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CENTRO - AVENIDA RIO BRANCO

SUAS TRANSVERSAIS I



Rua Visconde de Inhaúma

A Rua dos Pescadores foi aberta no início do século XVII e era considerada pelos viajantes estrangeiros a pior rua do Rio de Janeiro. Foi alargada pela primeira vez em 1831, quando foi reformado o Arsenal de Marinha, mas só em 1906, com a urbanização do Prefeito Pereira Passos, ganhou a sua aparência atual.

Em 1869, ela passou a chamar-se Rua Visconde de Inhaúma, em homenagem ao Almirante Joaquim José Inácio, chefe da esquadra, por seus feitos na Guerra do Paraguai. No século XIX, pessoas importantes da cidade nela possuíram residência, como: a pintora e escritora inglesa Maria Graham, preceptora de D. Maria da Glória, filha de D. Pedro I e futura rainha de Portugal; o Conde de Bonfim; os Barões da Glória; o Barão de Mesquita; o Barão de Santa Leocádia; o Cônsul da Bélgica e o Cônego Januário Barbosa, famoso orador sacro.





Esquina da Av. Rio Branco com a Rua Visconde de Inhaúma, vendo-se o prédio da antiga Caixa de Amortização,
projetado por Luís J. le Cocq de Oliveira, inaugurado em 15 de novembro de 1906, que é um dos prédios originais da
Avenida Central. Foi posteriormente a sede do Banco Central do Brasil, ao qual ainda pertence.

O térreo é feito de granito da Urca e se caracteriza por um ritmo simples de aberturas em arco pleno, adornados pela
marcação do corte das pedras estruturais. Os pavimentos superiores possuem uma única colunata de ordem gigante.
A composição da fachada remete ao Maneirismo italiano.


Igreja de Santa Rita de Cássia


Rua Visconde de Inhaúma, com a Igreja de
Santa Rita de Cássia.
A Igreja localizada na esquina com a Rua Miguel Couto, foi
construída por Manuel Nascente Pinto e sua mulher. Em 1721
foi doada à Irmandade que ali se instalara e em 1753
passou a ser a Paróquia de Santa Rita
.

Sua fachada branca com cunhais em pedra são características
do Período Colonial e contrastam com sua torre-sineira em
arcada dupla, o fronstipício e a portada de cantaria que são
de composição clássica, encimada por um medalhão da
padroeira. Seu interior tem uma feição Rococó, possui
lampadários de prata que são atribuídos a Mestre Valentim.


Vista da fachada da Igreja de Santa Rita.


Vista do interior da Igreja de Santa Rita,
com seu altar principal e seus detalhes
em Estilo Rococó.

Vista da púlpito da Igreja.

Vista do teto da Igreja.
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Rua da Alfândega

No seu começo era apenas um Caminho que comunicava a Zona da Praia com a Lagoa da Sentinela, Posto de Vigilância contra os índios rebeldes que existia entre os Morros da Conceição e o de São Bento. Recebeu diversos nomes e em 1716, o de Rua da Alfândega, porque diante dela se estabelecera a Alfândega da cidade.

Nela morou o Governador Salvador de Sá e em 1682, o primeiro Bispo do Rio, D. Alarcão. Depois da Abertura dos Portos em 1808, nela se instalaram os comerciantes ingleses que chegaram a Brasil. Pouco antes da Proclamação da República, tornou-se a Rua das Agências Marítimas. A Rua da Alfândega talvez seja a única do Brasil que ostenta três Igrejas construídas no Século XVII: a de Santa Efigênia; a de Nossa Senhora Mãe dos Homens e a Irmandade de São Jorge, na sua esquina com a Praça da República.



Igreja Mãe dos Homens

Numa Igreja localizada discretamente no meio dos edifícios da Rua da Alfândega, existe uma lápide de 1950, com a seguinte inscrição: "Há 200 anos, neste local, devotos da Virgem Santíssima, em torno de um oratório a ela consagrado, se reuniram para rezar o terço, celebrando a "origem do culto à Nossa Senhora Mãe dos Homens". Foi colocada uma lápide, marcando o acontecimento". Neste local foi construída a Igreja, atribuída ao Brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, entre 1758 e 1803.

É o último exemplo de planta octogonal do Período Colonial. Sua fachada, com uma das torres inacabada, possui um grande friso decorado com paínéis entre o entablamento e o frontão, característica do século XIX, também encontrada na Igreja de São José.

Em seu interior percebe-se com clareza a diferença entre a delicadeza da talha Rococó da Capela-mor, coro e tribunas da nave, que são do final do Século XVIII, de autoria de Inácio Ferreira Pinto e a talha mais rígida dos altares laterais da segunda metade do Século XIX, de Antônio de Pádua e Castro, que também é o autor do púlpito.



Fachada da Igreja.

Altar principal.

Altar lateral.


Coro da Igreja.
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A Rua do Ouvidor

A origem da Rua do Ouvidor foi o acesso ao Trapiche de Ver o Peso do antigo Porto da cidade. Esta rua, que mereceu de Manuel Joaquim de Macedo um livro inteiro de memórias sentimentais, teve sucessivos nomes: Rua de Aleixo Manuel, Marcos da Costa, do Gadelha, do Barbalho, de Brás Luís, da Santa Cruz, da Quitanda, de Pedro da Costa, da Sé Nova, Moreira César. Só com a vinda da Família Real para o Brasil adquiriu luxo e importância, a ponto de vir a ser comparada com a Rua Viviene, de Paris. A abertura dos portos aumentou o comércio e levou à Rua do Ouvidor grande quantidade de comerciantes de todos os gêneros, entre os quais modistas, alfaiates, penteadores vindos de Paris. Em 1829 recebeu calçamento, sendo proibido o tráfego de veículos e foi calçada de paralelepípedos em 1857. Foi a primeira a receber a iluminação a gás, em 1860, substituindo a de azeite feita em 1854, e em 1891 recebeu a iluminação elétrica.

Rua dos jornais, nela se instalaram o Jornal do Commercio, A Nação, o Diário de Notícias, O País, a Gazeta de Notícias, o Correio da Manhã, A Notícia, a Reforma, A República, A Folha Popular, A Imprensa, as revistas Semana Esportiva e O Malho - o que por si só a tornaria uma rua histórica e registradora de acontecimentos históricos. Numa de suas pensões, hospedou-se Tiradentes, vindo ao Rio para conspirar; noutra, o Duque de Caxias, em plena glória. Carlos Gomes escolheu como seus locais de preferência as confeitarias Castelões e Pascoal, que seriam também os locais de encontros vespertinos de Olavo Bilac, Emílio de Menezes e outros boêmios que desfilam no romance A Conquista de Coelho Neto.

Na Rua do Ouvidor ficavam: a Casa Edilson, onde Fred Figner inaugurou a indústria de discos fonográficos; as joalherias Gondolo e Laboriau; a firma Guinle & Cia.; a Casa Clark, de calçados, que data de 1822; a extinta Loja América e China e o Café Londres que foi depredado pelo povo quando a Inglaterra ocupou a Ilha de Trindade. Nela as donas de casa foram ver as primeiras máquinas de costura Singer, lançadas no Rio em 1851. A papelaria do casal Bouvoir, depois adquirida pelo suiço George Leuzinger, marca a criação da impressão a cores no Rio, devida aos alemães Bollemberg e Hulomann e ao brasileiro Paradela; a fotografia ali se introduziu com o exilado socialista Harrow Harring, sete vezes condenado à morte na Europa, e com o português Insley Pacheco, a quem se deve a introdução da fotografia sobre papel. Nessa casa impressora e fotográfica, se instalaram Charles Ribeyrolles e outros adversários de Napoleão III.

Um cearense, Lauro de Carvalho, abriu na Rua do Ouvidor a Camisaria Especial, de onde nasceriam as casas A Exposição e A Capital. As casas Almeida Rabelo e Raulnier ditavam a moda masculina; a loja de Duvivier vendia quinquilharias; o francês Mandel consertava candeeiros. Na casa o Rei dos Mágicos, no número 116, seu dono, Antônio Ribeiro Chaves, depois de ler numa revista francesa a invenção de Alexandre Graham Bell, criou um "telefone brasileiro" que prestou serviços com suas ligações entre o Jornal do Commercio e o Corpo de Bombeiros. Ao instalar-se no Rio a Companhia Telefônica Brasileira, com capitais americanos, os telefones de Antônio Ribeiro Chaves ainda resistiram. O Jockey Club e a Associação dos Empregados no Comércio nasceram na Rua do Ouvidor; as editoras Laemmert, Garnier, Francisco Alves, a Livraria Crashley, de livros em inglês, ali se situavam; nela instalou-se também Paschoal Segreto com o primeiro cinematógrafo.

O nome Ouvidor surgiu naturalmente, adotado pelo povo, como conseqüência do fato de nessa rua ter moradia, próximo à esquina com a Rua da Quitanda, o Ouvidor Dr. Manuel Pena de Mesquita Pinto. A partir daí os nomes antigos começaram a desaparecer, substituídos pelo nome popular, definitivo - Rua do Ouvidor. É verdade que mais tarde o governo, pretendendo homenagear o comandante da terceira expedição contra Antônio Conselheiro, morto em Canudos, mudou o nome da Rua do Ouvidor para Coronel Moreira César, o que, entretanto, não vingou.

A abertura da Avenida Rio Branco, nos primeiros anos deste século, veio destronar a Rua do Ouvidor de sua condição de principal artéria do centro da cidade, que manteve por quase 90 anos, mas ainda hoje é a mais conhecida rua comercial do Rio.





Avenida Central esquina com a Rua do Ouvidor e Rua dos Ourives hoje Rua Miguel Couto, em 1935 e atualmente.
Na primeira foto pode-se ter uma visão de profundidade da Avenida, hoje inexistente devido aos prédios altos,
esta foto foi publicada na revista do Clube de Engenharia em 1985, em comemoração aos 420 anos da cidade do Rio de Janeiro.

No século XVII era extremamente numerosa a corporação na Rua dos Ourives, que trabalhava com a prata trazida
legalmente ou de contrabando do Peru. O Conde da Cunha, Vice-Rei do Brasil, ao proibir os ourives, no século XVIII,
só no Rio de Janeiro, identificou nesta rua cerca de quatrocentos oficiais.



Prédio na esquina da Rua do Ouvidor,
remanescente dos prédios originais da Avenida.


Avenida Rio Branco esquina com a
Rua do Ouvidor.


Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores

O culto da Senhora da Lapa foi trazido de Portugal e teve na cidade dois santuários: um que deu nome ao Bairro da Lapa e outro localizado na Rua do Ouvidor, numa região de comércio intenso de roupas feitas, fazendas, artigos de armarinho e de miudezas que se aglomeravam em cubículos pertencente aos Mascates, denominação da época. Devido a isto a Igreja que teve sua construção iniciada em 1747 e sua sagração em 1750, por iniciativa dos comerciantes do local, que não eram aceitos na atual Igreja de Santa Cruz dos Militares, foi chamada de Nossa Senhora da Lapa dos Mascates. Com o decorrer dos anos, a designação mascates tornou-se um termo depreciativo na linguagem popular e a Igreja passou a chamar-se Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores.

A Igreja atual, data de 1870 e foi edificada conforme os planos de Antônio de Pádua e Castro, permaneceu durante muito tempo fechada, mas foi restaurada e reaberta recentemente. Esta foi a primeira Igreja do Rio de Janeiro a ter carrilhão, a segunda foi a de São José. Seu carrilhão é formado por um conjunto de doze sinos que foram fundidos em Lisboa e teve como sineiro por mais de trinta anos Luís Augusto da Silva. Em 1893, por ocasião da Revolta da Armada, um obus atingiu a torre da Igreja que foi logo depois reconstruída.






Interior da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores

Altar-mor da Igreja.

Altar lateral.

Vista do teto da Igreja.

Detalhe do interior da Igreja.
Continua na página SUAS TRANSVERSAIS II
 




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