História do Bairro - Glória

A história da Glória remonta ao tempo em que, em que no século XVI, em torno do Outeiro, portugueses, franceses e índios lutavam pela posse das terras que então formavam a "França Antártica", foi aí que Estácio de Sá foi flechado em batalha, da mesma forma que São Sebastião, o padroeiro da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, que ele havia fundado em 1565. No Outeiro foi construída uma capela como ex-voto, onde hoje encontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

No século XVII, quem se dirigia ao Flamengo, saindo da Ajuda, hoje Cinelândia, ia enfrentar um caminho cheio de obstáculos, primeiro tinha a Lagoa do Boqueirão, que foi aterrada para ser o Passeio Público, depois passaria pelas praias da Lapa para alcançar o alagado Boqueirão da Glória, depois também aterrado e batizado como Largo da Glória, seguiria então o caminho às margens do Rio Catete, um braço do Rio Carioca, nesta ocasião em que o Outeiro da Glória às vezes se transformava numa ilha, cercada de mar e rio por todos os lados, a última etapa seria cruzar o rio pela ponte mandada construir por Antonio de Salema, onde hoje fica a Praça José de Alencar, pagando um pedágio de dois vinténs.

O local sofreu muitas adaptações para chegar ao que é hoje, com as quais o Outeiro foi se afastando cada vez mais do mar. Primeiro o aterramento do Boqueirão da Glória, onde surgiu o Largo da Glória, e da Lagoa do Boqueirão que já permitiu um acesso mais fácil à Glória. Depois, no Governo de Pereira Passos, o aterramento onde se construiu a Praça Paris e a Avenida Beira Mar, abrindo um caminho que vinha desde o final da Avenida Rio Branco e que chegava até Botafogo, no Mourisco. Finalmente o Aterro Brigadeiro Eduardo Gomes que ficou conhecido, globalmente como Aterro do Flamengo, que fez com que o Bairro da Glória deixasse de ser o caminho natural para a Zona Sul, com a construção de suas pistas de alta velocidade.

Ao final da Monarquia, a região da Glória era aristocrática e sediava o Poder Eclesiástico com o Palácio Arquiepiscopal e sediou também a mais importante Escola Filosófica da época: o Positivismo, cujo Templo fica localizado na Rua Benjamin Constante. Com Pereira Passos e a "Belle Époque" o Bairro ganhou uma atmosfera sofisticada, quando era chique passear pela Praça Paris, em frente à qual foram construídos os primeiros prédios de apartamentos, em um formato que se espalharia por toda a cidade.

Com o tempo o Bairro ganhou duas identificações: uma devido à proximidade com o Centro, que o transformou em área comercial alternativa, com residências de segunda categoria, com uma área de intensa prostituição; outra devido à proximidade com o Catete, vinculado a um comércio em decadência e a uma população de baixa renda. Mas atualmente, da mesma forma que o Catete, o Bairro tem sido procurado por uma população que está interessada na busca de valores antigos, como: apartamentos grandes e a proximidade com centros culturais e museus; o que tem levado a uma restauração desses bairros.


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O Bairro da Glória



Vistas do Bairro da Glória: a primeira do início do século XX, quando o mar batia quase no relógio da Glória; a segunda
de 1922, depois do bairro ter recebido outros aterramentos e também seus belos jardins
. Estas fotos foram publicadas na
Revista do Clube de Engenharia em 1985, em comemoração aos 420 anos da cidade do Rio de Janeiro. A chaminé que se
destaca ao fundo pertencia à empresa: The Rio de Janeiro City Improvementes Limited, conhecida simplesmente por City,
que era a empresa responsável pelo tratamento do esgoto da cidade, que foi a segunda capital do mundo a dispor de um
sistema de esgotos.


Os serviços da City tiveram início em 1864, por iniciativa de
João Frederico Russell, que residia numa casa que ficava no
local onde, em 1920, se construiu o Hotel Glória para as
festas do Centenário da Independência do Brasil. A foto ao
lado mostra o prédio onde funcionou a City, que hoje abriga
o Sindicato dos Engenheiros e Arquitetos o Estado do Rio de
Janeiro
, e que possue ainda as bombas de recalque do
3o Distrito Sanitário, que atendia os Bairros da Glória,
Flamengo e Catete e que estiveram em operação até 1911.




Vista do Bairro da Glória, onde se destaca a Enseada da
Glória onde está a Marina da Glória, ao fundo a Esplanada
do Castelo no Centro da Cidade e a Ponte Rio-Niterói.




Estação Glória do Metrô do Rio de Janeiro, onde foram
iniciadas as obras para construção do Metrô, em 1972
e que foi a primeira Estação a ficar pronta. A linha
inaugural do Metrô foi a ligação Glória - Cinelândia.



Vista do bairro da Glória em primeiro plano,
tirada de Santa Teresa, ao fundo pode se ver
um trecho do Bairro do Flamengo e a ponte
Rio-Niterói.


Vista do Bairro da Glória, tirada de Santa Teresa. Ao fundo
pode se ver um trecho do Aterro do Flamengo, e do outro
lado da Baía a cidade de Niterói, com a Fortaleza de
Santa Cruz. No centro da baía está a Ilha de Laje.

Vista do Largo da Glória com a Estátua de Pedro Álvares
Cabral, obra de Rodolfo Bernadelli, inaugurada em 1900, por
ocasião das festas do Quarto Centenário do Descobrimento
do Brasil. O Monumento tem 10 metros de altura e uma base
de granito hexagonal. A foto foi tirada da Praça Paris.


Vista do Largo com a Estátua
tirada do Outeiro da Glória.





Palácio São Joaquim

Palácio São Joaquim ou Palácio da Mitra Arquiepiscopal, localizado na Rua da Glória 446, é um prédio em Estilo Eclético, construído em 1918, para ser a residência do 1o Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro: D. Joaquim Arcoverde Cavalcanti de Albuquerque. O Palácio é uma obra do arquiteto Morales de los Rios.

Hoje num prédio vizinho da Rua Benjamin Constant funciona a Cúria Metropolitana, sede da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Uma série de templos de diversos credos, transformam a Rua Benjamin Constant em um corredor ecumênico. O palácio só pode ser visto por fora porque não é aberto à visitação pública.

Este foi o quinto Palácio Episcopal da Cidade. O primeiro ficava localizado na esquina das atuais Ruas da Candelária e Alfândega e foi onde morou o primeiro Bispo do Rio de Janeiro: D. José de Barros e Alarcão, em 1682. O segundo ficava localizado no Morro da Conceição, próximo da Praça Mauá, o terceiro foi a Casa do Bispo localizada no Rio Comprido, a quarta ficava localizada na Cinelândia, onde hoje se encontra o Tribunal Superior da Justiça, o quinto foi o Palácio São Joaquim. Atualmente o Arcebispo do Rio de Janeiro possue uma residência no alto do Morro do Sumaré, mas trabalha na Rua Benjamim Constant.




Hotel Glória e Marina da Glória .

Hotel Glória e Marina da Glória.

Marina da Glória tendo ao fundo o
Pão de Açúcar.

A Marina da Glória foi idealizada com o intuito de
democratizar o uso de áreas de atracação por embarcações
pequenas, que pagassem apenas uma taxa de manutenção
e pudessem dispor de uma estação de rádio, café e
estacionamento, com o objetivo de incentivar o turismo
náutico e funcionar como um atracadouro público. Foi
inaugurada em 1977.

A Amurada do Hotel Glória foi construída em 1905 para
arrematar a diferença de nível existente entre a Rua do Russel
e a Avenida Beira-Mar. Em 1908, depois de ser destruída por
uma ressaca, incorporou o Monumento Comemorativo do
Centenário da Abertura dos Portos Brasileiros às Nações
Amigas
que foi projetada pelo escultor francês Eugéne
Benet.




Prédio onde funciona a Faculdade Sousa Marques,
na Rua da Glória.


Edifício onde funcionou a TV Manchete e
que hoje pertence a Rede TV.


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Praças Juarez Távora e Luís de Camões

As Praças Juaréz Távora e Luís de Camões, são oficialmente os nomes dessas duas Praças, que ficaram conhecidas como Praça do Russel, e que servem para local de encontro de crianças e idosos do Bairro e que nos sábados, de manhã, serve de local para uma feira de produtos agrícolas ecologicamente cultivados. As fachadas dos prédios em volta da Praça se constituem de um bem preservado conjunto art deco. Nesta Praça foi construído o primeiro Hotel de luxo da cidade, o Hotel Glória, hoje a região concentra dois teatros, emissoras de rádio e o moderno prédio da TV Manchete, hoje ocupado pela Rede TV.

O Edifício Henrique Lage, que é mostrado na sexta e oitava fotos abaixo é um dos mais lindos modelos de art-deco da cidade, projetado por Ricardo Buffa, em 1924, para Henrique Lage. O andar térreo, escavado na rocha, abriga imponente hall de elevadores envoltos por uma escadaria.



Hotel Glória.









Estátua de São Sebastião



No meio da Praça está a Estátua de São Sebastião,
para mostrar a importância do local que foi palco
da batalha que resultou na expulsão dos franceses do
Rio de Janeiro e na qual Estácio de Sá foi ferido.
Todo ano, no dia 20 de janeiro, a procissão de
São Sebastião que sai da Igreja de São Sebastião
dos Frades Capuchinhos
na Tijuca termina nesta
estátua, onde é interpretado o Auto da vida do santo.




Acesso ás Páginas da História do Rio de Janeiro
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Acesso ás Páginas de Encantos do Rio de Janeiro
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