GETÚLIO VARGAS E O ESTADO NOVO - 1930-1945
POLÍTICA CULTURAL NA ERA VARGAS
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Num período que se destacou pela crise da economia agrário-exportadora e transição para uma economia industrial, pelo declínio das oligarquias e ascensão de outras classes sociais e o fortalecimento de propostas autoritárias, em termos culturais pode-se dizer que o período foi muito rico e diversificado. O Regime varguista concebeu e organizou a cultura com os olhos voltados para as experiências européias nazi-fascistas da Alemanha e da Itália, onde a cultura era entendida como suporte da política. O processo foi acompanhado principalmente: pelo surgimento de cursos superiores; pela expansão das instituições culturais públicas e pelo surto editorial. Não se pode divorciar o processo do capitalismo da produção cultural, da mercantilização dos bens culturais. Neste período ocorreu a criação, embora incipiente de uma indústria cultural. Também não se pode dissociar o processo da burocracia que surgiu entre 1930 e 1945, do corporativismo que se impôs. As transformações culturais provocaram três movimentos do mercado de trabalho das carreiras intelectuais:
Sergio Micelli fez uma sociologia das profissões e concluiu que a maioria dos intelectuais do Estado Novo era originária de parentes pobres das oligarquias, fato que já ocorria de certa forma na República Velha. A maioria destes intelectuais se dedicava aos gêneros menores de literatura que na época era o romance. O gênero maior era a poesia. Graciliano Ramos era parente pobre de uma oligarquia. Os parentes mais prósperos e os intelectuais pertencentes a oligarquias que ainda não estavam decadentes procuravam profissões mais rentáveis como a de juristas. O mercado do livro e a formação de um grupo de romancistas profissionais tiveram seu crescimento entre os anos 30 e 40. Os editores antes eram importadores de livros, mas passaram a abrir suas editoras e editar os livros, alguns empresários de importação e de exportação também se dedicaram à abertura de editoras. Surgiram grandes Editoras como: a José Olympio do Rio de Janeiro, A Companhia Editora Nacional de São Paulo que depois se transferiu para o Rio de Janeiro, a Ariel e a Livraria Globo do Rio Grande do Sul. Monteiro Lobato fundou uma Editora e também foi sócio da Companhia Editora Nacional, ganhava dinheiro com o livro, mas não vivia de ganhar direitos autorais. Este sucesso estava ligado ao processo geral de substituição de importações não era um processo isolado e foi bastante ampliado depois da II Guerra. Este processo também foi influenciado pelo nacionalismo, que gerou certo afrouxamento dos laços de dependência cultural dando reforço à identidade nacional. Grandes quantidades de obras foram traduzidas ampliando o mercado de consumidores, que tinham mais facilidades de ler em português. Além das traduções existiam as adaptações de livros infanto-juvenis que também possuíam um grande público. Mudanças no sistema de ensino como a Reforma Capanema, novos cursos técnicos e novas disciplinas também aumentaram o mercado consumidor. O aumento dos gêneros eruditos servia para aumentar o debate sobre o tipo de Estado que se queira construir. O Romance foi uma das fontes deste debate ideológico acrescido das obras de direito. O Projeto Educativo foi baseado em dois níveis de estratégia: o do Ministério da Educação, dirigido por Gustavo Capanema, Ministro da Educação voltado para a cultura erudita e o do Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP encabeçado por Lourival Fontes, responsável por orientar as manifestações da cultura popular. O Governo de Getúlio patrocinou o cinema, a música, o teatro e as artes plásticas, mas não de maneira idêntica. Os diferentes campos artísticos foram organizados e regulamentados, como tudo no Estado Novo. Foi uma época de muito nacionalismo, com destaque para a construção da "cultura brasileira". Mesmo as pessoas que eram contra o Governo de Getúlio apoiavam suas ações em prol da cultura. No teatro já antes de 1930 se representava no Brasil, mas a partir daí ele apresentou grande progresso começando com o teatrólogo carioca Joraci Camargo que escreveu a peça Deus lhe Pague, especialmente para a interpretação do grande artista Procópio Ferreira, inspirado na história de um mendigo de São Paulo que tinha uma vida dupla sendo mendigo e também milionário. Em 1937, por sugestão de Gustavo Capanema, Getúlio criou o Serviço Nacional de Teatro – SNT, sob a direção de Abadie Faria Rosa. O principal objetivo do teatro era a diversão e o entretenimento. A primeira companhia de teatro do SNT foi a "Comédia Brasileira" estreando com Guerras de Alecrim e da Manjerona, de Antônio José da Silva com montagem de Sadi Cabral. Em 1938, Pascoal Carlos Magno fundou o Teatro do Estudante sob a direção de Itália Fausto que teve como primeira apresentação a peça Romeu e Julieta. Os autores nacionais mais apreciados foram: Joraci Camargo; Paulo Magalhães; Oduvaldo Viana; Abadie Faria Rosa; Raimundo Magalhães Júnior; Viriato Correia e Marques Porto. No início dos anos de 1940, a Companhia "Os Comediantes" criou o moderno teatro brasileiro, com a participação do polonês Zibgniew Ziembinski, que veio para o Brasil por causa da Guerra. Nelson Rodrigues se consagrou como dramaturgo com Vestido de Noiva, em 1941, encenado por esta companhia. Juntamente com mais vinte e oito atores, o papel de Alaíde foi interpretado pela atriz Evangelina Guinle da Rocha Miranda, pertencente a uma família milionária, usando o pseudônimo de Lina Gray. A indústria cinematográfica que era deficitária até 1930, com o apoio do Governo pôde equilibrar-se. Alguns cineastas queriam que o Estado fosse o grande mecenas do cinema brasileiro para que ele pudesse competir como cinema americano. Getúlio decretou, em 1932, a Lei da Obrigatoriedade da exibição de filmes nacionais. Nesta época, a produção cinematográfica brasileira concentrava-se no Rio de Janeiro, com os estúdios da Cinédia e Brasil-Vita Filmes, que em 1932 lançou sua primeira produção: Onde a Terra Acabou, adaptação do romance Senhora de José de Alencar, que foi dirigido pelo paulista Otávio Gabus Mendes e em 1934 apresentava Favela dos meus Amores que consagrou Armando Louzada que interpretava um malandro tuberculoso e o cantor Sílvio Caldas, além de introduzir no cinema o sentido popular. Na Cinédia, Humberto Mauro dirigiu Ganga Bruta em 1933 e depois A Voz do Carnaval, que inaugurou o ciclo carnavalesco da indústria cinematográfica e marcou a estréia de Carmem Miranda, no cinema, teve ainda a participação do cantor Francisco Alves. Carmem Miranda atuou também em Alô, Alô, Carnaval em 1936, tendo direção de Wallace Downey e música da Lamartine Babo, este foi o maior sucesso do cinema brasileiro na época. Em 1935 teve início a série de musicais do cinema carioca com Bonequinha de Seda, dirigido por Oduvaldo Viana, na Cinédia, com Gilda de Abreu no papel principal. Com o Estado Novo o Governo passou a financiar obras patrióticas, tendo destaque o filme O Descobrimento do Brasil de 1937 dirigido por Humberto Mauro com música de Villa-Lobos. Em 1945 a Cinédia fez uma adaptação da obra de Aluísio Azevedo: O Cortiço, dirigido por Luís de Barros, autor de dezenas de filmes como: Samba em Berlim, de 1943 e Samba na Batucada, de 1944, comédias musicais sobre a II Guerra Mundial. Coube ao Instituto Nacional de Cinema Educativo a tarefa de organizar e editar os filmes e documentários brasileiros. A Divisão de Cinema e Teatro do DIP ficou encarregada de realizar a censura prévia dos filmes e da produção do Cine Jornal Brasileiro, de exibição obrigatória. Os documentários cinematográficos mostravam as comemorações e festividades públicas, as realizações do Governo e os atos das autoridades. Havia concursos, com prêmios para os melhores documentários. A música foi outra área na qual o Governo investiu, incentivando que se fizessem letras adequadas aos valores pregados pelo regime como: exaltação do trabalho e da nacionalidade. Heitor Villa-Lobos foi a grande personalidade musical associada ao Estado Novo. Desenvolveu a educação musical artística através do canto coral popular e se tornaram famosos os seus corais reunindo milhares de pessoas cantando hinos patrióticos pelo Brasil afora. No Rio de Janeiro tinha destaque as concentrações feitas no Campo do Vasco da Gama. A pintura também foi utilizada como instrumento de formação cultural. O prédio do Ministério da Educação na Esplanada do Castelo no Rio de Janeiro, construído por ordem de Gustavo Capanema, possui esplêndidos murais de Cândido Portinari expressando a ideologia do regime: evolução econômica, a vida popular e os tipos nacionais com o gaúcho, o sertanejo e o jangadeiro. A arquitetura foi utilizada para documentar a grandiosidade do poder nos moldes da Alemanha e da Itália. Com este intuito no Rio de Janeiro foram construídos, durante os anos de 1930, vários edifícios públicos como: o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e o Ministério da Fazenda, na Esplanada do Castelo; o Ministério da Guerra e a Central do Brasil na região da Central do Brasil. Em outubro de 1931, foi inaugurada a Estátua do Cristo Redentor, no Alto do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro. A arquitetura brasileira procurou novos rumos na gestão de Gustavo Capanema, quando Lúcio Costa foi nomeado Diretor da Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, e a arquitetura deixou de ser cópia para ser criação. Em 1942, Oscar Niemeyer deu início à construção do Conjunto da Pampulha em Belo Horizonte, marco de renovação arquitetônica. No Rio de Janeiro em 1944, foi inaugurado o Aeroporto Santos Dumont e foi construído o Palácio da Cultura, onde funcionou o Ministério de Educação e Cultura, inaugurado em 1945, dois marcos importantes da arquitetura moderna da cidade. |
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Uma comparação entre a República Velha e o pós-30, pode-se mostrar que na primeira, a cultura era feita para uma clientela, a atividade intelectual dependia das oligarquias. Tinha exceções como o caso de Lima Barreto, mas eram pessoas em geral marginalizadas. Os que tinham, sucesso eram apadrinhados por grupos oligárquicos e participavam das campanhas políticas.
Depois de 30, os intelectuais eram funcionários públicos que dependiam do Estado ou do mercado cultural, eram ligados à elite burocrática. Os funcionários eram escolhidos por mecanismos de seleção, capazes de avaliar a competência através de trunfos escolares. Apesar da rede de relações sociais serem importantes a qualificação profissional passou a ser necessária e a contar cada vez mais. Ser intelectual neste período designava a pessoa que executava tarefas e funções que exigiam o intelecto. A fonte de sustentação dos intelectuais no Estado Novo era o funcionalismo público e eles trabalhavam na burocracia, enquanto que na República Velha eles trabalhavam em jornais. O período se revelou de profunda inserção do grupo social dos intelectuais na organização política e ideológica do regime. No Estado Novo havia uma política estatal de cultura, assim podemos dizer que o que diferenciava as duas fases da República era o uso que se dava aos intelectuais, no Estado Novo ele era utilizado pelo Estado e representou a sua sustentação bem como a do próprio regime. A ideologia do Estado Novo juntando o novo e nacional, a modernização e a tradição, construiu uma cultura política onde os intelectuais tiveram um papel de destaque. Neste período foi constituído um mercado de postos públicos e uma das características dele foi seu aparato burocrático. Entre 1930 e 1945 houve um aumento da Administração Direta considerável e um exemplo deste fato foi o surgimento de três Ministérios: de Educação e Saúde, de 1930, do Trabalho, Indústria e Comércio, de 1931 e da Aeronáutica, de 1941. Foram também criados organismos diretos como a Companhia Siderúrgica Nacional, o Conselho Nacional de Petróleo e o DIP e canais de interesses regionais, como o IBC e o IAA. O Estado tomava conta de diversas esferas da vida social e a burocracia civil e militar se transformou em uma classe de sustentação e legitimação do Estado pela sua lealdade. A intervenção do Estado se fez em diversas áreas, entre elas a do Conselho Federal de Serviço Público Civil que permitia a interferência no mercado de postos públicos, fosse científico, cultural ou educativo. O trabalho intelectual passou a se legitimar não por seu valor, mas pela pessoa ocupar cargos de influência, que significava uma consagração simbólica: fazer parte de um órgão público dava legitimidade às pessoas. Entre 1930 e 1945, 70% dos trinta acadêmicos que faziam parte da Academia Brasileira de Letras, eram ligadas ao Estado, incluindo Getúlio Vargas. Foi realizada a regulamentação das profissões de nível superior, seguindo o movimento do Estado para organizar as corporações. A profissão permitia que a pessoa se associasse a um sindicado e desta forma estivesse protegida pelas leis. Também foi feito o estabelecimento de faixas salariais para os portadores de diplomas universitários. A burocracia se apresentava na seguinte hierarquização:
Todas as pessoas envolvidas nesta estrutura eram movidas pelo nacionalismo, que representava o fator de unidade entre todos, porque eles tinham como prioridade criar a “cultura brasileira”, mesmo que entre eles existissem divergências políticas. |
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Ao lado da teoria do branqueamento, que só lentamente foi sendo abandonada, ganhou força, sobretudo a partir de 1930, um imaginário sobre o Brasil que afirmava a capacidade dos brasileiros de conviver e se adaptar ao meio e à variedade de raças. O Brasil passava aos poucos a ser visto como um país de raça mestiça e não branca. O mito da democracia racial de um país sem preconceito de cor, com capacidade de assimilar o "outro" apresentou-se como solução ao impasse da constituição do povo brasileiro. Nas décadas de 1930 e 1940, assim como no início do Século XX, o Rio de Janeiro se constituiu como pólo principal da construção da cultura do Estado nacional. O Rio como síntese do Brasil apareceu na música Cidade Maravilhosa, que o colocou como o "coração do Brasil". Esta música ganhou o 2o lugar no concurso de marchas de carnaval organizado pela Prefeitura do Distrito Federal em 1935 e ganhou vida longa tendo se tornado em 1960 o Hino Oficial da cidade e em 2003 num concurso realizado na TV Globo, no programa RJ TV ganhou a preferência da população carioca como a música símbolo da cidade. Villa-Lobos trabalhou com o repertório folclórico do mundo sertanejo e rural para compor grandiosas e eruditas obras da nacionalidade, com as famosas Bachianas Brasileiras e o monumental Trenzinho Caipira. À frente da Superintendência de Educação Musical e Artística, desde 1932, levou o canto orfeônico às escolas públicas do Rio de Janeiro. A literatura descobriu um Brasil que não era apenas o dos Estados mais desenvolvidos e os escritores procuraram ver o Brasil pela sua diversidade e pelos seus diferentes modos de vida. O romance A Bagaceira de José Américo de Almeida, lançado em 1938, mostrou os caminhos temáticos que a literatura brasileira estava à procura. A terra, o homem comum, a decadência da sociedade patriarcal, os problemas sociais foram os temas seguidos pelos escritores depois dos anos 30. O Quinze de Rachel de Queirós, de 1930, tinha como tema a seca nordestina, Jorge Amado em seus romances como: País do Carnaval de 1931 e Jubiabá de 1935, enfocavam a vida dos pescadores e de meninos abandonados de Salvador e os negros das terras da Bahia. Em 1932, José Lins do Rego escreveu Menino do Engenho e logo depois Bangüê de 1934 tendo como cenário os engenhos de açúcar da Paraíba. No Rio Grande do Sul, em 1932, surgiu Érico Veríssimo com Fantoches, seguido de Clarissa de 1933, Caminhos Cruzados de 1935, Um Lugar ao Sol de 1936, Olhai os Lírios do Campo de 1938 e Saga de 1940 compondo um painel da vida nas grandes cidades. Ao longo da década de 1940, Érico de desviou para a busca das raízes históricas do seu Estado natal e por este caminho escreveu a trilogia O Tempo e o Vento, que foi uma das mais importantes obras realizadas sobre o Rio Grande do Sul. Graciliano Ramos, em 1933 publicou Caetés, depois São Bernardo em 1934, Angústia em 1936 e Vidas Secas em 1938 firmando-se como um dos mais importantes escritores de sua geração, abordando a condição subumana do sertanejo nordestino, sua experiência no cárcere foi relatada em Memórias do Cárcere. Em 1935, Dionélio Machado escreveu Os Ratos narrando um dia da vida de um funcionário público, retratando as dificuldades financeiras da pequena classe média. Gilberto Freire deu prosseguimento a sua obra que já vinha do período anterior mas que foi importantíssima para a criação da nova visão do povo brasileiro. Escreveu Casa Grande e Senzala, Ordem e Progresso, Sobrados e Mucamas e Jazigos e Cova Rasa, sempre apresentando uma dualidade antagônica. Em Casa Grande e Senzala, sua mais importante obra, sistematizou a contribuição positiva do negro para a cultura brasileira, mostrando que entre a casa grande e a senzala existia um caminho de mão dupla, as duas coisas se complementavam e a distância entre elas não era tão grande como podia parecer e muito pelo contrário havia muita proximidade. Tentou dar uma explicação para o fenômeno que se via na cultura açucareira, mostrando a sociedade patriarcal na Zona da Mata do Nordeste. Gilberto foi buscar a influência das palavras, da cultura, das alimentações, dos hábitos, criando uma fusão entre a casa grande e a senzala. Os senhores de engenho criavam os filhos legítimos e os bastardos juntos, no mesmo local, com uma fusão étnica e cultural, muito maior do que a que ocorreu com o índio. Na poesia tiveram destaque: Carlos Drummond de Andrade que valorizou o cotidiano e a beleza das coisas corriqueiras; Manoel Bandeira; Murilo Mendes; Augusto Frederico Schmidt; Vinícius de Morais; Cecília Meireles; Mário Quintana e Clarice Lispector. Até 1930, a historiografia e as ciências sociais estavam dominadas pela ênfase no papel dos indivíduos e por preconceitos antropológicos como a superioridade racial do homem europeu, que foram idéias contestadas desde os anos de 1920. A Revolução de 30 deu um impulso que faltava para a cristalização de uma nova maneira de pensar o Brasil. O ano de 1933 foi decisivo com a publicação de dois livros que marcaram todas as gerações de intelectuais posteriores: Casa Grande e Senzala de Gilberto Freire e Evolução Política do Brasil de Caio Prado Júnior. A obra Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda escrita em 1936 completou o conjunto que representou uma "redescoberta" do Brasil à luz das premissas diametralmente opostas às dos pensadores da República Velha. |
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Os canais de expressão da sociedade civil foram transformados em espaço de veiculação da ideologia de Estado, assim as organizações culturais foram incorporadas pelo Governo. O rádio, o cinema educativo, o esporte, a música popular faziam parte do objetivo comum de integrar os indivíduos ao novo Estado Nacional. |
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A revolução radiofônica teve início em 1931. Até o início da década de 30, existiam 21 emissoras instaladas no país e a programação se baseava em música erudita, ópera e textos instrutivos. Em 1931, o Governo passou a se ocupar do rádio que foi definido como de "interesse nacional e de finalidade educativa", com seu funcionamento regulamentado e passando a ser vital na propagação nacional da música popular, especialmente o samba. Em 1932 foi aprovada por Decreto a veiculação de propaganda através do rádio. As rádios proliferaram, no Rio de Janeiro as principais eram: a Rádio Nacional e a Mayrink Veiga, enquanto em São Paulo, tinha a Record que enfrentava a concorrência da Educadora e da Tupy. Na equipe da Rádio Nacional trabalharam: Lamartine Babo; Almirante; Ari Barroso; Emilinha Borba; Sílvio Caldas; Vicente Celestino; Noel Rosa e o instrumentalista Eleazar de Carvalho que depois foi Regente da Orquestra Sinfônica Brasileira, entre muitos outros. No rádio despontaram grandes expressões da música brasileira: O "Rei da Voz" Francisco Alves; a "Pequena Notável" Carmem Miranda, o "Trio de Ouro" formado por Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chaves e o "Grã-fino" Mário Reis. Ari Barroso certa vez colocou um anúncio: "Precisa-se de um cantor" e apareceu procurando emprego um senhor chamado: Orlando Silva que viria a ser denominado o "Cantor das Multidões" porque arrebanhava milhares de pessoas em suas apresentações. Os programas de rádio arrebatavam o público das ruas e fazia despontar grandes animadores entre os quais os pioneiros foram: Renato Murse, que trabalhou nas mais importantes rádios do Rio de Janeiro e César Ladeira, que começou em São Paulo, mas depois se transferiu para o Rio de Janeiro. Alguns programas tornaram-se famosos, o maior deles: "Quando os ponteiros se encontram ao Meio Dia", que começava com Lúcia Helena apresentando Francisco Alves e terminava com Paulo Roberto intercalando humorismo no "Nada Além de Dois Minutos". O programa ia ao ar aos domingos do meio-dia às 21 horas, na Rádio Nacional e lá permaneceu por décadas. Havia shows que se realizavam em diferentes bairros da cidade com os cantores da emissora, as transmissões esportivas e os programas de calouros como: a "Hora do Pato" com Heber Bôscoli na Nacional; "Calouros em Desfile" com Ari Barroso na Tupy e "Papel Carbono" com Renato Murse na Rádio Club do Rio. Não faltavam os programas de humorismo: "Piadas do Manduca", "Trancredo e Trancado", "PRK30", que revelaram grandes humoristas brasileiros. Almirante a maior patente do rádio além de cantor de muitas fãs, introduziu novidades como "Caixas de Perguntas", o primeiro programa de auditório com duelos de inteligência entre os participantes. A "Hora do Brasil", ia ao ar diariamente das 19 às 20 horas como ainda hoje em cadeia nacional e era ouvido até no estrangeiro, nele podia se ouvir políticos como Oswaldo Aranha e cantores populares divulgando o folclore. Se Assis Chateaubriand com os "Diários Associados" organizou a primeira rede nacional de comunicação, com jornais e rádios como O Jornal e a rádio Tupy no Rio de Janeiro, a nível regional foi antecedido pelos jornais do Rio de Janeiro. Em 1935, O Jornal do Brasil constituía uma emissora de rádio e mais tarde O Globo assumiu o controle da Rádio Transmissora do Rio de Janeiro mantendo um contrato com a RCA Victor antiga proprietária. Mas coube à empresa do jornal A Noite responsável também pelas revistas Noite Ilustrada, Carioca e Vamos Ler a criação, em 1936, daquela que estava destinada a ser a maior lenda do rádio brasileiro: a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Em 1940, o Governo encampou a empresa A Noite, porque queria que a Rádio Nacional fosse um instrumento de afirmação do regime. Se a encampação liquidou a parte escrita da empresa para o rádio foi extremamente benéfica. Em 19 de abril de 1942, aniversário de Getúlio, foram inaugurados os novos estúdios da Rádio Nacional, no Edifício de A Noite, na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro. Gilberto de Andrade foi empossado como Diretor da emissora e em seu discurso disse: "que um de seus objetivos era transformar o rádio em veículo de difusão cultural-artística e de brasilidade. "(2) Em 1942 foi ao ar a primeira radio novela brasileira: Em Busca da Felicidade. Com o fim do Estado Novo, a experiência da emissora oficial mostrou-se em termos de programação e público, absolutamente vitoriosa. |
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"Quem é você que não sabe o que diz? / Meu Deus do céu que palpite infeliz. / Salve Estácio, Salgueiro e Mangueira, Osvaldo Cruz e Matriz, / que sempre souberam muito bem. / Que a Vila não quer abafar ninguém. / Só quer provar que faz samba também. Fazer poemas lá na Vila é um brinquedo. / Ao som do samba dança até o arvoredo. /Eu já chamei você pra ver, / você não viu porque não quis. / Quem é você que não sabe o que diz? " Palpite Infeliz de Noel Rosa composto em 1936
Em 11 de dezembro de 1910, nascia Noel Rosa em Vila Isabel, um bairro do Rio de Janeiro, de um parto difícil que lhe rendeu uma atrofia no maxilar inferior. Estudou no Colégio São Bento, tradicional colégio da cidade, onde foi colega de Lamartine Babo e Augusto Frederico Schmidt. Em 1929 criou o Bando dos Tangarás, junto com Almirante, João de Barro o famoso Braguinha, Alvinho, Carlos Braga e Henrique Brito. Também em 1929 compôs sua primeira embolada: Minha Viola e em 1930 compôs o samba: Com que Roupa?, que foi sucesso no carnaval de 1931. Outros grandes sucessos de Noel Rosa foram: Até Amanhã de 1932; O Orvalho vem Caindo de 1933; Três Apitos de 1933; Conversa de Botequim de 1935; Palpite Infeliz de 1936; Último Desejo de 1937. Compositor de grande fertilidade abordou inúmeros temas inspirando-se no cotidiano carioca, louvando intensamente o bairro em que nasceu e viveu e que em sua homenagem, até os dias atuais, têm reproduzidas as suas músicas nas calçadas do Boulevard 28 de Setembro. Trocou o dia pela noite, amando a madrugada e as mulheres, teve como grande amiga Araci de Almeida, que interpretava suas composições e com quem saía pelos botecos pala madrugada. Compôs ao todo 212 peças musicais e muitas delas verdadeiras obras primas da música popular brasileira. Sua vida de boêmio fez com que ficasse turbeculoso e o grande poeta da Vila Isabel morreu em 1937, antes de completar 27 anos. Na época de Noel Rosa, a Lapa, bairro próximo do centro do Rio de Janeiro era o local de encontro de intelectuais e artistas. Como não podia deixar de ser era freqüentado por Noel Rosa e também por: Agildo Barata; San Tiago Dantas; Plínio Salgado, Jorge Amado; Cândido Portinari; Villa-Lobos; Sérgio Buarque de Holanda; Mário de Andrade e Rubem Braga. No Beco das Carmelitas morou Manuel Bandeira. Na Lapa também teve destaque João Francisco dos Santos, mais conhecido por Madame Satã, um homossexual respeitado e temido, que foi uma figura tradicional do bairro. Outro freqüentador famoso dos cabarés da Lapa foi Alfredo da Rocha Vianna Filho – o Pixinguinha, músico profissional e flautista exímio, que já havia composto em 1928, aquele que foi o mais conhecido samba-choro brasileiro – Carinhoso, junto com João de Barros, mas que só foi gravado em 1930. A Lapa foi na época o grande ponto de boemia carioca. Em 1937 a Polícia do Estado Novo fechou os cabarés da Lapa porque o Governo queria exterminar a prostituição na Capital Federal. Depois da II Guerra o bairro foi invadido por marinheiros americanos que lá iam gastar os seus dólares e a Lapa deixou de ser a "Montmartre Carioca", lembrando o famoso local de boemia parisiense. |
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Até 1933, o carnaval das classes baixas era severamente controlado e a polícia não concedia licença para o desfile das Escolas de Samba, os ranchos, sim, tinham permissão e era através deles que os sambistas cariocas se destacavam. Em 1933, Getúlio Vargas modificou esta situação através do intervencionismo estatal e passou a promover o que a cronista Eneida da Costa Morais chamou de: alegria dirigida, porque surgiu na cidade o carnaval oficializado.(3) Foram criados Departamentos de Turismo nos Estados que passaram a atuar na organização do carnaval. A Prefeitura, pela sua Comissão de Turismo traçava programas para os festejos que ia desde as batalhas de confete nas ruas, aos banhos de mar à fantasia, desfile de ranchos, blocos e grandes sociedades, corsos e bailes. Nesta época foi criado o Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, nota alta para a grã-finagem, mas em todos os clubes das cidades e nos cassinos como o da Urca, eram realizados bailes de carnaval. No final da década de 20 nasceram, no Rio de Janeiro, as Escolas de Samba em geral provenientes da reunião de blocos carnavalescos. A primeira delas foi a "Deixa Falar" do bairro do Estácio, surgido da idéia de um grupo que se reunia para beber e compor músicas num botequim que ficava em frente à Escola Normal e Ismael Silva, expoente da música popular sugeriu que aquele grupo era composto de "professores", portanto eram membros de uma escola de samba.(4) Logo depois surgiram várias outras como a "Estação Primeira da Mangueira" criada por iniciativa do compositor Cartola – Agenor de Oliveira, em 1929, havia também uma escola no Morro do Salgueiro, a "Escola Azul e Branca", mas no início todas tinham grande respeito pelo pessoal do Estácio. Só em 1932 teve início os desfiles das escolas na Praça Onze, neste ano a "Deixa Falar" apresentou como enredo a Revolução de 30 e a vencedora do concurso foi a "Mangueira". Em maio de 1935 nasceu a "Escola de Samba Portela" em Osvaldo Cruz, organizada a partir do Bloco "Vai como Pode", contava com nomes como o de Paulo Benjamim de Oliveira – Paulo da Portela, Heitor dos Prazeres e Manoel Gonçalves, nascendo a partir daí a grande rivalidade Mangueira/Portela. Em 1936, o Interventor Pedro Ernesto foi homenageado por 30 escolas, ao inaugurar um grupo escolar na Mangueira e em 1937, Getúlio Vargas determinou que as escolas dessem caráter didático aos samba-enredos. A década de 30 foi a época de ouro da música carnavalesca. Os bailes carnavalescos eram animados por orquestras que tocavam as músicas que eram feitas especialmente para o carnaval, muitas delas conhecidas e cantadas até os dias de hoje, como: Com que Roupa de Noel Rosa de 1931; Teu Cabelo não Nega de Lamartine Babo e irmãos Valença de 1932; Linda Morena de Lamartine Babo de 1933; Cidade Maravilhosa de André Filho de 1935, que acabou virando hino oficial da cidade; Pierrô Apaixonado de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres de 1936; Mamãe, Eu Quero de Vicente Paiva e Jararaca de 1937; Pastorinhas de João de Barros e Noel Rosa de 1938; Camisa Listrada de Assis Valente de 1938; Ai que Saudades da Amélia de Ataulfo Alves e Mário Lago de 1942; Atire a Primeira Pedra de Ataulfo Alves e Mario Lago de 1944. No Recife a cidadela inexpugnável do frevo era sucesso o eterno Vassourinhas de autor desconhecido, Manda Embora essa Tristeza de Capiba de 1936 ou o maracatu É de Tororó também de Capiba junto com Ascenso Ferreira de 1933. No Rio de Janeiro havia o tradicional desfile das Sociedades Carnavalescas tendo à frente: os Tenentes do Diabo de 1855; os Democráticos de 1867; os Fenianos de 1896 os Pierrôs da Caverna de 1925. Em 1932 Pedro Ernesto baixou um decreto pelo qual o Clube dos Fenianos tornava-se de utilidade pública e em 1936 eles desfilaram com o enredo "O Estado Novo". Para coroar os três dias de total loucura, os jornalistas de A Noite, no Rio de Janeiro, criaram em 1933, a nobre e rotunda figura do Rei Momo, neste ano representado por um boneco de papelão com uma coroa de lata, mas no ano seguinte foi escolhido um Rei Momo de carne, osso e muita gordura, que no sábado de carnaval recebeu as chaves da cidade das mãos do Comandante Amaral Peixoto então Secretário de Pedro Ernesto. A partir de 1935 começaram a surgir os blocos das repartições públicas, como: dos Correios e Telégrafos; do Arsenal de Marinha e da Prefeitura do Rio de Janeiro. O mesmo aconteceu em São Paulo, Salvador, Recife e outras capitais. Os concursos de Escolas de Samba, a partir de 1935 passaram a ser subvencionado pelo Governo de Vargas. Em 1942, a Praça Onze foi demolida para dar passagem à Avenida Presidente Vargas e os desfiles foram transferidos para a Avenida Rio Branco. |
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Introduzido no Brasil pelos ingleses, até o final dos anos 20, o "foot ball" era um esporte de elite praticado em clubes elegantes primeiramente de São Paulo e depois do Rio de Janeiro. Em 1921 o Presidente da República Epitácio Pessoa opusera-se à presença de "cidadãos de cor" na seleção. Aos poucos o "foot ball" foi crescendo na aceitação popular e se mostrou um esporte e um divertimento saudável, mas como a plebe não podia participar dele, foram criadas torcidas para, pelo menos poder assistir a ele. O primeiro clube a ter "foot ball" no Rio de Janeiro foi o Fluminense Football Club fundado em 1902 com jovens da alta burguesia, depois outros se sucederam como o Botafogo Football Club e o América. O Bangu foi criado para diversão dos ingleses que trabalhavam na fábrica de tecidos do subúrbio carioca de Bangu, mas aos poucos a ele aderiram também os operários da fábrica. Na década de 30, no entanto, o "foot ball" já se constituía um esporte de massas através das torcidas cada vez maiores e em 1932, uma equipe com muitos negros, entre os quais Leônidas da Silva e Domingos da Guia, bateu a seleção uruguaia, campeã da 1a Copa do Mundo realizada em 1930, por 2X1 no Estádio do Centenário em Montevidéu. O Brasil iniciava sua trajetória de sucessos no esporte que se tornaria a grande paixão brasileira.
Os estádios começaram a ser construídos para abrigar os grandes clássicos e as grandes torcidas, em 1933, o Palestra Itália hoje Palmeiras de São Paulo reformou o Parque Antártica adquirido em 1920. No Rio de Janeiro o maior estádio era o de São Januário pertencente ao Vasco da Gama, construído em 1927 e que depois foi também o teatro dos comícios de Getúlio Vargas nos 1os de maio do Estado Novo, nas comemorações do Dia do Trabalho e outras. Em 1936 começou a ser construído em São Paulo o Estádio Municipal do Pacaembu para 60.000 expectadores, mas que só foi inaugurado em 1941. Em todos os Estados, no período entre 1930 e 1945 tiveram início os campeonatos locais. Em 1933, o Fluminense do Rio de Janeiro organizou uma campanha para formar a Liga Carioca de Futebol, que se definiu pelo profissionalismo, logo depois os paulistas seguiram o mesmo exemplo e fundaram a Associação Paulista de Esportes Atléticos. Como a Confederação Brasileira de Desportos – CBD fundada em 1914 defendia o amadorismo, São Paulo e Rio de Janeiro formaram a Federação Brasileira de Futebol partidária do profissionalismo, mas em 1937 as duas se juntaram para formar a nova CBD. A 1a Copa do Mundo foi disputada no Uruguai e foi vencida pelo anfitrião, em 1934 a Copa foi na Itália e em 1938 na França, depois foi interrompida por causa da II Guerra, voltando a ser disputado em 1946. Além da Copa do Mundo, o Brasil participava da Taça Rio Branco disputada com o Uruguai, a Copa Roca na Argentina e o Campeonato Sul-Americano. Este torneio consagrou a rivalidade entre brasileiros e argentinos no futebol com a supremacia platina que duraria décadas. Houve uma época ao final da década de 1930 e início de 1940 que o Brasil possuía três celebridades: o "Pai dos Pobres" – Getúlio Vargas; Leônidas da Silva – o "Diamante Negro" e Orlando Silva – o "Cantor das Multidões". |
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(1) - Maria Helena Capelato. "O Estado Novo: O que trouxe de novo?" in FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucília de Almeida Neves. Organizadores. O Brasil Republicano – O Tempo do Nacional Estatismo do Início da Década de 1930 ao Apogeu do Estado Novo. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2003, pág. 125. (2) - Nélio Reis. O Dia do Presidente e os novos Estúdios da Rádio Nacional. Jornal A Manhã, Rio de Janeiro, 19/04/1942, pág. 5 in VELLOSO. Monica Pimenta. "Os Intelectuais e a Política Cultural do Estado Novo" in FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucília de Almeida Neves. Organizadores. O Brasil Republicano – O Tempo do Nacional Estatismo do Início da Década de 1930 ao Apogeu do Estado Novo. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2003, pág. 159. (3) - Eneida da Costa de Morais. História do Carnaval Carioca. Rio de Janeiro, 1958, pág. 232 in Nosso Século – 1930-1945. Editora Abril, pág. 139. (4) - Sérgio Cabral. As Escolas de Samba. Fontana, Rio de Janeiro, 1974, pág. 23. |
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