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CENTRO - RUA PRIMEIRO DE MARÇO

SUAS IGREJAS I



Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé


Gravura de 1580 com a Ermida de Nossa Senhora do Ó ilustração de Carlos Gustavo Nunes Pereira a partir de dados históricos do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos.

A história da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé remonta aos primeiros anos de fundação da cidade, com a chegada dos carmelitas que nela vieram se instalar em 1590. Foram ocupar as antigas habitações dos beneditinos na Várzea, no Caminho de Manuel de Brito que deu origem à Rua Direita, onde já existia a Ermida de Nossa Senhora do Ó que foi utilizada como capela conventual.

Em 1619 teve início a construção do novo Convento em um terreno ao lado da Capela, com dois andares, cada um com 13 janelas. A construção dava vista para o campo em frente que na época ficou conhecido como Campo do Ó, atual Praça XV de Novembro. Neste Campo, o Conde de Bobadella edificou, em 1743 a nova residência dos Governadores, o atual Centro Cultural Paço Imperial.

A ermida desabou em um dia de festa soterrando os fiéis, mas sobre suas ruínas teve início a construção de um novo templo que foi inaugurado, em 1761, por Frei Inocêncio do Desterro de Barros mesmo sem estar completamente pronto com uma procissão solene. Sua decoração interior teve início em 1785, por Mestre Inácio Ferreira Pinto e constitui-se em um monumento do estilo rococó brasileiro.

Quando D. João chegou ao Brasil, em 1808, foi render graças pelo sucesso de sua viagem, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que na época abrigava a Sé da cidade. D. João instalou-se na então Casa dos Vice-Reis, que passou a ser o Paço Real, em frente ao Convento do Carmo, que também foi ocupado pela Corte.

Na época os carmelitas foram instalados no Hospício dos Capuchinhos localizado na Rua dos Barbonos atual Evaristo da Veiga.

Em 13 de junho de 1808, D. João, por um Alvará Real elevou a Igreja à condição de Capela Real e logo depois também a Catedral, seguindo os moldes de Lisboa de acumular as duas funções no mesmo local. Em 1817, D. João mandou concluir a decoração interior da Igreja. As pinturas ficaram a cargo de José Leandro de Carvalho que pintou o painel do altar-mor no qual a Virgem Maria carregada entre nuvens tem a seus pés a Família Real e também as pinturas da nave.

A partir de 1808 todas as grandes solenidades religiosas da Corte de Portugal e depois do Império Brasileiro tiveram lugar na Capela Real:

  • em 1816 nela foi realizado o Réquiem pela morte de D. Maria I;

  • em 1818 nela foi realizada a Sagração de D. João VI – Rei de Portugal, Brasil e Algarves, a única sagração de um Rei europeu realizada em terras americanas, na ocasião sua torre recebeu um novo sino doado por D. João;

  • em sua Pia Batismal foram realizados os batizados de inúmeros príncipes e princesas da Casa Real, entre eles: em 1819 da Princesa D. Maria da Glória, que viria a ser a Rainha D. Maria II de Portugal; D. Pedro II e da Princesa Isabel;

  • nela foram Sagrados os dois Imperadores do Brasil: D. Pedro I em dezembro de 1822, quando ela passou a ser a Capela Imperial e D. Pedro II então com apenas 15 anos em julho de 1841;

  • em seus altares receberam as bênçãos nupciais: D. Pedro I em seus dois casamentos com D. Leopoldina em 1817 e com D. Amélia em 1829; D. Pedro II com D. Tereza Cristina em 1843 e a Princesa Isabel com o Conde d´Eu em 1864;

  • em 1905 nela foi realizada a sagração do 1º Cardeal do Brasil e da América Latina, o Cardeal D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.


Gravura mostrando o cortejo do Batismo de D. Maria da Glória, filha de D. Pedro saindo do Paço Real rumo à Capela Real. A foto foi tirada de um mural
da Exposição que conta a história da Igreja da Sé.

Gracura mostrando a cerimônia de Consagração de D. Pedro como 1o Imperador do Brasil na Capela que então passou a ser a Capela Imperial. Aquarela de Jean Baptiste Debret de 1822, pertencente à Fundação Castro Maya.

Gravura mostrando a solenidade de casamento de D. Pedro I com
D. Amélia de Luxembourg. Aquarela de Jean Baptiste Debret d
e 1829, pertencente à Fundação Castro Maya.

Gravura mostrando a Cerimônia de Coroação de D. Pedro II. Óleo sobre tela de François René Moreaux de 1842, pertencente à coleção do Museu Imperial.

Gravura mostrando a solenidade de casamento de D. Pedro II com D. Teresa Cristina. Óleo sobre tela de autor não identificado pertencente à coleção do Museu Imperial.

Gravura mostrando a solenidade de casamento da Princesa Isabel
com o Conde D'Eu. Óleo sobre tela de Victor Meirelles de 1864,
pertencente à coleção do Museu Imperial.

Foto de Marc Ferrez de 1890 mostrando o Largo do Paço e da Igrejas do Carmo
quando ainda existia o passadiço unindo o Convento á Igreja da Sé. Foto pertencente ao Acervo do Instituto Moreira Salles.

O autor do projeto da Igreja é desconhecido, mas ao longo do tempo várias adaptações e acréscimos, modificaram bastante sua unidade arquitetônica, no entanto, o frontão da igreja permaneceu em Estilo Barroco. Quando em 1857, a Rua do Cano, hoje Sete de Setembro, foi levada até o Largo do Paço, a Catedral não sofreu alteração fundamental, pois seu corte atingiu apenas o antigo Convento do Carmo.

Sua torre sineira possui um sino denominado D. João VI, fundido em 1822 por João Batista Jardineiro, nele está gravado o brasão da Família Real Portuguesa, no campanário existem outros seis sinos.


Com a Proclamação da República a Igreja sofreu uma restauração e em 1900 foi reinaugurada como a Catedral Metropolitana, com grandes solenidades, em celebração do Quarto Centenário da Descoberta do Brasil.

Em 1903 os resíduos mortais de Pedro Álvares Cabral foram transferidos da Igreja de Nossa Senhora da Graça da cidade de Santarém, em Portugal, para a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro e nela se encontra até nossos dias, apesar dela não ser mais a Catedral.


Foto de Marc Ferrez de 1895, mostrando a Praça XV de Novembro.

No tempo do Cardeal Arcoverde, Arcebispo entre 1897 e 1930, a Igreja ganhou a torre ao lado da Rua Sete de Setembro, de gosto eclético, que descaracterizou a fachada original. Nesta torre foram colocadas as armas e o chapéu cardinalício, mais acima o relógio e os sinos, na fachada foi colocada a imagem em mármore branco do Padroeiro da Cidade - São Sebastião que tem uma altura de 4,5 metro. Para comemorar o jubileu do Dogma da Imaculada Conceição, a Igreja ganhou, acima da torre, dentro de um círculo gradeado de ferro, a imagem de Nossa Senhora da Conceição, em bronze dourado. Estas reformas foram inauguradas nas Comemorações dos 100 anos da Independência do Brasil em 1922.

Em 1941 a Igreja de Nossa Senhora do Carmo foi tombada pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN. A Igreja da Sé manteve sua condição de Catedral até 20 de novembro de 1976, quando a Catedral foi transferida para a Av. Chile e ela passou a ser a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé depois de ter sido por 168 anos a Sé da cidade do Rio de Janeiro.

Em 2006, em virtude das más condições de conservação da Igreja que teve até partes ameaçadas de desabamento, teve início uma restauração completa da Igreja visando aprontá-la para as comemorações dos 200 Anos da Chegada de D. João ao Rio.


Foto da Igreja da Antiga Sé tirada após a sua restauração e reabertura para as comemorações dos 200 Anos da Chegada de D. João ao Rio de Janeiro.

A Igreja da Antiga Sé foi reinaugurada solenemente em 8 de março de 2008 e encontra-se aberta ao público para visitas, para concertos e para apresentação do espetáculo de som e luz que conta sua história, tendo voltado a ser um ponto de interesse cultural e turístico da cidade.

Tem levado a seu interior uma grande quantidade de pessoas que vão visitá-la especificamente ou que apenas passam diariamente por um dos pontos de maior circulação do Centro em sua rotina de trabalho e de afazeres, em ambos os casos atraídos por sua beleza e imponência, mas ali vão desfrutar de algum tempo de sossego para resgatar um pouco da História do Rio e do Brasil, escrita em suas paredes ao longo dos seus 420 anos de sua existência.

Na página A ANTIGA SÉ APÓS A RESTAURAÇÃO é apresentado o resultado das trabalhos realizados na Igreja para as comemorações de 2008.

OBS: As gravuras que constam deste resumo foram copiadas dos folhetos: Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé – História, Arqueologia e Restauração
e Restauração da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé – Caderno de Educação.



Vista da Torre da Antiga Catedral e uma
parte de sua fachada.



Vista da fachada da Igreja com o detalhe
sobre a imagem de São Sebastião,
padroeiro da cidade.

Vista da Torre da Antiga Catedral, tirada
do pátio do Edifício Cândido Mendes.





Vistas do interior da Igreja, a primeira da nave principal, com talha em Estilo Rococó, executada por Inácio Ferreira Pinto em 1785. A segunda mostra um altar lateral, destacando o contraste das molduras douradas sobre o fundo branco, que transmite leveza ao ambiente. A terceira mostra o teto da Igreja.


Vista das tribunas laterais.

Vista da Igreja na parte lateral que fica na Rua Sete de Setembro.

A placa acima indica o local da lápide de mármore onde está uma urna que
guarda as cinzas de Pedro Álvares Cabral, no corredor que vai dar ao
vestíbulo da Rua Sete de Setembro. Ao lado a Pia Batismal que se encontra
na sacristia da Igreja


OBS: As fotos desta página da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé foram tiradas antes dela ser fechada para restauração. Uma visão completa da Igreja após
a restauração pode ser vista na página A Antiga Sé Após a Restauração.

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Igreja de Santa Cruz dos Militares

No Largo do Carmo eram realizadas manobras militares, por isto, próximo da Rua do Ouvidor, teve início em 1770, a construção da Igreja de Santa Cruz dos Militares, pelo engenheiro militar José Custódio de Sá e Faria, no local onde existiu o Fortim de Santa Cruz. Este fortim foi erguido pelo Governador Martim de Sá, para a defesa da Cidade, em 1605, mas em 1623 encontrava-se arruinado, sendo erguida no local a Igreja de Santa Vera Cruz, concluída em 1628, para os oficiais e soldados da guarnição.

A Igreja original de Santa Cruz dos Militares foi quase integralmente decorada por Mestre Valentim. Uma reforma ocorrida em 1914 redesenhou as fachadas laterais e substituiu toda a abóbada por elementos idênticos. O altar-mor de Mestre Valentim, destruído por um incêndio em 1923 foi parcialmente reconstruído em 1924, a partir de fotografias.

O esquema de dois pavimentos, com o trecho superior coroado por frontão triangular e arrematado lateralmente por volutas é uma reminiscência do Barroco tardio, num período que já estava sendo influenciado pelo estilo Neoclássico, mas este modelo não influenciou outras construções, tendo sido mantida no século XIX o padrão tradicional de fachada.

Na sacristia da Igreja existe um placa com os seguintes dizeres: "Este templo começou a ser construído em 1º de Setembro de 1770 em substituição à Capella que se achava neste local desde 1623 e foi bento em 28 de outubro de 1811. Foi reconstruído em parte em 1915 e, tendo sido damnificado por um incêndio em 29 de agosto de 1923, foi restaurado e melhorado em 1924, sendo sagrado solemnemente o seu altar-mor em 28 de novembro do mesmo amno."




Fachada da Igreja, de frente para a
Rua Primeiro de Março.


Vista do Coro da Igreja.



O conjunto de fotos da Igreja de Santa Cruz dos Militares mostra toda a beleza interior: o altar principal; um altar lateral; detalhes de suas paredes e teto explêndidamente decoradas; seu púlpito, seus brasões.












As duas placas de mármore encontram-se no corredor que leva à sacristia e falam sobre a História da Igreja. A primeira são palavras
de Luiz Alves de Lima e Silva membro da Irmandade a seus irmão de arma e a segunda fala sobre a longa construção da Igreja
para chegar ao que ela é hoje.

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Igreja de São José

Os fiéis de São José já se reuniam desde alguma data entre 1608 a 1640, numa pequena capela, então vizinha do mar, com frente para a Rua da Misericórdia. A Igreja como hoje se apresenta não tem nada da Igreja original, suas obras foram iniciadas em 1808 e finalizadas em 1842.

Pouco se sabe da história de uma das mais antigas Igrejas da cidade, porque toda sua documentação se perdeu em 1711, quando ela foi saqueada pelo francês Duguay-Trouin, que a esvaziou de peças de grande valor histórico e artístico, durante sua invasão e saque à cidade. Os sinos da Igreja de São José são famosos por serem os sinos mais sonoros da cidade. A Igreja possui um sacrário e uma pia batismal que pertenceram à Igreja de São Sebastião do Morro do Castelo.

Em sua fachada destacam-se: o frontão elevado e sua colocação acima de uma faixa horizontal contínua, que serve de base às pilastras das torres. A fachada lateral, desperta interesse por possuir um esquema usual das construções civis. No seu interior destaca-se a talha policrômica de caráter Rococó.










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Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo

A Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo nasceu por iniciativa dos irmãos da Ordem, estabelecidos no Rio de Janeiro em 1648, e que realizavam seu culto no Convento das Carmelitas. Em 1752, resolveram construir um Templo, que atendesse melhor suas pretensões do que a Capela existente no Convento. A pedra fundamental do novo Templo foi lançada em 1755, tendo as obras terminadas em 1770, faltando apenas terminar as duas torres que foram concluídas: uma em 1849 e outra em 1850. A Igreja foi obra do mestre português Manuel Alves Setúbal e o projeto foi de autoria do Irmão Francisco Xavier Vaz de Carvalho.

É um dos mais importantes monumentos reliogiosos da segunda metade do século XVIII e é a única igreja colonial que apresenta sua frontaria totalmente revestida de pedra.

Toda a Igreja é uma obra de arte, desde seu frontispício totalmente em cantaria, no mais belo Estilo Barroco, com frontão curvilíneo, até suas torres que terminam com "varandim" abalaustrado e "coruchéus", cercando belíssimos "bulbos" azulejados de feição mourisca. Sua talha é toda pintada de branco com ornamentos em ouro, como era habitual nas Igrejas dedicadas à Virgem Maria, em belíssimo Estilo Rococó. O altar-mor tem seu frontispício em prata e a Igreja tem em toda sua extensão castiçais em prata ricamente decorados. Em seu interior trabalharam Luiz da Fonseca Rosa, Inácio Ferreira Pinto, Joaquim Pedro de Alcântara e Antonio Pádua e Castro.

Em seu interior existe a Capela do Noviciato, construída em 1772 e que abriga uma talha dourada de Mestre Valentim, obra prima do Rococó Brasileiro, que não é aberta à visitação pública.





Vista da fachada da Igreja da Ordem Terceira de N. S. do Monte do
Carmo tendo ao seu lado a Antiga Sé e vista geral da nave da Igreja
em todo seu explendor.



A primeira foto mostra uma vista geral do riquíssimo frontispício todo em prata e as outras três mostram detalhes do mesmo.




Vistas das paredes laterais da Igreja.

Vista do coro e do orgão.

Vista do altar principal de Nossa Senhora do Carmo.

Vista do altar principal destacando a
imagem de Nossa Senhora.


Vista de um altar lateral.




Vista das paredes laterais da Igreja com os magníficos castiçais de prata.


Vista da parte traseira da Igreja


Vista do púlpito da igreja.


Vista da pia batismal que se encontra
na sacristia da Igreja.

Acima pode se ver uma mesa de prata colocada em um dos lados
do altar e um detalhe da mesma. Ao lado uma vista geral do
teto e um detalhe do mesmo na entrada do Altar Principal.


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