Getúlio Vargas e o Estado Novo - 1930-1945 A Revolução de 1930 e o Início da Era Vargas O Governo Provisório - 1930-1934 O Governo Constitucional - 1934-1937 O Estado Novo - 1938-1945 A Economia na Era Vargas Política Cultural na Era Vargas Políticas Sociais e Classe Trabalhadora Governantes do Distrito Federal entre 1930 e 1945

O RIO DE JANEIRO NA REPÚBLICA DO BRASIL

GETÚLIO VARGAS E O ESTADO NOVO - 1930-1945

GOVERNANTES DO DISTRITO FEDERAL ENTRE 1930 E 1945



Durante o Governo de Getúlio Vargas, o Rio de Janeiro teve cinco Prefeitos e Interventores, que de alguma forma deixaram na cidade a sua marca, através das obras realizadas em suas gestões.

Antônio Prado Júnior - 16/11/1926 a 24/10/1930

Antônio Prado Júnior, era paulista de tradicional família, a do antigo Presidente do Estado, Conselheiro Antônio Prado, mas ao contrário do pai, apenas se dedicava à vida particular e social e não tinha experiência política, mesmo assim foi o Prefeito do Distrito Federal escolhido pelo Presidente Washington Luís Pereira de Sousa. Desta forma a gestão municipal do Distrito Federal nesta época refletia a ideologia da classe dominante, no caso a oligarquia cafeeira.

Prestigiado pelo Presidente, pode realizar uma Administração dotada de bom senso e dinamismo. Uma de suas mais notáveis iniciativas foi a de entregar a Alfred H. D. Agache, o estudo do primeiro Plano de Remodelação, Extensão e Embelezamento da Cidade, obra de um grupo de técnicos estrangeiros especializados.

Desse esforço resultou o Plano Agache, cuja projeção e importância até hoje são reconhecidos. O livro que dele resultou: Cidade do Rio de Janeiro, Remodelação, Extensão e Embelezamento, representou o primeiro estudo sério dos problemas urbanísticos da cidade, visando a orientar seu crescimento normal, sistematizando sua expansão natural, metodizando sua vida coletiva e organizando-a administrativamente para atender suas necessidades futuras.

O Plano Agache se dedicava de forma especial ao Centro da cidade, dando ênfase à engenharia urbana, ao tráfego e ao saneamento que configurava a cidade eficiente e funcional. Concebia a aglomeração urbana como um organismo humano:

"Os espaços livres, avenidas, praças e jardins são os pulmões da cidade, o sistema respiratório. O sistema circulatório é o sistema viário que reparte para todos os pontos do corpo urbano a substância necessária à vida e converge para o centro da cidade, o coração urbano. Até a própria rede de esgotos identifica-se com o aparelho digestivo. É necessário, portanto, segundo o autor, que seus órgãos estejam em estado de exercer as funções que lhes são próprias. O plano enfoca as três funções: circulação, digestão e respiração."(1)

O Plano Agache era um Plano Diretor, que apresentava o Rio de Janeiro como duas funções: político-administrativa, como capital do país e econômica, como porto e mercado comercial e industrial. Esta última que seria crescente à medida que o país se industrializasse.

O Plano Agache serviu para alertar os engenheiros e arquitetos municipais e despertar interesse nos meios profissionais pelas questões de urbanismo, alargando a visão para além dos limites dos problemas de ordem local e atraindo a atenção dos munícipes. O Plano foi concluído em outubro de 1930, mas a Revolução de 30 interrompeu sua execução e foi deixado de lado por se tratar de uma iniciativa da Velha República.

A parte mais importante do legado do Plano Agache foram os novos quarteirões erguidos na Esplanada do Castelo e na área entre o Centro Velho e o mar, na Avenida Presidente Antonio Carlos onde se situam os edifícios onde funcionaram os Ministérios até a Avenida Beira Mar passando pelas Avenidas: Presidente Wilson e Presidente Churchill. Esta área reúne até nossos dias o maior conjunto urbanístico-arquitetônico contínuo de Art-deco do Rio de Janeiro.

Outra iniciativa de importância deste governo foi a encomenda à firma inglesa, Air Craft Corporation, do levantamento aerofotogramétrico do Rio de Janeiro, trabalho que só começou a ser entregue à Prefeitura, a partir de 1930, sem que viesse beneficiar o Plano Agache e a esta administração. Este levantamento resultou a planta cadastral, feita pelo processo aerofotogramétrico que deu como resultado as plantas do Centro Comercial em escala 11:000 e as das demais regiões em escalas 12:000 e 15:000.

A Prado Júnior coube executar obras que melhoraram e embelezaram a cidade em diversos setores, como o calçamento a paralelepípedos com base de macadame e a asfalto de inúmeras ruas, inclusive da Av. Suburbana até Cascadura. A Estrada Rio-Petrópolis e a Rio-São Paulo receberam grandes melhoramentos, seguindo o lema do Presidente Washington Luís: "Governar é abrir estradas".

No Setor de Instrução Pública, inúmeras obras foram executadas tais como: a Escola Normal na Rua Mariz e Barros. A Prado Júnior se deve também a reconstrução do antigo Teatro São Pedro de Alcântara, transformado no atual Teatro João Caetano e do Pavilhão e Restaurante do Joá, na Estrada da Gávea. Deu prosseguimento ao desmonte do Morro do Castelo e sua urbanização de acordo com o Plano Agache, tendo sido pavimentadas diversas ruas e praças.

Outra sua iniciativa foi a criação da Feira de Amostras da Cidade do Rio de Janeiro, que funcionou por vários anos e terminou por transformar-se em Feira Internacional de Amostras. Essa feira foi realizada no aterrado da Ponta do Calabouço.

Em seu Governo teve que enfrentar um surto epidêmico de malária e alguns casos de febre amarela, tendo desenvolvido uma intensa campanha de "Guerra ao Mosquito". A atividade foi intensa, havendo limpeza e saneamento em córregos, rios e vales, bem como aterramento de terrenos baldios e alagadiços.

Prado Júnior deu ao Rio de Janeiro o Jardim da Praça Paris, feito em estilo francês e o antigo Jardim do Lido, onde hoje se encontra a Praça Irmãos Bernadelli, mais conhecida como Praça do Lido, em Copacabana.

O trânsito da cidade já nesta época se tornava caótico: automóveis, ônibus, motocicletas e caminhões disputavam espaço pelas ruas e era preciso disciplinar tudo isto, então surgiram os semáforos que foram motivos de muitas controvérsias.

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Adolfo Bergamini - 24/10/1930 a 21/09/1931

Vitoriosa a Revolução de 1930, com a deposição do Presidente Washington Luís, ocupou a Prefeitura o Intendente Adolfo Bergamini, que depois foi confirmado nesse cargo pelo chefe do Governo Provisório Getúlio Vargas. Partindo do princípio de que a revolução foi feita para modificar totalmente a estrutura do país e sua administração, saneando e limpando as repartições, tal como então se dizia, Bergamini mudou quase todos os diretores, chefes e subchefes e nomeou comissões de sindicância para instaurar inquéritos e apurar possíveis irregularidades de seus antecessores. Passada a fase tumultuosa pode Bergamini iniciar sua obra de Governo para a qual pouco tempo lhe restou.

Procurou dar nova organização à Prefeitura, modificando e ampliando o quadro das antigas repartições; aprovou projetos de abertura de ruas e loteamento, modificou projetos anteriores, mas com menos de um ano de Governo, foi substituído, interinamente, por seu Diretor de Obras, Coronel Julião Freire Esteves e definitivamente, pelo novo interventor Pedro Ernesto Batista.

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Pedro Ernesto Batista - 30/09/1931 a 03/04/1936

Pedro Ernesto Batista, médico, natural de Pernambuco, vivia no Rio de Janeiro, onde possuía Casa de Saúde de renome. Revolucionário de 1930, foi nomeado Interventor Federal na capital da República, em substituição a Adolfo Bergamini.

Seu período de Governo foi relativamente longo, mas não foi contínuo, pode ser subdividido em duas partes: de 1931 a 1935 foi nomeado Interventor e a partir de 1935 passou a ser Prefeito do Distrito Federal eleito indiretamente pela Câmara Municipal. Em 1935 durante alguns meses o Distrito Federal teve como Prefeito Augusto do Amaral Peixoto.

Entre os pontos altos de seu Governo destacam-se as realizações no setor de hospitais e escolas. Construiu e equipou uma rede de hospitais de cuja falta há muito se ressentia o Rio de Janeiro, e, por outro lado, dotou a cidade de numerosas escolas, atendendo à população infantil.

Teve dois grandes auxiliares para realizar esse programa: o Dr. Gastão Guimarães, na Secretaria de Saúde e Assistência e o Prof. Anísio Teixeira, na Secretaria de Educação do Distrito Federal. Entre os hospitais que construiu dois deles se destacam: o Getúlio Vargas, na Penha e o Pedro Ernesto, na Av. 28 de Setembro. Coube a Anísio Teixeira criar a Universidade do Distrito Federal da qual foi o primeiro Reitor e que mais tarde foi incorporada à Universidade do Brasil.

Em sua Administração foi revogado o Plano Agache, aceito e aprovado no Governo de Prado Júnior, mas apesar disto muito do que nele foi previsto foi construído na cidade ao longo de muitos anos, porque ele serviu de base e inspirou outros planos de desenvolvimento.

Ao Prefeito Pedro Ernesto deve-se a instituição do concurso para admissão ao Quadro de Engenheiros da Prefeitura e a criação da Revista Municipal de Engenharia, ambas sob orientação de seu Diretor de Engenharia, o Capitão Delso Mendes da Fonseca.

No Governo de Pedro Ernesto, o Rio de Janeiro passou a ter destaque no automobilismo, porque em 1933 foi realizado na cidade o "1o Prêmio Cidade do Rio de Janeiro de Automobilismo", fato que colocou o Brasil na relação dos países que participavam desta modalidade esportiva.

O circuito da cidade tinha início contornando o Morro dos Dois Irmãos, percorria a Avenida Niemeyer e a Estrada da Gávea, a Rua Marquês de São Vicente, a Praça Santos Dumont e a Avenida Visconde de Albuquerque, onde se completava no final do Leblon. Em 1933 foi vitorioso Manuel de Teffé, piloto que era atração em circuitos internacionais de automobilismo. A corrida de 1938 contou com a presença do Presidente Getúlio Vargas.

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Cônego Olímpio de Melo - 03/04/1936 a 02/07/1937

O Cônego Olímpio de Melo, Presidente da Câmara dos Vereadores, com o afastamento do Interventor Pedro Ernesto, assumiu o Governo da Prefeitura, sendo Prefeito por cerca de um ano e três meses.

A aprovação do Código de Obras do Distrito Federal foi o fecho final de seu Governo, foi assinado no penúltimo dia da sua administração, a 1o de Julho de 1937. Ao engenheiro João Gualberto Marques Porto, seu coordenador, e à equipe de engenheiros municipais, que com ele colaboraram, deve a cidade essa lei regulamentadora das construções, que serviu de modelo para diversas outras municipalidades brasileiras.

No Governo do Cônego Olímpio de Melo; várias obras foram executadas, entre elas se destaca a pavimentação em concreto da formosa Pista da Gávea, também conhecida por "Trampolim do Diabo" em virtude das dificuldades e obstáculos à corrida de automóveis, tão em moda na época. A Estrada do Joá foi igualmente concretada por sua iniciativa. A Zona suburbana e rural mereceu especial atenção do Prefeito melhorando e calçando inúmeras ruas e estradas no interior da cidade.

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Henrique de Toledo Dodsworth - 03/07/1937 a 03/11/1945

Henrique de Toledo Dodsworth, carioca de nascimento, médico, bacharel e professor, administrou o Distrito Federal durante 8 anos e 4 meses, tendo sido esse período de administração o mais longo de toda a história do Rio, no século XX.

Feliz na escolha de seus auxiliares diretos e em particular, de seu Secretário de Viação, Engenheiro Edison Passos, pode Henrique Dodsworth realizar fecunda administração, malgrado as dificuldades que lhe causou a situação política. Por sua vez, o Secretário de Viação, antigo engenheiro municipal, conhecedor dos problemas da cidade e da máquina burocrática da Prefeitura, Edison Passos soube dar notável impulso às obras públicas, úteis à cidade.

Sua mais importante obra foi a abertura da Avenida Presidente Vargas. A idéia de prolongar a Avenida do Mangue até o mar teve origem no tempo do Barão de Mauá, em 1872, quando foi executada a canalização do mangal de S. Diogo. Inúmeros obstáculos tiveram de ser vencidos para a execução da obra, entre elas, a oposição das autoridades federais, dos proprietários dos bancos atingidos ao cruzar a Zona Bancária, do comércio e das entidades religiosas.

Três igrejas tiveram de ser demolidas: a de S. Pedro dos Clérigos, na esquina da Rua São Pedro, que desapareceu com a Rua Miguel Couto; a de Bom Jesus do Calvário, na Rua General Câmara, esquina da Rua Uruguaiana e a de S. Domingos, no Largo de S. Domingos, esquina da Avenida Passos. Só a Igreja da Candelária, por sua impressionante grandiosidade e inestimável valor foi respeitada, criando-se em torno dela a Praça Pio X, resultante da passagem da Avenida em seu redor.

O apoio pessoal que o Presidente da República deu à obra foi muito importante para o Prefeito. O Banco do Brasil possibilitou o financiamento dos trabalhos, recebendo em garantia os lotes urbanizados, obrigando-se a vendê-los em hasta pública e pagar por seu valor nominal, creditando à Prefeitura o saldo alcançado, isto permitiu à Administração concluir a empreitada em pouco tempo.

Foram demolidos 525 prédios, na sua maioria na parte central enquanto nas margens eles eram em menor número. A avenida possui 2.040 m de extensão entre a Rua Visconde de ltaboraí, no atual Arsenal de Marinha até a Praça 11, continuando pela Av. do Mangue até a Praça da Bandeira alcança a extensão total de 4 quilômetros. A largura é de 80 km, da Candelária à Praça Onze e de 90 km no trecho do Canal do Mangue.

O gabarito de altura máxima aprovado para construções na nova avenida foi de 22 pavimentos, salvo na Praça Pio X, onde foi reduzido para 12, para que os prédios, com sua altura, não prejudicassem a Igreja da Candelária.

A Avenida Brasil foi outro grande empreendimento da Administração Henrique Dodsworth. Para entrar e sair do Rio, era necessário enfrentar a difícil passagem pelas ruas de subúrbios da Central e da Leopoldina. A nova rodovia foi aberta em região ainda sem construções, às margens da Baía, para que a obra fosse de mais fácil execução.

A Avenida Brasil começava na Rua São Cristóvão, junto ao cruzamento da Avenida Rio de Janeiro, prolongamento do Cais do Porto e terminava na bifurcação para a Rio-Petrópolis, próximo dos limites com o Estado do Rio de Janeiro. Tinha 15 quilômetros de extensão e largura de 60 metros, dividida em quatro pistas, separada por refúgios, as centrais formando a verdadeira estrada e as laterais que eram reservas necessárias para futuro aproveitamento.

A Avenida Brasil facilitou a ligação dos subúrbios ao Centro, primeiro os da Leopoldina, mais tarde muitos subúrbios da Central e a Zona Rural. Em torno dela foi criada uma Zona Industrial e atraídos por ela e em sua direção, desenvolveram-se os bairros da Leopoldina. Prolongando-se, mais tarde, em direção à Rodovia Presidente Dutra, a Avenida Brasil estabeleceu ligação direta com S. Paulo e o Sul do País.

Demoliu a dinamite o Teatro Cassino, obra para ele indispensável à urbanização da zona do Passeio Público e de solução para o tráfego local, que beneficiou toda a Zona Sul. Ali criou a Rua Mestre Valentim e a Avenida Luís de Vasconcelos, perpetuando o nome daqueles que, no século XVIII, haviam aterrado e saneado a Lagoa do Boqueirão e criado o belo jardim. Ao desviar os bondes, da Rua do Passeio, deu a esta a sua forma atual.

Transformou em Avenida a Rua Treze de Maio, com 30m de largura a rua já havia tido um alargamento de 6,50m para 17m na Administração Pereira Passos. Esse fato possibilitou melhorar o tráfego na região, além da dar perspectiva e maior relevo ao Teatro Municipal.

Demolindo a Imprensa Nacional, levou o Largo da Carioca, até a Avenida Almirante Barroso em um canto do qual construiu o Tabuleiro da Baiana, para onde foram desviados os bondes, até então obrigados a fazer a volta em torno do prédio do Hotel Avenida, hoje demolido e substituído pelo Edifício Avenida Central, sob o teto protetor da tradicional Galeria Cruzeiro, tão característica da cidade na época.

Havendo dado particular ênfase às atividade do Serviço Técnico do Plano da Cidade, pode o Governo valer-se do mesmo para projetar as novas obras que vieram a ser reunidas no Plano Diretor da Cidade, apresentado em 1941. Para tal fim, foi retomado, reformulado e modificado o Plano Agache para que o mesmo pudesse atender à situação existente devido às obras dos governos federal e municipal: eletrificação da Central do Brasil até os subúrbios; construção do Aeroporto Santos Dumont e a necessidade de adaptar as novas obras às novas condições da cidade.

Teve que terminar o desmonte do Morro do Castelo, inacabado, para que a grande área pudesse ser aproveitada, com benefício para a cidade e para o erário municipal. O Plano Agache, teve de ser substancialmente modificado, criando-se novas quadras de áreas abertas, em lugar das quadras com áreas centrais fechadas, do projeto primitivo, passando os edifícios, em conseqüência a ter melhor ventilação.

Foi aberta a Rua Nilo Peçanha e a Avenida Almirante Barroso, sendo que esta foi ligada à Avenida Rio Branco, após diversas demolições, entre elas a do antigo edifício da Policlínica Geral do Rio de Janeiro na esquina da Rua S. José. Desde então o Castelo e a área aterrada do Calabouço começaram a ser edificadas.

A Avenida Édison Passos também foi aberta neste Governo e veio substituir a velha estrada que dava acesso ao Alto da Boa Vista. É uma bela estrada turística, orgulho da cidade e teve seu nome dado em homenagem ao grande engenheiro que a construiu.

O Prefeito Dodsworth deu ao Dr. Raimundo de Castro Maia a missão de restaurar e remodelar a Floresta da Tijuca. Sob sua direção, foram restaurados ou reabertos muitos caminhos, estradas, casas em ruínas quase abandonadas e invadidas pelo mato. Foram reconstruídos "O Barracão", do Alto do Mesquita; a "Fazenda", no caminho de Paulo e Virgínia. A "Capela Mayrink" foi totalmente remodelada e enriquecida com um painel de Portinari. Foram, enfim, reformadas a "Gruta de Paulo e Virgínia" e as Cascatas: "Diamantina", "Violeta" e "Gabriela"; melhorados os caminhos que levam ao Pico da Tijuca, Vista do Almirante, Bico do Papagaio, Pedra do Archer e Pedra do Conde e remodelado o Açude da Solidão.

Com o congestionamento do tráfego no "Túnel Novo," o "Túnel Velho" já era então o Túnel Alaor Prata que já tinha 30 anos de inaugurado, foi feita a duplicação do Túnel do Leme, abrindo-se nova galeria, paralela e próxima à primeira, depois se transferiu o tráfego para a nova pista e foi realizada a ampliação do primeiro. A obra só foi concluída na administração posterior, pelo engenheiro João Gualberto Marques Pôrto.

Aproveitando o fato da Revolta de Outubro de 1935, haver destruído, parcialmente, o quartel existente na Praia Vermelha, a Administração Dodsworth transformou a região em logradouro de grande beleza e atração turística, reservando ao Exército, em compensação, as áreas da zona urbanizada onde seriam edificadas a Escola do Estado Maior e a Escola Técnica do Exército e mais tarde o Instituto Militar de Engenharia. Foi criada uma grande praça e um balneário ganhando a cidade uma nova praia de banhos: a Praia Vermelha.

Foi aberto entre o Morro do Cantagalo e o dos Cabritos, o Corte do Cantagalo ligando a Avenida Epitácio Pessoa na Lagoa a Copacabana. A avenida aberta, com 18 metros de largura, recebeu o nome de Avenida Henrique Dodsworth, justa homenagem a quem muito se interessou pela sua realização. Em seu Governo foi iniciada a abertura da Estrada Grajaú - Jacarepaguá.

Foi construído o jardim do canal da Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim de Alá e adquirido pela Prefeitura o Parque da Gávea, com seus 470 mil metros quadrados com lagos, gramados, um riacho e o prédio, onde foi instalado o Museu da Cidade. A Administração da Prefeitura adquiriu também a Ilha de Brocoió, toda plantada e ajardinada, que foi transformada num dos belos recantos do Rio de Janeiro.

Na Quinta da Boa Vista, surgiu o novo Jardim Zoológico da Municipalidade, inaugurado com uma das melhores coleções de aves de todo o mundo.

Dodsworth criou do Banco da Prefeitura, que depois se tornaria o Banco do Estado da Guanabara - BEG e mais tarde ainda o Banco do Estado do Rio de Janeiro - BANERJ.

 

(1) - Vera Rezende. Planejamento Urbano e Ideologia – Quatro Planos para a Cidade do Rio de Janeiro. Coleção Retratos do Brasil,
Volume 159, Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 1982, pág. 42.


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