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CENTRO - LARGO DA CARIOCA



Largo da Carioca

Nos tempos primitivos da cidade, uma lagoa que depois veio a ser denominada de Santo Antonio, era um lugar afastado, onde vinham banhar-se os índios mansos e também vinham beber água os bois do curral de D. Antonio de Marins, que morava no Morro do Castelo. Neste local afastado foi instalado, por Felipe Fernandes, um curtume, tendo sido ele o seu primeiro morador.

A história deste local está intimamente ligada ao Convento de Santo Antonio. O Convento teve sua origem em uma pequena ermida, que ficava às margens da lagoa que foi ocupada, em 1592, pelos freis franciscanos: Frei Antônio dos Mártires e Frei Antônio das Chagas. No entanto, sua construção só foi iniciada em junho de 1608 sob a presidência de Frei Vicente do Salvador e em 1615 foi inaugurada uma parte do Convento e a Igreja de Santo Antonio, onde foi rezada a primeira missa no dia 8 de fevereiro. Sua sacristia, de 1714, é uma das mais belas da cidade, possuindo pinturas no teto, painéis de azulejaria e o pisos de mármore com desenhos geométricos. Para drenar a lagoa, os religiosos franciscanos, abriram uma vala, transformando o banhado na Lagoa de Santo Antonio, o trajeto da vala deu origem a uma nova via chamada Rua da Vala, atual Rua Uruguaiana.

Em 1619 foi instalada no Rio a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência e foi iniciada a construção da Capela da Ordem, anexa à Igreja do Convento, que foi inaugurada em 1622. Em 1633 foi iniciada a construção de um novo templo, que devido a desavenças entre a Irmandade e os frades e cisões entre os próprios membros da Irmandade, teve sua execução várias vezes suspensa e retomada.

A Igreja de São Francisco da Penitência como existe hoje, salvo pequenos detalhes, foi concluída em 1773, nela existem painéis de José Dias, que foi o primeiro pintor carioca e Caetano da Costa Coelho. Nela trabalharam também o entalhador Manuel de Brito, autor da talha da Capela-Mor e Francisco Xavier de Brito. Esta Igreja é uma das mais importantes da cidade e uma das jóias do Barroco brasileiro, tendo o seu interior decorado por talhas e altares dourados. No Rio só é rivalizada pela Igreja de Nossa Senhora de Monserrat do Mosteiro de São Bento. Em 1933 passou a funcionar no conjunto arquitetônico o Museu de Arte Sacra.

Em 1723 foi inaugurado no local o primeiro Chafariz da cidade, o Chafariz da Carioca, depois substituído por um outro, construído em 1750, depois de drenada e aterrada a lagoa. Ambos eram abastecidos pelos Aquedutos que vinham do Morro de Santa Teresa, o segundo pelos Arcos da Lapa. O Chafariz foi que deu o nome ao Largo. Em 1834 foi iniciada a construção de um novo Chafariz no mesmo local, sendo deste as imagens que geralmente aparecem nas pinturas e postais do Largo. Este chafariz foi concluído por volta de 1848, tendo sido projetado pelo arquiteto Grandjean de Montigny e foi demolido em 1925, quando era Prefeiro da cidade Alaor Prata.

Em 1748 foi iniciada a construção do Hospital da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, que foi inaugurado em 1763 e que permaneceu no local por um século e meio, só tendo sido demolido na remodelação da cidade feita por Pereira Passos, no início do século XX, quando foi transferido para a Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, onde se encontra até hoje.

Nos anos 50, uma parte do Morro de Santo Antonio foi demolida para que fosse feito o Aterro do Flamengo, mas a parte onde estava localizado o Convento e as igrejas foi preservado. Com a demolição foram abertas as Avenidas República do Chile e República do Paraguai.





Largo da Carioca, foto tirada por Marc Ferrez, em 1890. Do lado esquerdo podem ser vistas as esquinas da Rua 13 de Maio e da Rua Santo Antonio, ao centro destaca-se o Chafariz da Carioca com suas 35 bicas de bronze, de onde se tirava a água que vinha pelo Aqueduto da Carioca para abastecer a cidade, do lado direito pode ser visto o Hospital da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, construído em 1763. Atrás do Chafariz, entre ele e o Hospital ficava a ladeira de acesso ao Convento de Santo Antonio.

Vistas de prédios que circundam o Largo da Carioca. Na primeira em segundo plano podem ser vistos prédios da
Rua Treze de Maio e na segunda prédio do início da Rua Uruguaiana.


Vista do Largo da Carioca com o Convento e Santo Antonio
e em segundo plano os prédios da BNDES e do Conjunto
Cultural da Caixa Econômica Federal que ficam na
Avenida República do Chile.

Vista da Estação do Metrô do Largo da Carioca, uma das
mais importantes e das mais utilizadas pela população
da cidade, ao lado do Edifício Avenida Central.


Convento de Santo Antonio



O conjunto arquitetônico do Convento de Santo Antonio é formado: do Convento que é o prédio longo que fica mais próximo da Avenida República do Chile, em seguida ligado a ele fica a Igreja do Convento e mais próximo da Rua da Carioca fica a Igreja de São Francisco da Penitência composta de três corpos unidos que guardam no frontispício o mesmo ritmo de composição: no corpo esquerdo fica a Capela de Nossa Senhora da Conceição, que está ligada à Capela do Convento, ao seu lado o Museu de arte Sacra e no último corpo mais perto da Rua da Carioca fica a Capela do Noviciato ou do Santíssimo Sacramento.

A primeira foto foi tirada em 1987, antes da reurbanização do Largo da Carioca, feita mais recentemente,
as demais foram tiradas em 2000 e 2003.











Vista do prédio do Convento.

Vista da Igreja do Convento.
Vistas interiores do Convento de Santo Antonio. Estas fotos foram copiadas de
postais, vendidos no Convento, porque é proibido tirar fotos de suas instalações
.





Altar-mor da Igreja de São Francisco da Penitência.

Capela interna sobre a morte de São Francisco.

Capela interna dos Três Corações.

Sacristia do Convento.

Capela de Nossa Senhora da Conceição.


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