![]()
![]()
|
A Lapa, tradicional bairro da boemia carioca, começou a ser ocupado no século XVIII e desde seu início foi um lugar próprio para a agitação, como se mantém até hoje. Ainda quando existia a insalubre Lagoa do Boqueirão, o local já era passagem obrigatória para quem circulava do Engenho del Rey, na região da Lagoa Rodrigues de Freitas e o Engenho Velho, hoje Tijuca. O seu nome teve origem na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro. Os famosos cafés, restaurantes, leiterias, que foram ponto de encontro de músicos, sambistas, artistas, intelectuais, mas também da malandragem, foram desapropriados e demolidos para surgir a fisionomia atual do bairro. O Grande Hotel, edificado em 1896, pelo Comendador Guilherme Porto e que hoje abriga a Sala Cecília Meireles, foi um hotel importante e luxuoso, porque era utilizado por figuras importantes da República, graças à sua proximidade com o Senado Federal no Palácio Monroe. A Rua do Passeio, embora já existente desde o século XVII, ganhou este nome depois da criação do Passeio Público. Nela estão localizados prédios importantes como: o da Escola de Música da UFRJ, o Automóvel Clube do Brasil, o da Mesbla, famoso magazine que foi fechado e seu prédio pertence atualmente às Lojas Americanas e o do Cinema Metro, que durante muito tempo foi um dos mais importantes cinemas da cidade, mas hoje se encontra desativado. Nela nasceu o primeiro jornal brasileiro, a Gazeta do Rio, em 1808. Passaram também pela Rua do Passeio: a Academia Brasileira de Letras sob a Presidência de Machado de Assis; o Clube dos Diários, que ficava no prédio do Automóvel Clube do Brasil onde, até 1930, eram apresentados os candidatos à Presidência da República e até a Biblioteca Nacional, que funcionou onde hoje é a Escola de Música da UFRJ, antes de ocupar o prédio da Cinelândia, em 1910. A Rua Senador Dantas foi aberta em 1886, para ligar o Largo da Carioca à Rua do Passeio e facilitar a movimentação para a zona sul da cidade pelos bondes puxados a burro. Seu nome foi uma homenagem ao Senador e Conselheiro Manoel Pinto de Souza Dantas. |
Este elegante prédio em Estilo Eclético, que se destaca na Rua do Passeio foi construído para abrigar a Biblioteca Nacional e esta ali permaneceu até 1910. O edifício depois de reformado passou, em 1919 a ser a Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na fachada voltada para o Largo da Lapa existe atualmente um painel pintado por Ivan de Freitas. Uma de suas salas de concertos, o Salão Leopoldo Miguez, é reconhecido por sua excelente acústica e possue o maior órgão de concertos da cidade. |
Este prédio, que foi construído em 1896, para ser o armazém Romão, foi depois o Grande Hotel e passou a receber como hóspedes políticos importantes da República, até se tornar o Cine Colonial. Em 1965 passou a ser a mais prestigiada sala de concertos de câmara do Rio de Janeiro - a Sala Cecília Meirelles. À sua frente podemos ver o Lampadário Monumental do Largo da Lapa, obra de Rodolfo Bernadelli realizada no Governo de Pereira Passos na época da abertura da Avenida Mem de Sá. |
![]() |
![]() |
| Prédio do Automóvel
Clube do Brasil, onde atualmente funciona o Bingo Imperial. Na segunda foto pode se ver um detalhe do seu frontão Neoclássico. |
|
![]() |
Vistas da Rua do Passeio, com o
prédio que foi da Mesbla e agora pertence às Lojas Americanas e o Hotel Serrador na esquina da Rua Senador Dantas. O prédio da Mesbla é em Estilo Art-Deco, projetado por Henri Paul Pierre Sajous e Auguste Rendu, em 1934. Inicialmente a torre tinha o dobro da altura do prédio, mas o prédio recebeu dois pavimentos sobre o bloco original, o que diminuiu sua altura mas não impediu seu destaque na paisagem ao redor. O Hotel Serrador foi de propriedade de Francisco Serrador, idealizador da Cinelândia. |
![]() |
![]() |
![]() Prédio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, na esquina com a Avenida Augusto Severo. |
![]() Vista do Largo da Lapa. |
| Retorna ao Início da Página | ![]() |
![]()
|
No tempo do Vice-Rei D. Luiz de Vasconcelos, ele tinha uma namorada que morava às margens da Lagoa do Boqueirão, para ela mandou construir no local um belo jardim, que foi a primeira praça pública da cidade - o Passeio Público, em 1783. Para aterrar a lagoa foi feito o desmonte do Morro das Mangueiras, que fazia parte do Maciço de Santa Teresa. Para executar o jardim foi contratado Mestre Valentim da Fonseca e Silva, que nasceu em Minas, mas foi um dos principais arquitetos do Rio de Janeiro, tendo deixado sua marca em importantes obras do Período Colonial. Mestre Valentim construiu um jardim todo
geometrizado, em estilo francês como o Jardins das Tulherias e do Palácio de Versalhes. De Mestre Valentim são também: O jardim atual, em Estilo Romântico, baseado na reprodução da natureza à moda inglesa, foi projetado no século XIX, por Augusto Glaziou, que também projetou o Campo de Santana e os Jardins dos Palácios Imperiais: de Petrópolis e da Quinta da Boa Vista. Na década de 20 do Século XX, foi construído em cima do Belvedere, o Teatro Cassino, pelo escritório de arquitetura de Heitor de Mello, sendo um modelo do Estilo Eclético. O teatro ficou pronto em 1926, mas teve uma vida curta, em 1937 foi demolido pelo Prefeito Henrique Dodsworth. N o início de 2004, uma equipe de arqueólogos trabalhando numa obra no Passeio, encontrou o piso e parte da fachada do teatro, juntamente com dois degraus do Chafariz de Mestre Valentim e as fundações do primeiro Aquário Público da América do Sul, construído no Governo de Pereira Passos. Todas estas relíquias estavam soterradas sob 65 centímetros de aterro. O portão do Passeio Público é uma jóia do Estilo Barroco com dois medalhões com as esfínges de Dona Maria e D. Pedro IV, Reis de Portugal. O caminho para chegar ao Jardim era a Rua das Bellas Noites, atual Rua das Marrecas, em cujo final estava localizado o Chafariz das Marrecas, também obra de Mestre Valentim, onde ficavam as estátuas de Eco, ninfa da deusa Juno e Narciso, caçador por quem Eco se apaixonou. Hoje estas esculturas estão no Jardim Botânico. Entre as duas esculturas ficavam as marrecas em bronze que deram nome ao Chafariz, duas delas estão no Museu da Cidade, outra está em Recife e as demais desapareceram. Conserva-se no interior do Passeio Público um quiosque, uma das marcas da belle époque do Rio de Janeiro, que servia de ponto de venda de: bebidas; bilhetes de loteria e outros itens de consumo popular. Os quiosques foram destruídos durante a reforma de Pereira Passos, no início do século XX. Um desses quiosques pode ser visto na foto do local onde foi construído o Teatro Municipal, na Cinelândia. |
![]()
![]() |
Retorna à página CENTRO |
| Retorna ao início da página | ![]() |