelas ocorrências. Em novembro, o arcebispo de Olinda, D. Helder Câmara lançou o movimento "Ação, Justiça e Paz".



Política Econômica

No que se refere às realizações, o Governo Costa e Silva não pode ser considerado um governo produtivo. Ele foi exercido integralmente em meio ao excesso de agitações sociais, protestos políticos e de radicalizações dos movimentos armados, assim não havia margem para um dinamismo administrativo mais acentuado. Esse quadro foi agravado pela enfermidade imprevista do Presidente dois anos após o início de seu mandato.

Enquanto o país vivia um de seus períodos políticos mais tenebrosos, o governo alcançava êxito financeiro. No campo econômico, o Governo Costa e Silva buscou aplicar uma política de desenvolvimento capaz de aproximar os setores médios do novo regime. Por isso, Costa e Silva convocou tecnocratas para assumir dois importantes postos ministeriais: Delfim Neto para o Ministério da Fazenda e Hélio Beltrão no Ministério do Planejamento.

No Governo Costa e Silva o Plano Estratégico de Desenvolvimento – PED para o período 1968 a 1970 substituiu o PAEG do Governo Castello Branco, dando continuidade ao programa de redução do déficit do setor público contraindo crédito privado e busca do controle dos gastos dos estados através de uma lei que proibiu o endividamento sem a autorização federal.

Delfim Neto embora aliado de Roberto Campos autor do PEAG apresentava um diagnóstico diferente para a inflação, considerando-a um problema de custo e não de demanda. O principal objetivo deste Governo era a retomada do crescimento por isto durante 1967 a principal preocupação de Delfim Neto foi aliviar a situação do crédito e reduzir os juros.

Foi introduzido o controle administrativo dos preços, que desembocou na criação do Conselho Interministerial de Preços – CIP, em agosto de 1968, que obrigava as maiores empresas do país a justificar os aumentos de preços. Em 1967 o Produto Interno Bruto cresceu 4,8%, reduzindo as taxas de infração.

No governo Costa e Silva, o sistema de ensino sofreu algumas modificações, foi criado pela Lei no 5.379 de 15 de dezembro de 1967 o Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL, destinado a alfabetização de adultos, e foi regulamentada a reforma universitária, pela Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. O antigo Serviço de Proteção ao Índio - SPI foi extinto e foi criada a Fundação Nacional do Índio - FUNAI, em 5 de dezembro de 1967.

Foram criadas: a Empresa Brasileira de Aeronáutica – EMBRAER; a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, vinculada ao Ministério das Comunicações e o Conselho de Pesquisa e Recursos Minerais - CPRM, ligada ao Ministério das Minas e Energia, para dinamizar a exploração das riquezas no subsolo nacional.

O Sistema Financeiro de Habitação depois de um início incerto se expandiu graças ao suporte do FGTS, em 1968 o setor de construção civil cresceu 17%. Ao mesmo tempo, os militares favoreceram os trabalhadores especializados de classe média abrindo a concessão de créditos para que essa parcela da população vivesse uma eufórica possibilidade de consumo de bens duráveis: moradia, automóveis e eletrodomésticos.

Entre 1968 e 1969 o país registrou índices de 11,2% e 10% do PIB respectivamente, o que correspondia a 8,1% e 6,8% no cálculo per capita. Houve uma forte recuperação industrial em 1968, liderada pela indústria automobilística, de produtos químicos e material elétrico.



O Ato Institucional 05


O Congresso Vazio, capa da "Revista Veja" de 18 de dezembro de 1968.

Diante das manifestações que levavam a um contexto de desordens e rebeldia, o governo radicalizou e em 13 de dezembro de 1968, com a derrota do Executivo no Congresso em relação ao caso Moreira Alves, fechou o Congresso e editou o Ato Institucional 05 - o AI-5, uma sexta-feira que marcou profundamente a história contemporânea do país. O AI-5 foi assinado no Palácio Laranjeiras no Rio de Janeiro.

O AI-5 foi a contra-reação aos acontecimentos e foi o mais autoritário de todos os Atos Adicionais. Ao anular vários dispositivos da recente Constituição de 1967, o país se transformava numa verdadeira ditadura. O Presidente passou a governar com poderes absolutos.

O AI-5 não tinha uma data para terminar e com ele ficava a disposição do Presidente: estabelecer o recesso do Congresso; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos eletivos e suspender direitos políticos dos cidadãos; aposentar, reformar e remover titulares de cargos públicos; decretar estado de sítio por qualquer prazo; confiscar bens; suspender garantias constitucionais relativas à liberdade de reunião e de associações; censurar a imprensa, a correspondência, as telecomunicações e diversões públicas.

A censura dos meios de comunicação que já era praticada foi intensificada. Foi permitido ao Ministro da Justiça intervir nas empresas jornalísticas, de radiodifusão e televisão. Vários mandatos e direitos políticos foram cassados sumariamente, incluindo aí professores, jornalistas, intelectuais e artistas. Foram ainda suspensos por dez anos os direitos políticos do ex-governador Carlos Lacerda. O judiciário teve o seu poder limitado ficando vetada a aplicação de habeas-corpus em casos de crimes políticos.

Quando o AI-5 foi promulgado ele não visava atingir um inimigo definido. O que atemorizava o Governo era a desestabilização, ele visava neutralizar a opinião pública e com ele foi efetivado um controle absoluto. Para quem falava de ditadura anteriormente, ficava patente o que era uma ditadura plena.

Durante o ano de 1969 foram editados do AI-6 até o AI-17 e a lista dos instrumentos de exceção não ficavam só nisto incluíam ainda mais de cem Atos Complementares. A Lei de Segurança Nacional tornou-se norma fundamental do sistema e sua reforma, feita através do Decreto-Lei 898 de setembro de 69 estabelecia o combate à luta armada, além de duplicar o seu número de artigos.

A repressão abateu-se sobre país, o número de pessoas que perderam seus direitos políticos foi imenso. Os serviços secretos passaram a ter uma atuação muito mais ampla. Todas estas medidas fizeram com que os opositores ficassem reduzidos a uma minoria.

As medidas eram tomadas à medida que se verificava o aumento dos focos guerrilheiros, dos seqüestros de diplomatas, dos assaltos a bancos e dos choques com guarnições militares. Durante o ano de 1969 a luta entre a esquerda radical e o Governo foi intensa.

O AI-5 promoveu uma guinada para a direita do Governo Costa e Silva, mas o presidente alimentava a expectativa de cumprir suas promessas de redemocratização e vinha trabalhando, juntamente com Pedro Aleixo, em uma minuta para um novo texto constitucional. Em decorrência do fechamento do congresso, Costa e Silva enviou o texto final da reforma constitucional ao Gabinete Civil para ser referendada.

No dia 27 de agosto, antes da aprovação dessa reforma constitucional, Costa e Silva adoeceu gravemente ficando incapacitado para o exercício do cargo. Depois de deixar o governo, Costa e Silva não mais se recuperou e veio a falecer no Rio de Janeiro, no dia 17 de dezembro de 1969.

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A Junta Militar


Junta Militar formada pelos militares: Lira Tavares; Augusto Rademaker e Márcio de Sousa e Melo, foto copiada da Revista Nosso Século – 1960-1980, Capítulo II – "Militares no Poder",
pág. 163.

No dia 27 de agosto os jornais falavam na possibilidade de reabertura do Congresso para a votação da emenda constitucional. Mas, com a doença de Costa e Silva, os militares, desrespeitando a Constituição, não entregaram o poder ao vice Pedro Aleixo que era civil e tinha se oposto a edição do AI-5.

Em 31 de agosto foi decretado o AI-12 indicando uma Junta Militar formada pelos militares: Lira Tavares Ministro do Exército, Augusto Rademaker Ministro da Marinha e Márcio de Sousa e Melo Ministro da Aeronáutica, para assumirem temporariamente o Governo do país.

A Junta Militar intensificou a repressão, no Rio de Janeiro os movimentos ALN e MR-8 seqüestraram o Embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick, para conseguir a libertação de 15 presos políticos, que deveriam ser enviados ao México. O embaixador ficou preso por três dias numa casa no Rio Comprido. O esconderijo foi descoberto pela polícia no segundo dia após o seqüestro, mas o Governo deu ordem para que a casa não fosse invadida, para não colocar em risco a vida do embaixador.

A junta militar, quase que imediatamente, outorgou o Ato Adicional 13 - AI-13, criando a pena de banimento que foi aplicada aos 15 presos libertados. Outro Ato Adicional veio logo a seguir, o AI-14, instituindo as penas de morte e de prisão perpétua para os casos de guerra revolucionária ou ações subversivas que colocassem em perigo a segurança do país.

Essas medidas foram incluídas na Emenda Constitucional no de 1 de outubro de 1969, chamada de Constituição de 1969 que ainda não havia sido referendada. Para ser possível a emenda da Constituição a Junta decretou a reabertura do Congresso, após dez meses de recesso e a reforma foi concretizada.

Até 1969 o Centro de Informações da Marinha – CENIMAR era o órgão responsável pela repressão, mas a partir daí surgiu em São Paulo a Operação Bandeirante - OBAN, vinculada ao II Exército, que passou a ser o centro das operações de repressão. A OBAN posteriormente foi substituída pelos DOI-CODI, Destacamento de Operações e Informações e do Centro de Operações de Defesa Interna, que foram instalados em vários Estados.



A Emenda Constitucional no 1 ou Constituição de 1969

A reforma de 1969, basicamente, incorporava todas as decisões impostas e constantes nos Atos Adicionais, principalmente o AI-5, tornando essas medidas, antes temporárias, definitivas. Ao governo foi concedida a prerrogativa de editar outros atos adicionais sempre que necessários.

Na Constituição de 1969 estavam previstas a pena de morte e a pena por banimento de opositores e inimigos do regime. O estado de sítio foi ampliado para cento e oitenta dias com possibilidade de prorrogação por tempo indeterminado. Os direitos políticos e constitucionais foram limitados, associações de trabalhadores e outros segmentos sociais que não estivessem de acordo com o governo ficavam proibidos, as manifestações artísticas, culturais e acadêmicas passaram a ser censuradas quando contrárias à ordem estabelecida.

Na Constituição foi estabelecida a "fidelidade partidária": os deputados passaram a ser obrigados a seguir a determinação do partido, caso não seguissem seriam expulsos. Essa medida tinha como objetivo evitar que membros da ARENA votassem contra projetos do governo.

Era proibida ainda a reeleição daqueles que houvessem exercido cargos de presidente, governador, prefeitos e dos respectivos vices, no período imediatamente anterior. Tornavam inelegíveis, também, ascendentes, descendentes e parentes colaterais, até o terceiro grau, de prefeitos, governadores e do presidente da República.

Em meados de 1969 em virtude da impossibilidade de retorno do General Costa e Silva ao governo, a junta governativa baixou o AI-16, declarando vaga a Presidência e a Vice-Presidência da República e marcando eleições indiretas para 25 de outubro de 1969.

Para a sucessão de Costa e Silva diversos nomes foram cotados, tendo destaque o do General nacionalista Albuquerque Lima, mas foi afastado por ser um General de três estrelas. Dentre os generais de quatro estrelas foi escolhido o General Emílio Garrastazu Médici e para a Vice-Presidência o Ministro da Marinha Augusto Rademaker. Em 25 de outubro com o Congresso reaberto foi aprovada sua indicação.

Médici cogitou não aceitar sua indicação, mas com a insistências dos demais generais não teve como se omitir e permaneceu no Governo até o final de seu mandato.



O Regime Militar
1964-1985
O Governo do Marechal Castello Branco - 1964-1967 O Segundo Governo Militar - 1967-1969 O Governo do General Garrastazú Médici - 1969-1974 O Governo do General Ernesto Geisel - 1974-1979 O Governo do General João Figueiredo - 1979-1985 Governos do Estado da Guanabara - 1964-1975 Administrações do Rio de Janeiro
1975-1985
Cultura no Período dos Governos Militares



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