Os Impérios O Primeiro Império
D. Pedro I -
1822 a 1831
O Segundo Império -
O Período das Regências
Trinas - 1831-1835
O Segundo Império -
O Período das Regências Unas
1835-1840
O Segundo Império -
D. Pedro II - 1840-1889

O SEGUNDO IMPÉRIO

D. PEDRO II - 1840 a 1889



Características do Governo de D. Pedro II

Em 23 de julho de 1840, perante as Câmaras reunidas, D. Pedro de Alcântara foi declarado maior, prestou juramento e foi investido do poder, começando a exercer suas funções constitucionais. Estava terminado o Período Regencial e tinha início o Segundo Reinado.

Com a maioridade de D. Pedro, os liberais que tinham sido os articuladores do projeto assumiram o Primeiro Ministério de D. Pedro II. Liberais e Conservadores, ou como eram mais conhecidos: "luzias" e "saquaremas", tinham uma origem comum, ambos eram originários da facção Liberal Moderada da época da Regência que se dividiu em progressistas e regressistas.

Nenhum dos dois aceitava a vontade popular para obter um governo representativo, predominando sempre uma política clientelista de reforço às estruturas do poder. O espírito camaleônico dos membros dos dois partidos deu origem à expressão de Holanda Cavalcanti, político pernambucano: "Nada mais parecido com um saquarema do que um luzia no poder".

"Saquarema" era a denominação dos conservadores porque era o nome de um Município fluminense onde um dos seus líderes, o Visconde de Itaboraí, tinha uma fazenda onde o grupo se reunia. Este grupo era favorável à centralização do poder. "Luzia" era a denominação dos liberais, em alusão a uma vila de Minas, Santa Luzia, onde ocorreu a sua maior derrota nas revoltas de 1842. Este grupo defendia a Monarquia Federativa, opondo-se ao Poder Moderador e ao Senado vitalício, que era dominado pelos conservadores.

O Primeiro Ministério era frágil politicamente e apoiou-se no Monarca para fortalecer seus partidários, distribuindo títulos e nomeações e ainda encontrou dificuldades para acabar com a Revolta Farroupilha, no Rio Grande do Sul, que já era remanescente do Período Regencial, por isto teve pouca duração. Foi substituído por um Gabinete Conservador em 1841, que aproveitou a maioria que ainda tinha nas Câmaras e conseguiu aprovar a volta do Conselho de Estado e a reforma do Código de Processo Criminal que ainda era de 1832, para dar ao Ministro da Justiça a centralização dos poderes policiais das Províncias.

O Conselho de Estado era composto de representantes das principais tendências políticas e se constituia num grupo que refletia o pensamento da elite política imperial, de certa forma tutelando o jovem Imperador e também preservando sua imagem, deixando que se apresentasse como um moderador e fator de equilíbrio do Império.

Em maio de 1842, antes que tomasse posse a nova legislatura, recém eleita e de maioria progressista, D. Pedro II dissolveu-a seguindo instruções do Ministério e do Conselho de Estado e para atingir os farroupilhas proibiu o comércio de mulas e cavalos do Rio Grande prejudicando o interesse dos paulistas que comercializavam os animais. Esta dissolução provocou as Revoltas Liberais de 1842.

Apesar de derrotados, os liberais vieram a formar um novo Ministério em 1844 e governaram até 1848 adotando medidas defendidas pelos conservadores. Mas foram os conservadores que mais governaram o Império, embora em 1853 tenha sido formado um Gabinete de Conciliação que incluía liberais e conservadores sob a liderança do Marquês do Paraná - Honório Hermeto Carneiro Leão. Começaria então um período de paz interna e prosperidade econômica e cultural que Capistrano de Abreu denominou de "o apogeu do fulgor imperial".

O período de radicalismo teve seu fim com a derrota dos Farroupilhas, depois que Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias foi nomeado, em 1842, para Comandante das Armas do Rio Grande do Sul. Em 1845 foi concedida anistia ampla aos combatentes e os militares sulinos foram incorporados ao Exército do Império. Teve também fim a Revolta Praieira, de Pernambuco, em 1848, nome derivado do fato de um jornal liberal ter sua sede na Rua da Praia, no Recife.

Após a anistia aos farrapos, o Imperador foi recebido com entusiasmo pelos gaúchos. As ações de Caxias, assimilavam a presença de um instrumento de força capaz de permitir o exercício da autoridade central, simbolizando a unidade como era entendida pela classe dominante. Representava alterações que estavam sendo processadas como: a criação de um poder militar central; redução dos poderes regionais; eliminação dos mercenários e transferência para as forças terrestres de funções antes exercidas por forças navais.

A Revolta Praieira foi a última das rebeliões provinciais e marcou o fim do ciclo revolucionário em Pernambuco, com a integração da Província à ordem imperial. A partir daí, com o poder centralizado no Rio de Janeiro, o jogo político passaria a ser disputado entre os dois partidos no Parlamento, como canais para os interesses das elites, tendo como árbitro o Imperador, através do Poder Moderador. Nas Províncias, as facções locais não desapareceram mas agruparam-se de acordo com as diretrizes da Corte, para que pudessem ser alvo dos favores clientelísticos do Ministério que ocupava o poder.

O Regime Parlamentarista implantado com o Segundo Reinado teve desta forma um papel fundamental na estabilidade política. Mas este Parlamentarismo era diferente de sua forma clássica, em que o Rei exerce um papel decorativo e quem governa é o Primeiro Ministro eleito pelo Parlamento, porque no Brasil, o Imperador podia nomear e demitir o Ministério e a máquina do governo era utilizada para garantir a eleição dos governistas favoráveis ao Gabinete no poder. Como nas eleições o peso do Governo era muito grande, o Imperador conseguia eleger a Câmara que se harmonizava com o Gabinete por ele preferido.

A partir de 1847, o Parlamentarismo, com o Presidente do Conselho de Ministros sendo nomeado pelo Imperador se impôs. Durante o Segundo Reinado houve trinta e seis Gabinetes, permanecendo em média um ano e três meses para cada um governar. Isto poderia sugerir uma instabilidade política, mas isto não ocorria devido a um sistema flexível de rodízio que permitia que o partido de oposição assumisse o Governo sem traumas e rupturas, dando continuidade ao Governo anterior. No Brasil, o Rei reinava, governava e administrava, controlando o Estado em ordem de acordo com os interesses das elites.

Mantendo esta forma de governo, o Império teve sua melhor época entre 1850 e 1870, fase que teve como características: os debates serem circunscritos ao Parlamento; a lavoura cafeeira em expansão permitir o crescimento da economia e o trabalho escravo sustentar a estabilidade desejada pelas elites.

A partir de 1870, com as dificuldades financeiras provenientes da Guerra do Paraguai, travada entre 1864 e 1870 e com o problema da escravidão, que se tornou insustentável, os conservadores quiseram aumentar seu espaço e com isto dificultaram a Política de Conciliação, fazendo surgir o Partido Liberal Radical que depois deu origem ao Partido Republicano, que pôs fim às conciliações das elites imperiais e deu início à crise da Monarquia.

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O Desenvolvimento Cultural do Segundo Império

O Desenvolvimento Literário

A explosão cultural do Segundo Reinado foi feita à imagem e semelhança do seu mecenas. Tranqüilizado pela bonança política resultante da conciliação e entusiasmo com a boa situação econômica trazida pelo café, D. Pedro II decidiu investir na cultura. Por ser um processo incentivado pelo próprio Imperador, o movimento cultural se engajou numa "redescoberta" da Nação Brasileira idealizado pelo Monarca. Os historiadores, pintores e literatos cultuaram o monumentalismo do Brasil, seguindo o enfoque do Romantismo.

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado pelo Regente Araújo Lima, contou com o total apoio do Imperador, que chegou a presidir mais de 500 de suas sessões. O Instituto se manifestava de acordo com o nacionalismo conservador que marcou o apogeu do Império escravagista.

Dois fatos foram marcantes para a história do IHGB: sua Revista, onde eram publicados importantes artigos sobre a História do país, contando com a participação dos mais importantes historiadores e diplomatas da época e que deixou um acervo importantíssimo de fontes para os futuros historiadores e a monumental obra de Francisco Adolfo de Varnhagen, que foi publicada em 1854, que foi a primeira obra da historiografia brasileira: História Geral do Brasil, que apesar dos preconceitos e de refletir a construção de um Brasil de civilização branca, ainda hoje é a mais completa crônica documental da colônia.

D. Pedro mandou para Portugal bolsistas para que estudassem e copiassem documentos da Torre do Tombo, em Lisboa, entre eles Varnhagen.

A produção literária brasileira, inspirada no Romantismo, em voga na Europa e que repudiava os modelos estéticos clássicos, teve no período entre 1837 e 1869 a sua fase áurea com a literatura romântica indianista. O Romantismo surgiu no Brasil, em 1836, com o lançamento da Revista Niterói, fundada em Paris por Gonçalves de Magalhães e seus colegas.

O movimento ficou conhecido no Brasil como Indianismo e teve entre seus maiores expoentes: o poeta Gonçalves Dias, autor de I Juca Pirama, que via no massacre dos índios a metáfora de uma sociedade ainda sufocada pelos tentáculos da Metrópole e o romancista José de Alencar, com O Guarani e Iracema, que mitificava a nova sociedade brasileira, apresentava o índio como o bom selvagem, belo, forte, livre e plenamente subserviente ao branco.

Fagundes Varela foi o primeiro a tratar do tema do negro em Mauro, o Negro, em seguida Castro Alves ficou famoso com suas poesias a favor de causas sociais e políticas, destacando-se: o Navio Negreiro e Vozes d'África.

A novidade da ficção foi o romance folhetinesco, que misturava digressões ao relato de acontecimentos, com humor e crítica social. Nele tiveram destaque: Joaquim Manuel de Macedo com A Moreninha e Manuel Antonio de Almeida, em Memórias de um Sargento de Milícias, que deu ao romance um cunho social.

Ao final do século XIX o Realismo suplantou o Romantismo na Europa, com a ascensão da burguesia ao topo econômico e a denúncia das mazelas cotidianas substituindo o sentimentalismo. No Brasil teve destaque o Naturalismo, uma manifestação mais radical do Realismo, com destaque para Aluísio Azevedo em suas obras: O Mulato e O Cortiço.

Na poesia, a oposição ao Romantismo se deu com o Parnasianismo, que pôs fim à espontaneidade da criação, com a utilização das "rimas ricas" e "fechos de ouro", provocando o afastamento dos temas sociais. Suas figuras mais expressivas foram: Olavo Bilac e Alberto de Oliveira.

O maior escritor brasileiro, no entanto foi sem dúvida Machado de Assis, mulato, funcionário público, retratou com ironia e mordacidade a situação da época, o declínio dos valores, sem nunca deixar de usar a elegância. Deixou uma imensa coleção de obras entre as quais podemos destacar: Dom Casmurro; Quincas Borba e Memórias Póstumas de Brás Cubas.

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O Desenvolvimento Pictórico e Musical

A Academia Imperial de Belas Artes desempenhou o papel pictórico no projeto de monumentalização dos fatos históricos do Brasil. Criada em 1816, pela Missão Francesa, a academia sempre foi caracterizada por seguir o neoclassicismo, tendo se fechado às mudanças artísticas provenientes da Europa.

D. Pedro II adorava a pintura neoclássica, entre 1850 e 1880, muitos dos principais pintores ganharam bolsas para estudar em Paris e na Itália. A condição para isto no entanto parecia ser ficar hostil às novas diretrizes da arte, afastando-se do realismo de Coubert, do romantismo de Dalacroix e do paisagismo de Corot.

O resultado foi que pintores como Pedro Américo e Vítor Meireles, especialistas em pinturas históricas e sacras, e outros expoentes de sua época produziram obras clássicas e laboriosas, mas de um alheamento gélido. Pedro Américo e Vitor Meireles fizeram escola e definiram as novas feições da nação.

Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843-1905) começou a pintar desde pequeno, em 1859 já estava em Paris, estudou filosofia e literatura e doutorou-se em física, mas foi em Florença que fez fama, apresentando as telas: A Batalha do Avaí, em 1877 e O Grito do Ipiranga, em 1888, ambas feitas sob encomenda do Governo brasileiro.

Quando estava em Paris conheceu Vítor Meireles de Lima (1832-1903), que também era bolsista na França. Meireles pintou: A Primeira Missa no Brasil, em 1861, e depois: A Batalha Naval do Riachuelo e Passagem de Humaitá. Em 1875 foi acusado de plágio ao apresentar A Batalha dos Guararapes, considerada cópia de A Batalha do Avaí, que Pedro Américo pintara em 1872. Duramente criticado deixou a pintura e dedicou-se à cátedra.

Lecionando, Vítor Meireles foi o mestre da geração que deu continuidade à representação visual da História do Brasil: Henrique Bernadelli autor de Proclamação da República; Antônio Parreiras autor de A Prisão de Tiradentes; José Maria de Medeiros autor de Iracema e Rodolfo de Amoedo autor de O Último Tamoio.

Os índios eram representados pelos pintores com a visão eurocêntrica do homem natural e índio bom era o índio morto, quanto aos negros permaneceram banidos das artes brasileiras até 1892, quando o pintor espanhol Modesto Brocos y Gómez pintou um negro no quadro: O Engenho.

Entre os discípulos de Meireles surgiram dois grandes inovadores da arte no Brasil: Elyseo Visconti (1866-1944), fundador do paisagismo autenticamente brasileiro, que pintou a cúpula do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e Almeida Júnior (1850-1899) que fez eclodir o homem do campo com: O Caipira Picando Fumo, que apresentava um lirismo original.

Estes foram os homens que através da pintura fizeram a memória visual da História do Brasil.

A música teve sua maior expressão em Antonio Carlos Gomes, que também foi bolsista do Imperador e estudou música na Europa. Em 19 de março de 1870, no Teatro Scala de Milão, com um cenário monumental, estreava sua versão musical do romantismo indianista: a Ópera O Guarani, que embora sendo a mais famosa não é a sua melhor obra, que é A Fosca, escrita em 1873. Escreveu também O Escravo, ópera que é ambientalizada na cidade do Rio de Janeiro.

Em 1889, Carlos Gomes recusou-se a atender ao pedido do Marechal Deodoro da Fonseca para compor o Hino da República e por esta ousadia pagou caro, morreu no esquecimento, em 1896.

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Cultura Popular no Rio de Janeiro

A população urbana que não pertencia à elite imperial também tinha prazer em escutar música e dançar. A diferença era que eles ouviam os "chorões", conjuntos de cordas formados por funcionários públicos. A dança predileta do povo era o maxixe, uma adaptação da polca e da mazurca, incorporando requebros mais ousados.

O Carnaval promovia, nas ruas, o encontro da elite e do povo. As famílias abastadas desfilavam em carros abertos e iam aos bailes de máscara, as camadas mais pobres realizavam o "entrudo", que tinha origem portuguesa. A intelectualidade, como forma alegórica de propaganda política, fundou as grandes sociedades carnavalescas, que em corso transmitiam sua mensagem aos espectadores. Em 1850, foi formada a Sumidades Carnavalescas; em 1858 os Tenentes do Diabo e em 1867, os Fenianos e os Democráticos. D. Pedro II apreciava assistir ao desfile das grandes sociedades.

Outra forma de diversão popular ficava a cargo das festas religiosas como a da Igreja da Penha no Bairro da Penha e a de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, localizada na Rua Uruguaiana.

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Sociedade do Rio de Janeiro no Segundo Império

No Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX, houve um processo e dissolução do escravagismo que antecedeu à Abolição, porque ao mesmo tempo em que o crescimento da cidade gerou uma escala de abastecimento interna criou também o espaço para o trabalho livre.

Nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, nesta época, os escravos desempenhavam diversas funções, como: artífices de qualquer produto que não fosse importado; eram carregadores, transportadores de carga e vendedores e as escravas muitas vezes vendiam seus quitutes ou eram prostitutas. Na estiva e nos armazéns portuários trabalhavam libertos e imigrantes. Os escravos viviam como domésticos, alugados por seus senhores ou como escravos de ganho e concentravam-se nos chafarizes, nos "Cantos de Nações" e nos cortiços, que começaram a ser proibidos em 1876. Muitos eram empregados nas manufaturas pioneiras. O trabalho manual era identificado com a escravidão e rejeitado pelos homens livres.

Com o crescimento urbano, era comum ver os cativos oferecendo seus serviços. Parte da renda obtida destinava-se ao seu sustento e o restante era entregue aos seus senhores no final do dia ou semanalmente. Os proprietários não se preocupavam com a forma pela qual eles obtinham o dinheiro, por isto era comum ocorrerem roubos cometidos por escravos de ganho para poderem completar a quantia estipulada pelo seu senhor.

Diferente das áreas rurais, o escravo na cidade tinha uma certa autonomia, porque estava distante do controle do senhor. Nas cidades os escravos se confundiam com os libertos, devido a isto as atividades urbanas tinham papel significativo para eles. As cidades funcionavam como verdadeiro esconderijo, principalmente o Rio de Janeiro, porque a quantidade de escravos era muito grande. Apesar de suas características, a escravidão urbana não deixava de conviver com a violência do senhor e com a resistência do escravo.

Na arqueologia da favela está o quilombo, que se articulava de alguma forma com o espaço urbano. Existiam quilombos nas fronteiras da cidade, como por exemplo o da Serrinha, que permitiam aos quilombados ganharem a vida, indistintamente dos libertos e dos escravos de ganho urbano.

O Rio de Janeiro não industrializado foi o espaço dos empalhadores, dos lustradores, dos reparadores de eletrodomésticos, dos tropeiros e de tudo aquilo que João do Rio denominou de "profissões ignoradas" da miséria, que tinham como oficinas as ruas.

A dissolução do escravagismo, no entanto, não constituiu um mercado de trabalho capitalista. Os prestadores de serviço ganhavam pouco e eram pressionados pela massa de homens livres e pobres da cidade.

O Rio de Janeiro foi o laboratório urbano do Brasil no século XIX, com sua elite incorporando, devido à sua superestrutura, padrões modernos de consumo. Em 1872, com a implantação do sistema métrico houve uma revolta que foi denominada de "Quebra quilos", porque o povo suspeitava que se tratava apenas de mais uma forma de astúcia dos comerciantes para ampliar seus lucros.

Uma das diversões da cidade foi o teatro já existente desde 1813, com a criação do Real Teatro São João, rebatizado de São Pedro de Alcântara, em 1826, e arrendado, em 1838, por João Caetano. Em 1871, foi inaugurado o Teatro Imperial D. Pedro II, que teve em sua abertura um baile de máscaras, ele ficava na Rua da Guarda Velha, na região onde hoje fica a Rua 13 de Maio e nele eram apresentadas as óperas, muito ao gosto da Corte, por isto ficou conhecido como Teatro Lírico. Com a inauguração do Teatro Municipal, em 1909, ele ficou relegado ao segundo plano e acabou por ser demolido em 1934.

O gosto pelas variedades circenses foi paralelo ao teatro. Desde os meados do século a cidade já possuía o Café-concerto Alcazar que inspirou a abertura de outros semelhantes e também de casas de jogo, que deixavam a polícia preocupada pela multiplicação de casas clandestinas e pelas fraudes que nelas ocorriam habitualmente. Em meados do século existiam na cidade seis famosos salões de bailes. No Teatro São Pedro, em 1854, podiam dançar 5.000 pessoas. Em 1868 existiam no Rio de Janeiro mais de quatorze sociedades recreativas.

No Hotel Pharoux funcionou o primeiro restaurante sofisticado do Rio de Janeiro que ganhou fama pela excelência de sua cozinha francesa, incluindo os bons vinhos franceses. O costume de comer fora de casa evoluiu lentamente na cidade. As confeitarias prosperavam, sendo a Pascoal a referência no final do século. A Casa Jacó, a partir de 1887, passou a produzir na Rua da Assembléia, o que viria a ser uma grande paixão do Rio: o primeiro Chope do Brasil.

Desde 1868 foi organizado o Jockey Club do Hipódromo Fluminense, pelo Major Suckow, onde hoje fica o Estádio do Maracanã. Antes já eram promovidas corridas na Praia de Botafogo.

O remo já era praticado no Rio de Janeiro desde o início do século, mas a paixão pelo esporte fez surgir, ao final do século diversos clubes como: Fluminense; São Cristóvão; Flamengo e Vasco da Gama, que eram agremiações de amadores mobilizados para as regatas. A partir de 1852 começaram a ser praticadas competições na Praia de Botafogo.

Próximo à Praça XV, em 1880, existiu um palácio flutuante, com tanques para banhos de mar como prescrição médica, com o objetivo de se ficar ao sol. A aproximação das elites com as praias foi feita de forma lenta e tímida, mas ao final do século já existiam casas organizadas para banho de mar. Em 1892 com a abertura do Túnel Velho, ligando Botafogo a Copacabana, foi desenvolvido o hábito de se fazer piquenique em Copacabana, nascia modestamente a maior cidade balneária do mundo.



O Segundo Império - D. Pedro II
1840 a 1889
O Apogeu do Império
1850-1870
A Crise do Império
1870-1889
O Fim do Império e a
Proclamação da República
A Urbanização Acelerada
do Rio de Janeiro



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