CENTRO CULTURAL PAÇO IMPERIAL I
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O Terreiro do Carmo, nome dado porque o largo que ficava em frente ao Convento do Carmo, existiu um prédio onde funcionava desde o Século XVII, o Armazém Del Rei. A partir de 1697 o prédio passou a abrigar a Casa da Moeda, que já funcionava desde 1694 na cidade de Salvador, na Bahia, e foi então transferida para o Rio de Janeiro. Nela foram instalados os fornos e a fundição real para processar o ouro que vinha das Minas Gerais. A fábrica foi fundada por ordem de D. Pedro II, 23o Rei de Portugal (1683-1706) que julgou que era necessário criar no Brasil um sistema monetário próprio, com o duplo objetivo de fornecer meio circulante à Colônia e de angariar tributos para a Coroa Portuguesa. No início do Século XVIII, com as invasões francesas de 1710 e 1711, a casa foi afetada de formas diversas. Em 1710, corsários do francês Jean François Duclerc foram vencidos em violenta batalha travada no terreiro do Carmo, em frente à Casa. Parte dos prisioneiros ficou detida na cadeia ali existente. Em 1712, durante a invasão de Duguay-Trouin, o prédio foi fortemente bombardeado e teve suas oficinas inutilizadas, mas depois das invasões foi restaurado. No tempo do Governador Gomes Freire de Andrada - o Conde de Bobadela (1733-1763), foi construída uma residência para servir de sede da Capitania do Rio de Janeiro e das Minas Gerais, a nova Casa dos Governadores, que antes habitavam uma residência na Rua Direita 66. O prédio foi inspirado no Paço da Ribeira de Lisboa, cujo prédio foi destruído em 1755 por um terremoto. Gomes Freire residiu no prédio até sua morte em 1763. O edifício foi projetado pelo engenheiro militar e Sargento-Mor José Fernandes Pinto Alpoim, principal arquiteto da época, que projetou inúmeras obras na cidade. A obra foi iniciada em 1730 e inaugurada em 1743, embora tenha aproveitado partes da construção anterior tinha a maior parte inovada e o prédio passou a ter dois andares no estilo das residências dos monarcas portugueses em Lisboa, o que lhe dava destaque entre as construções da cidade.
A Casa da Moeda só foi transferida do local em 1814, quando foi para a Rua do Sacramento e em 1868 passou a funcionar na Praça da Aclamação, atual Praça da República. Em 1983, ganhou novas e definitivas instalações no Parque Industrial de Santa Cruz.
Com D. João o Paço passou a ser um palácio com duas fachadas principais: uma voltada para o Largo, local dos grandes eventos cívicos e a outra voltada para o mar, símbolo do mundo das conquistas portuguesas. Com a Independência do Brasil o edifício passou a ser o Paço Imperial, sede do Império brasileiro e abrigou os seus dois Imperadores. Nela foram coroados D. Pedro I e D. Pedro II e a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. Durante o Império a construção se manteve quase inalterada, as pequenas reformas que ocorreram não alteraram grandemente a obra. O período de D. João e do Império do Brasil foi também o de seu grande esplendor e fausto. Por ela passaram todos os grandes personagens e se realizaram todos os grandes acontecimentos da História do Brasil. Ao final do II Reinado a residência oficial de D. Pedro II passou a ser o Palácio da Quinta da Boa Vista e a residência de verão era o Palácio de Petrópolis, devido a isto a residência do Centro do Rio passou a ter problemas com a sua conservação.
A partir da primeira década do Século XX o prédio passou a abrigar a Repartição dos Correios e Telégrafos, que ali permaneceu até 1982. Do fausto e da pompa do Século XIX, como palco dos acontecimentos históricos do país, aquele prédio da Praça XV passou à sua fase silenciosa por onde passaram a circular as mensagens trocadas entre os brasileiros. Não tendo como crescer para atender ao crescimento dos Correios o prédio inchou. Em 1929 ocorreu uma nova obra, desta vez uma intervenção de grande monta que refletiu o momento da História sócio-cultural que se vivia, mas que veio a comprometer seriamente o monumento. Foram retiradas as platibandas, ampliado o terceiro pavimento por todo o perímetro da construção e acrescentado um frontão pseudo barroco. Os espaços foram adulterados e redivididos.
Em 1938 o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional incluiu o Paço entre os primeiros bens tombados inscrevendo-o no Livro de Belas Artes e no Livro do Tombo Histórico. Este fato não impediu que nos anos setenta do Século XX o prédio chegasse quase ao abandono como algo sem valor histórico, uma construção semi-destruída por dentro e mascarada por fora, à espera de uma nova utilização. No entanto, a utilização do prédio pelos Correios e Telégrafos apesar de ter descaracterizado o monumento, permitiu que sua estrutura fosse mantida e que o prédio chegasse até a atualidade. Em 1982 o prédio passou a estar vinculado ao Pró-Memória da Secretaria de Cultura, tiveram então início os estudos visando sua recuperação. | |||||||||||||||||||||||||||||
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Durante a restauração que foi realizada entre 1982 e 1985, métodos de arqueologia e história foram utilizados para identificar a feição do prédio em suas diversas épocas. Mas, se no passado cada etapa de reforma visava dar ao monumento uma adaptação a um novo propósito que se sobrepunha ao anterior, agora o que se buscava era reabilitar o passado e as marcas deixadas pelas diferentes fases históricas vivenciadas por este monumento que ali esteve, na paisagem do Centro do Rio de Janeiro, por cerca de trezentos anos. A restauração portanto objetivou recapturar os elementos arquitetônicos e buscar o significado de cada fase histórica e sua importância cultural. À medida que foram sendo realizadas demolições dos acréscimos recebidos através dos anos pelo prédio, os aspectos de suas formas originais foram sendo entendidos através do material histórico ali encontrado. Desta forma a necessidade de se retornar ao aspecto original apresentado na iconografia antiga da primeira metade do Século XIX foi se firmando objetivando obter uma restauração correspondente ao período colonial, momento mais importante da vida do Paço como sede do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarve. Esta forma que perdurou por mais de um Século mantendo sua base até as reformas de 1929. Não foi um processo fácil liberar o arcabouço oitocentista dos acréscimos recebidos em 1929, mas foi verificado que o arcabouço de pedra e cal estava preservado. Os espaços haviam sido modificados, os adereços de pedra cobertos, foram substituídos os telhados e a estrutura do piso. Hoje o prédio abriga o Centro Cultural Paço Imperial, um ponto turístico importante do Rio de Janeiro, vinculado ao Ministério da Cultura, à Secretaria de Patrimônio, Museus e Artes Plásticas e ao IPHAN. O Centro Cultural atualmente possui: salas que servem a exposições de arte, salas para apresentação de peças de teatro, seminários, concertos, palestras e debates; cinema; sala de música; livraria; restaurantes e cafeteria. Abriga o acervo de mais de seis mil volumes da Biblioteca Paulo Santos, no qual se destacam as obras sobre a arquitetura luso-brasileira. Mas o próprio prédio, que é um monumento da arquitetura civil colonial brasileira, por si só já é digno de ser visitado e conhecido, porque todo ele transpira História em suas paredes, seus arcos e suas escadarias, onde se descortinaram importantes acontecimentos da História do Rio de Janeiro e do Brasil. O visitante pode realizar nele um passeio pelo tempo e pela história. |
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encontram cinco maquetes que mostram as cinco feições mais importantes adquiridas pelo monumento desde que passou a ser a Casa dos Governadores até nosso dias como Centro Cultural Paço Imperial e também painéis que contam um pouco da História de cada fase. São consideradas as cinco fases:
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![]() Vista da sala onde se encontram as maquetes com as feições tomadas pelo edíficio do Paço ao longo de sua existência e a exposição contando a sua História. As fotos das maquetes utilizadas nesta página foram tiradas desta sala. |
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A primeira gravuda mostra o Paço dos Vice-Reis em 1770 em perspectiva de Luis dos Santos Vilhena, a gravura mostra o edifício como A segunda mostra um dos medalhões de Leandro Joaquim, pintura a óleo de 1780, mostrando Largo do Paço na época dos Vice-Reis, mas |
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![]() O Paço em aquarela de Richard Bate de 1808, apresentando ainda a mesma feição obtida no tempo do Vice-Rei D. Luis de Vasconcelos. Em segundo plano pode ser visto o Morro do Castelo. |
![]() Gravura de 1821 DE George Hunt e Henry Chamberlain apresentada na exposição do Centro Cultural Paço Imperial mostrando o Paço após a chegada de D. João. Pode se ver que o Paço estava ligado por um passadiço ao prédio da Cadeia. |
| Vista do Paço em aquarela de Thomas Ender de 1817 onde se tem uma vista do prédio após as reformas feitas por D. João, apresentando o acréscimo do terceiro andar na parte frontal e o passadiço que ligou o Paço ao Convento do Carmo. |
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![]() O Paço em desenho de Moreau e Buvelot de 1842 onde já aparece a platibanda de inspiração néo-clássica do lado direito do prédio. |
![]() Foto de Marc Ferrez de 1880 mostrando o Paço com platibandas dos dois lados. |
![]() O prédio com a feição apresentada após a reforma de 1929, do Departamento de Correios e Telégrafos, tendo um terceiro andar ocupando todo perímetro do prédio. |
![]() Portal original, desenhado por José Pinto Alpoim, planta em T definindo dois percursos, um paralelo à facha e outro perpendicular, abrindo-se para o pátio interno. |
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Notas: - As gravuras aqui apresentadas foram copiadas na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - A Restauração do Paço Imperial e o Futuro da Praça Quinze - No 20 de 1984 em suas páginas 116, 140 e 141. |
Fotos da maquete do Paço Imperial após a restauração
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