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A Praça Mauá era, de início um grande alagadiço - a Praia de Nossa Senhora que depois passou a ser conhecida apenas como Prainha, era o principal ancoradouro das embarcações que do fundo da Baía traziam alimentos para a cidade. Ficava localizada desde o Morro de São Bento até a encosta do Morro da Conceição, na Sesmaria pertencente a Manuel de Brito que chegava até a atual Rua Visconde de Inhaúma. Atualmente apresenta uma curiosa mistura, de um lado um bairro de boates e inferninhos, existentes graças às proximidades com o Porto do Rio de Janeiro, inaugurado em 1908, e de outro oferece o maravilhoso Mosteiro de São Bento, símbolo do Barroco e marco da ocupação da cidade. Entre 1904 e 1910, foi construído o Porto do Rio de Janeiro, para permitir que grandes embarcações pudessem atracar em um porto adequado ao crescimento da cidade e de suas atividades comerciais, deixando de ficar fundeadas no meio da Baía de Guanabara, como acontecia até aquela época. |
![]() Vista da Praça Mauá, vendo-se o classicizante Edifício Príncipe D. João e a seu lado o Terminal Rodoviário Mariano Procópio, representante do primeiro momento do Modernismo carioca. |
![]() Praça Mauá, no início da Av. Rio Branco, vendo-se o elevado que percorre toda a Av. Rodrigues Alves, o início do Porto do Rio de Janeiro e o prédio da Polícia Federal. |
![]() Edifício Príncipe D. João, construído na década de 1910. |
![]() Vista da área do Porto do Rio de Janeiro, ao longo da Avenida Rodrigues Alves. Foto tirada do navio Rhapsody, ancorado no Pier da Praça Mauá. |
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| Vistas da Estação Marítima
de Passageiros da Praça Mauá, pequeno edifício com elementos Luis XVI que contrastam com a sua torre medieval. A primeira foto também mostra o Edifício de A Noite e o Edifício Rio Branco 1, no início da Avenida Rio Branco. A segunda mostra a fachada da Estação Marítima de Passageiros. |
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![]() Vista do prédio da Polícia Federal, na Avenida Rodrigues Alves. |
![]() Estátua de bronze, com 8,5 metros de altura, de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, obra de Rodolfo Bernadelli, inaugurada em 1910, por iniciativa do Clube de Engenharia. |
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| A primeira foto mostra
o Edifício de A Noite, jornal vespertino que circulava na cidade. Foi construído em 1929 e em 1937 nele passou a funcionar a Rádio Nacional. Foi o primeiro arranha-céu da cidade com seus 22 andares e um dos primeiros edifícios a utilizar o concreto armado. A segunda foto mostra uma entrada do Arsenal de Marinha. |
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O conjunto formado pelo Mosteiro de São Bento e a pela Igreja de Nossa Senhora de Monserrat, é o mais autêntico representante no Rio de Janeiro do século XVII e sua história se confunde com a da própria cidade. Destaca-se por sua unidade e qualidades formais e também por ter sido preservado com grande autenticidade até os dias atuais, isto em pleno centro da cidade. Foi construído pela Ordem dos Beneditinos, a mais antiga da cidade, que chegou ao Rio em 1589 e se instalou provisoriamente na Ermida de Nossa Senhora do Ó, na atual Praça XV, mas mudou-se logo para o terreno doado pelo cidadão Manuel de Brito, companheiro de Estácio de Sá, no outeiro que hoje é o Morro de São Bento, onde já havia uma Ermida de Nossa Senhora da Conceição, construída pelo proprietário do Outeiro. Seus fundadores foram os Freis João Porcalho e Pedro Ferraz, que vieram de Salvador. Os beneditinos ocuparam também a Ilha da Madeira, atual Ilha das Cobras, em frente ao Mosteiro, onde exploravam madeira e pedra e a partir de 1638, passaram a utilizar a terra para a lavoura e pastagem.
Os beneditinos edificaram no Morro o seu Mosteiro e a Igreja que consagraram não à mesma virgem da ermida anterior, mas a Nossa Senhora de Monsserat. Em 1596, no Capítulo Geral da Congregação, o Mosteiro foi elevado á categoria de Abadia, dependentes somente da Congregação. Em 1617, Francisco Frias de Mesquita, engenheiro-mor do Brasil, autor de inúmeros fortes ao longo da costa brasileira, foi encarregado de fazer os planos de uma nova Igreja, que foi inaugurada em 1641. As obras do Mosteiro definitivo foram iniciadas em 1652, a obra foi morosa e só foi terminada em 1742, a partir de 1670 ficaram a cargo do Frei Bernardo de São Bento Corrêa de Souza. De fachada sóbria, bem ao estilo monástico, ambos expressam o ápice do Barroco carioca. Com sua fachada simples e retilínea, a Igreja não deixa prever a riqueza barroca de seu interior que é todo em talha dourada. Vários artistas trabalharam em sua ornamentação, como Frei Domingos da Conceição e Silva, autor da primitiva capela-mor, o arco cruzeiro, duas capelas laterais e os balaústres das tribunas, todos executados entre 1669 e 1694. Além destas características barrocas, destacam-se ainda neste estilo: a utilização dos espaços; os grandes santos da nave; os capitéis; os púlpitos; os efeitos de claro e escuro e a dramaticidade dos tons avermelhados nas superfícies de fundo. O prédio do Mosteiro tem três pavimentos e seu interior apresenta ambientes ricamente trabalhados, como exemplo a portaria revestida de azulejos portugueses dos seiscentos e as capelas abacial e do Santíssimo, esta possuindo como relíquia uma talha em estilo Rococó. O claustro é de autoria do Brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, que trabalhou no Rio de Janeiro no século XVIII e é de acesso restrito. O Mosteiro possui uma Biblioteca e um arquivo que são dos mais importantes da cidade e atualmente encontram-se abertos ao público. Os beneditinos foram grandes possuidores de terras no Rio de Janeiro. No final do século XVII, doaram ao Governo as terras e os imóveis localizados no sopé da Ladeira de São Bento para ali se instalar o Arsenal de Marinha. Em 1711 o Mosteiro esteve em grande perigo, com o ataque de Duguay-Trouin, que dirigiu sua artilharia contra o Morro de São Bento, bombardeando o Mosteiro e a cidade. Após a rendição da cidade, os chefes da esquadra instalaram-se na Abadia, destruindo seu arquivo e roubando sua biblioteca. Em 1717 foi contratado Alexandre Machado Pereira, para terminar a talha da nave, que levou quinze anos para ser executada. Em 1732 um incêndio ameaçou reduzir a cinzas o Mosteiro. Com a chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, em 1808, o Mosteiro hospedou a Corte e nele foi instalada a Real Academia de Guardas-Marinhas, que ali permaneceu durante três décadas. A Igreja sofreu reformas ao longo dos séculos XVIII, XIX e XX, mas que não a descaracterizaram. No século XIX foi construído um prédio separado para funcionar o Colégio de São Bento e a Abadia foi restaurada, sendo construída a Casa do Capítulo, nesta época foi construído o prédio do Alto da Boa Vista, também pertencente aos beneditinos. Ainda hoje está em funcionamento o Colégio São Bento, um dos mais tradicionais e eficientes colégios da cidade e a Igreja que atrai grande número de visitantes, não só pela sua beleza, mas também pela sua tradição do Canto Gregoriano, apresentado pelos monges e que é um programa imperdível nos cultos dominicais. |
![]() Foto da Baía de Guanabara, tendo em primeiro plano um Catamarã, depois a Ilha Fiscal e por último mais elevado o Mosteiro de São Bento. |
![]() Vista do prédio do Mosteiro de São Bento tirada do navio Armonia na Baía de Guanabara. |
![]() Vista do prédio do Mosteiro de São Bento tirada da Praça Mauá. |
![]() Fachada principal da Igreja do Mosteiro de São Bento dedicada a Nossa Senhora de Monserrate. |
| Interior da Igreja de Nossa Senhora de Monserrate, mostrando a decoração de dois altares laterais, dos pilares e dos arcos plenos e do coro. |
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No Morro da Conceição foi instalado o segundo Palácio Episcopal do Rio de Janeiro, construído em 1702, quando deixou a Casa situada da Rua da Alfândega, por iniciativa do Bispo Francisco de São Jerônimo. O Palácio ocupou o lugar de uma antiga capela de Nossa Senhora da Conceição, erguida em 1634, por D. Maria Dantas, viúva de Manuel de Carvalho, em desagravo à Virgem, porque os monges do Mosteiro de São Bento, quando construíram sua Igreja consagraram a Nossa Senhora de Monsserat e não a Nossa Senhora da Conceição, que era a antiga ermida construída no Morro de São Bento, pelos seus primeiros donos. O Palácio apresentava padrão formal derivado dos solares lisboetas do século XVII, implantado no Brasil até o século XVIII, na arquitetura civil urbana. No Morro da Conceição encontra-se também a Fortaleza da Conceição, construída em 1743 para proteger a cidade traumatizada com a invasão do francês Duguay-Trouin, que em 1712 ocupou o vizinho Mosteiro de São Bento. Foi projetada pelo Brigadeiro João Massé. |
![]() Vista do Morro da Conceição atualmente. |
O conjunto original sofreu sucessivas reformas e foi ampliado nos século XVIII e XIX, tendo servido de presídio político, depósito de armas, Arsenal de Guerra, e residência de militares. Em 1938 foi descaracterizado por um incêndio e reconstruído, passou então a abrigar a V Divisão de Levantamento da Diretoria do Serviço Geográfico do Exército, criado em 1932 e que passou a funcionar no Morro em 1943. Nele funciona também um Museu de Cartografia e Máquinas Antigas do Exército. |
![]() Prédio onde hoje funciona a sede da Diretoria do Serviço Geográfico do Exército. |
![]() Prédio no Morro da Conceição. |
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| Fortaleza da
Conceição, podendo ser vista a muralha original perfeitamente conservada. Na Praça da Conceição em frente à Fortaleza existe um pedestal com a imagem da Imaculada Conceição. |
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