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A MUITO LEAL E HERÓICA CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO


"O livro: A Muito Leal e Histórica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, foi lançado para as comemorações do IV Centenário do Rio de Janeiro e reeditado agora em seus 450 anos. É uma obra ímpar idealizada por Gilberto Ferrez e pelos mecenas Raymundo de Castro Maya e Cândido Guinle de Paula Machado e novamente está a disposição dos admiradores e estudiosos da história desta cidade, numa edição belíssima e ricamente ilustrada.

Castro Maya foi seu idealizador e principal financiador e Gilberto Ferrez o pesquisador que realizou o projeto gráfico e foi autor dos textos do livro. Eles trabalharam junto com o editor francês Marcel Mouillot durante anos para reunir todo o material pertencente a diversos coleções em diferentes partes do mundo.

Para complementar a edição do livro, o Centro Cultural Correios, apresentou uma exposição mostrando uma parte do material do livro patrocinada pelos Museus Castro Maya - Museu do Açude e Chácara do Céu, com curadoria de Julia Peregrino que também foi a coordenadora da reedição do livro e de Pedro Karp Vasquez.

A Muito Leal e Histórica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro sem dúvidas é um dos mais belos livros sobre o Rio de Janeiro e é capaz de apaixonar qualquer pessoa que o tenha em suas mãos".

Nesta exposição não se podia tirar fotos, por isto, as figuras aqui aspresentadas e os textos descritivos foram copiados do livro: "A Muito Leal e Heroica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro". Escolhi imagens que podiam ajudar a compreender e servir de referência para as descrições dos locais atuais feitas no site, a maior parte ligada ao Centro da cidade.





As duas fotos se complementam: Dois detalhes da Prospectiva da Cidade do Rio de Janeiro. Vista da parte Norte da Ilha das Cobras, no baluarte
chegado a São Bento, da qual parte se vê diminuir em proporção o seu prospecto até a barra como o risco representa, 1760. Página 35
.

O primeiro trecho abrange o casario da ponta do Calabouço até o Colégio dos Jesuítas no Morro do Castelo. À esquerda pode se ver: - o Forte de San Tiago, servindo como dependência da Casa do Trem ou Arsenal Real do Exército, cujo edifício principal é composto de três corpos, o do meio e mais baixo é onde hoje se encontra o Museu Histórico Nacional; - segue-se o casarão da Santa Casa da Misericórdia (por trás de pequenos prédios) e sua igreja com uma tôrre quadrangular no fundo; adiante o Quartel do Moura, alojamento da tropa portuguêsa, seguem-se os prédios da Rua da Misericórdia e da praia D. Manuel onde se vê diversas canoas, local de desembarque de madeira que fica empilhada na praia. No Morro do Castelo, o antigo Colégio e igreja dos Jesuítas que servia de Hospital Militar. Pode ser visto o guindaste que servia para içar material da praia para o colégio. Ao lado da igreja a construção inacabada da nova e monumental igreja dos Jesuítas onde se estabeleceria, mais tarde o Observatório Nacional.

O segundo trecho dá continuidade ao anterior e vai até próximo ao local onde hoje fica a igreja da Candelária. No início pode se ver a área da praia com imensa movimentação: um barco sendo concertado; madeiras sendo serradas; bateria de canhões. Em frente à Casa do Governador, em seu estado primitivo, a carruagem do vice-rei puxada por três parelhas, de uso obrigatório em suas saídas mesmo que fosse para perto; por trás deste prédio a cúpula e a tôrre primitiva da Igreja de São José e no centro do Largo do Carmo já pode ser admirado o primitivo chafariz ali erguido por ordem de Gomes Freire de Andrada em 1750. Este chafariz foi logo substituído pelo Chafariz de Mestre Valentim da Fonseca e Silva, em granito carioca, inaugurado à beira do cais em 1789.

Em seguida se vê a área onde são erguidas, as barraquinhas do mercado da praia do Peixe e o grande trapiche da Alfândega com seus guindastes movido por escravos. No fundo da praça, o convento, a torre e a igreja do Carmo e a fachada inacabada da V. O. Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo que tem á frente o zimbório com lanternim da igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores e mais à direita a tôrre da igreja da Cruz dos Militares. No Morro do Castelo: - soldados subindo a ladeira do Colégio se aproximando das ruínas da nova igreja inacabada dos Jesuítas; - o tôpo das duas tôrres da igreja de São Sebastião e a fortaleza da mesma invocação. Na extrema direita, ao alto, a igreja e o convento de Santa Teresa.

Estes detalhes são de um panorama que sem dúvida é o maior, o melhor e o mais audacioso das prospectiva da cidade do Rio de Janeiro executado até então. Sua importância reside no minucioso cuidado com que o autor anônimo delineou os prédios de toda a orla marítima e que por isto mesmo são facilmente reconhecíveis e nos dão uma visão nítida e correta da cidade em meados do século XVIII, assim como do estilo das construções.

Obs: As duas imagens embora não permitam ver com clareza os detalhes das construções, podem nos dar um visão excelente do que existia na cidade no século XVIII, permitindo comparar com a região atualmente.

Desenho do Colégio e da Igreja e um trecho do sopé do Morro, in História da Companhia de Jesus no Brasil, de Serafim Leite, 1728. As letras indicam: A - Colégio; B - Escolas antigas unidas ao Colégio pela Igreja; C - Guindaste que transportava material da praia para o Colégio; D - Sítio para as escolas novas; E - Igreja da Misericórdia em seu mais antigo aspecto conhecido, quando possuía uma tôrre sineira quadrangular; F - Praça na praia no sopé do morro do Castelo e casas da Rua da Misericórdia. À direita, a ladeira do Colégio que levava à Rua São José. Página 32.

Aquarela original de Richard Bate, início do século XIX (1809). Biblioteca da Cornell University, U.S.A.. Esta Aquarela, também pintada do Morro da Glória é mais ampla e bem mais completa que a anterior, mostra a marinha, desde o Passeio Público até a Ponta do Calabouço. No Passeio pode se ver as pirâmides ainda hoje existentes, a muralha primitiva e os dois pavilhões quadrangulares, onde ficavam expostas as telas elípticas de Leandro Joaquim. Em seguida o Convento da Ajuda, a capelinha de Santa Luzia sem as torres, o prédio primitivo do Hospital da Misericórdia e no fim da praia o Forte de San Tiago (Calabouço). No Morro do Castelo, as muralhas da Fortaleza de São Sebastião, a Sé Velha e parte do Colégio dos Jesuítas. Ao fundo a esquerda a Igreja da Candelária com suas torres e o Morro e Mosteiro de São Bento, mais longe a Serra do Mar. Página 33.

Aguatinta do álbum Souvenirs do Rio de Janeiro. Richard Bate, 1826. Detalhe da aquarela inédita da Cornell University, U.S.A.. Esta aquarela foi pintada no Morro da Glória em 1808. São identificados o Forte de São Sebastião, a Sé Velha e a parte do Colégio. Na orla as ruas da Ajuda e Santa Luzia e o primeiro Hospital da Misericórdia com sua igreja. Página 57.

Obs: Nas três imagens de épocas diferentes pode se ver as diferenças apresentadas na paisagem da cidade e o aprimoramento das técnicas da pintura.

As duas primeiras são de Thomas Ender, uma religiosa, o Mosteiro de São Bento e outra civil, o Palacete do Sr. Siqueira. Aquarelas originais na Akademia der Bildenden Künste, de Viena. O Palacete, moradia de Joaquim José da Siqueira, ficava em Mata-Porcos, no princípio da atual rua de São Cristóvão, era certamente um dos prédios mais importantes de todo o Braisl, não só por suas grandes dimensões (três grandes corpos com extensas galerias cobertas no térreo) como por suas linhas arquitetônicas. Era um verdadeiro palácio superior aos dois paços reais: o da cidade e o de São Cristóvão. Página 79.

A terceira: Aquarela original na Akademia der Bildenden Künste, de Viena. Também de Thomas Ender, mostra um correr típico de casas ao centro da cidade, o calçamento das ruas, a traquitana, Ender chamou a rua de Santo Antônio, mas deve ter feito confusão, porque parece ser a rua do Piolho (atual Carioca) vista da esquina da praça da Lampadosa, depois do Rocio (Tiradentes). Os fundos dos prédios, à direita dão para as fraldas do Morro de Santo Antônio e aí por detraz a igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, ao longe o pau da bandeira do Morro do Castelo. Página 81.

Dois elípticos de Leandro Joaquim que foi o primeiro pintor colonial que ousou pintar paisagens. O primeiro: Óleo sobre tela pertencente ao Museu Histórico Nacional, mostra a parte mais importante do aqueduto, os Arcos da Lapa, obra grandiosa de engenharia civil do século XVIII. Em primeiro plano a Lagoa Grande depois chamada de Boqueirão, que foi aterrada em 1783 a mando vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa que mandou erguer o primeiro Passeio Público do Rio feito com desvêlo e gôsto graças a Mestre Valentim. À esquerda, a igreja da Lapa e no alto o convento e a igreja de Santa Teresa, edificada a partir de 1750 por Gomes Freire de Andrada, o futuro Conde de Bobadela. O segundo: Óleo sobre tela pertencente ao Museu Histórico Nacional, mostra um gênero de festa que alegrava a vida carioca, é o único documento iconográfico de uma romaria marítima, seguida de pique nique ao pé do hospital dos Lázaros, em São Cristóvão. Diversos tipos de embarcação desfilam diante da antiga chácara de recreio dos jesuítas, a embarcação do centro, a mais importante é a que leva a bandeira do Divino Espítrito Santo. Páginas 43 e 49.

Litografia, épreuve d'etat, único desenho conhecido da atual Rua Evaristo da Veiga e da igreja e hospício dos Barbadinhos. Coleção de Francisco Marques dos Santos. Em primeiro plano os pequenos arcos do aqueduto, que abastecia com água da Carioca, o hospício e o Convento da Ajuda. A seguir a igreja, o hospício e, mais longe, os Arcos da Carioca, o convento e a igreja de Santa Teresa e o Morro do Corcovado. Hoje o local é ocupado pelo quartel da Polícia Militar. Foi neste hospício que se plantaram as primeiras mudas de café, enviadas do Pará, em 1761, por ordem de João Alberto Castelo Branco. Esta litografia tem outro valor histórico, é assinada em sua parte inferior por A. J. P. (Armand Julien Palliére), Litografia da Rua dos Barbonios e foi executada em 1818. Sendo assim segundo Francisco Marques dos Santos, seria uma das primeiras litografias executadas no país. Página 87.

Do álbum: Rio de Janeiro pittoresque por L. Buvelot e Auguste Moreau. 1845. Lithografia de Heaton e Rensburg, cujo primeiro fascículo foi anunciado em 24 de março de 1842, no Jornal do Commercio. À esquerda o hospital e a seu lado a igreja da Ordem Terceira dos Mínimos de S. Francisco de Paula; seguem-se os prédios da rua do Teatro e a Escola Nacional de Engenharia, a antiga Escola Militar, cujo prédio foi consrtuído sobre os alicerces da Sé Velha. Página 153.

Franz Josef Frühbeck, vienense, nascido em 1790, veio ao Brasil no séquito da arquiduquesa da Áustria, aqui passou sete meses como ajudante-bibliotecário. Aspecto inédito do Campo de Sant'Ana a atual praça da República. Guache da Biblioteca da Hispanic Society of America, U.S.A.. Em primeiro plano o Passeio cujo traçado geométrico se inspirava no velho Passeio Público, era obra do intendente geral da polícia (prefeito e chefe de polícia), Paulo Fernandes Viana, que morava na casa à frente do Passeio no centro, que fazia ângulo com a rua Frei Caneca. O edifício ao centro em construção, é a praça do curro, inaugurada com desfile de carros alegóricos, seguido de cavalhada e corridas de touros em outubro de 1818, homenagem do Senado da Câmara por ocasião do casamento de S. A. D. Pedro com a arquiduquesa Leopoldina. Desembocam na praça à direita, as ruas do Piolho (Visconde do Rio Branco), dos Ciganos (Constituição), do Alecrim (Buenos Aires), Senhor dos Passos, da Alfândega com a igreja de São Jorge em construção, do Sabão (General Câmara), de São Pedro e São Joaquim (Floriano Peixoto). No fundo a partir da esquerda, a igreja de Sant'Ana que deu nome ao logradouro, com o Pau-de-Santo à frente (local da estação da Central do Brasil); a garganta em direção ao Valonguinho; os morros do Livramento e da Conceição, encimado pela fortaleza da mesma invocação e o palácio do Bispo; e no sopé as duas tôrres da igreja de São Joaquim, hoje desaparecida; o morro de São Bento com dois moinhos e o Mosteiro. Página 73

Do álbum dos originais do pintor Charles Landseer sobre o Brasil, descoberto por Alberto Rangel, que estudou o artista e sua obra em "O Álbum de Highcliffe (The Landseer Sketchbook)", in Revista do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio 1942, e o "O Album de Highcliffe", in Trasanteontem - S. Paulo 1943. O panorama Campo de Santa Anna, em 1825. Desenho original a bico de pena e lápis, da coleção de Cândido de Paula Machado. Reproduz todo o casario típico desta grande praça do lado da rua Visconde do Rio Branco e a parte norte da mesma nos primeiros anos de sua criação. Em primeiro plano aparece o campo raso, pois em 1821 D. Pedro I mandara demolir o Passeio do intendente da Polícia Paulo F. Viana, que foi a primeira tentativa de aproveitamento e urbanização do local (como visto no guache de Frühbeck, na pintura anterior). As lavadeiras principiavam a sua invasão. Ao longe o morro do Corcovado, a serra da Carioca, a garganta do Alto da Boa Vista, a pedra do Conde, o pico da Tijuca e a pedra do Andaraí. O desenho retrata fiel e minuciosamente tipos de residência da Cidade Nova, ao tempo em plena expansão: casas térreas de porta e janelas, casas esguias de dois andares e casarões de um e dois andares, com varandas e cocheiras, telhados de quatro águas, outros já mais complicados e requintados, tudo nôvo ou quase, ao gôsto então predominante. Página 111.

Do álbum dos originais do pintor Charles Landseer sobre o Brasil, descoberto por Alberto Rangel, que estudou o artista e sua obra em "O Álbum de Highcliffe (The Landseer Sketchbook)", in Revista do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio 1942, e o "O Album de Highcliffe", in Trasanteontem - S. Paulo 1943. Rio de Janeiro Valley Rio Comprido and Tijuca from Telegraph. Desenho original a bico de pena e lápis do conjunto formado de enfermaria, o convento e a igreja de Santo Antônio e pela igreja da Penitência, tirado morro do Castelo, a que os inglêses chamavam de morro do Telégrafo, por causa do semáforo instalado dentro dos muros da velha fortaleza de São Sebastião. Logo a seguir, vêm-se prédios da rua do Piolho (atual Carioca), o largo do Rocio com o Pelourinho, o campo de San'Ana com o Palacete, a Cidade Nova, o caminho aterrado e os vales do Rio Comprido e da Tijuca. Ao fundo a pedra do Conde, o pico da Tijuca, as pedras da Babilônia e do Andaraí. Pertence à coleção de Cândido de Paula Machado. Página 111.

Do álbum: Rio de Janeiro pittoresque por L. Buvelot e Auguste Moreau. 1845. Lithografia de Heaton e Rensburg, cujo primeiro fascículo foi anunciado em 24 de março de 1842, no Jornal do Commercio. À esquerda da estampa, vemos a Praça do Mercado da Praia do Peixe, que fazia ângulo com o princípío da rua do Ouvidor e do Mercado. Êste mercado, construído segundo projeto de Grandjean de Montigny, era um quadrilátero cuja face principal olhava para o largo do Paço e as outras para a praia do Peixe e as duas ruas citadas acima. Buvelot e Moreau transmitiram nesta litografia não só a cena viva do mercado com seus tipos curiosos de prêtos de ganho e a azáfama peculiar destas feiras ao ar livre, como, também, deixaram um documento relevante do casario e igrejas do princípio da rua do Ouvidor. No centro do desenho, cúpula e tôrre da igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores e, à direita, a tôrre da igreja da Cruz dos Militares. A igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores é de interêsse artístico e arquitetônico por ser a única, depois da destruição da igreja de São Pedro, que possui nave elíptica e por sua pinturas so século XVIII, talhas, esculturas de madeira e rico acêrvo de prata antiga brasileira e portuguêsa. Página 155.

As três pinturas são da Rua Direita, que antes da remodelação empreendida por Francisco Pereira Passos era a mais importante, a mais ampla da cidade, onde desfilavam cortejos e tropas nas grandes solenidades cívicas de todo o século XIX. Primeira: Aquarela original de Richard Bate, início do século XIX (1809). Biblioteca da Cornell University, U.S.A. Esta aquarela mostra a Rua Direita, lado ímpar, entre o Beco dos Barbeiros e a Rua do Ouvidor, com os seu balcões multicores, seus toldos e telhados de quatro águas com grande beirais. Sede do alto comércio, dos atacadistas, das casas de câmbio e onde ficava o depósito (My Store ) de Richard Bate, que talvez tenha sido o primeiro negociante inglês a se instalar na cidade. Página 57.

Segunda: Litografia de G. Engelmann, de um desenho de autor anônimo, por volta de 1820. Coleção de Raymundo de Castro Maya. Aos prédios estreitos com seus toldos e balcões multicores seguia-se o trecho entre a rua do Rosário e São Bento. Com a fachada avançada na rua o edifício da Casa dos Contos, que abrigava os cofres reais e a Junta da Real Fazenda. Fôra residência dos Governadores de 1698 até 1743 e, mais tarde, o Erário Régio e a primitiva sede do Banco do Brasil. Demolido em 1870, ergueu-se no local a sede da Associação Comercial, para onde, em 1926 foi transferido o Banco do Brasil. O prédio vizinho era o Armazém do Sêlo da Alfândega, conhecido como Alfândega e que em 1834 seria modificado e acrescido de uma galeria coberta, projetada por Grandjean de Montigny, nele passaria a funcionar a segunda Praça do Comércio. Página 91.

Terceira: Aquarela original de Richard Bate. Cornell University Library, U.S.A.. Mostra a Igreja da Cruz dos Militares, projetada pelo engenheiro brigadeiro José Custódio de Sá e Faria e terminada em 1811. As duas estátuas nos nichos, os evangelisrtas São João e São Mateus, obra de talha de Mestra Valentim da Fonseca e Silva, encontram-se hoje no Museu Histórico Nacional. Página 91.

Aquarela original de Augustus Earle. Largo do Paço por volta de 1824. Coleção de José Moniz de Aragão. Mostra a sala de visita da cidade. Nos primeiros planos cena movimentada e diária de embarque e desembarque de mercadorias e passageiros chegados do estangeiro ou dos arredores da cidade. Vemos também o primeiro cais da cidade, projetado e construído a partir de 1780 pelo engenheiro militar marechal de campo Jacques Funck, tendo à direita o chafariz do Mestre Valentim da Fonseca e Silva que não só abastecia a população como também aos navios. A praça já estava iluminada por lampeões de azeite de baleia. A partir da esquerda, vemos a fachada do prédio que abrigou a Casa da Ópera de Manuel Luís, então dependência do Paço e, atrás, a Câmara dos Deputados; o Paço Real, já com um segundo andar na fachada principal; a tôrre quadrangular e fachada da Catedral e fechando a praça, neste lado, o edifício por acabar e com uma sineira provisória, da V.O. Terceira de Nossa Senhora do Carmo; no terceiro lado da praça, na esquinha da rua 1o de Março atual, o prédio onde mais tarde se instalaria o hôtel de France seguido das casas dos Teles com o Arco do Teles que ainda existe e acabou de ser restaurado por seu atual proprietário, Raymundo de Castro Maya. Página 125.

Aquatinta por anônimo, da edição de 1825 do livro de John Mawe. A praça foi totalmente remodelada em 1789, no governo do vice-rei Luís de Vasconcelos e Souza, que para substituir o velho chafariz que se arruinara, mandou edificar por Mestre Valentim da Fonseca e Silva o novo chafariz, situando-o à borda de um belo cais, obra do engenheiro marechal de campo Jacques Funck. Esta aquatinta só aparece nas edições de Londres de 1821, 23 e 25, da obra do inglês John Mawe - Travels in The Gold and Diamond District of Brazil. É o único documento a mostrar a praça tal como foi calçada e dividida em triângulos por fiadas de pedras. A exatidão de todos os pormenores arquitetônicos é confirmada por outra aquarela de Richard Bate, de 1808. Página 43.

Aquarela original de Jacob Jansson, 1824. Coleção de Mário Ulysses Vianna Dias. Mostra a azáfama das lavadeiras no seu tanque, vindo-se ainda o cruzeiro e o portão de entrada para a escadaria que levava à igreja da Penitência. Êsse mesmo tanque aparece, em parte, no grande panorama do Rio editado por Steinmann, de um desenho de Félix Émile Taunay. Página 105.

Do álbum: Rio de Janeiro pittoresque por L. Buvelot e Auguste Moreau. 1845. Lithografia de Heaton e Rensburg, cujo primeiro fascículo foi anunciado em 24 de março de 1842, no Jornal do Commercio. Conjunto do Convento de Santo Antônio, sua igreja e a da Ordem Terceira da Penitência, visto da rua da Velha Guarda (Treze de Maio), aparecendo nos primeiros planos, o muro da cêrca dos franciscanos e as árvores do pomar. A igreja do convento foi mais tarde completamente desfigurada, já não acontecendo o mesmo à da Penitência, que encerra esplêndidas obras de arte: pintura, entalhação, móveis, imagens e prataria, primorosamente conservadas. O convento é também um dos marcos da história do Rio, desde 1616. Página 153

Nicolas Antoine Taunay. Rua São José e o casario da cidade em 1816. Óleo sobre tela. Museu Nacional de Belas Artes. Em primeiro plano, frade franciscanos conversam na esplanada em frente do convento. Adiante, o trecho do largo da Carioca onde desemboca a rua São José, tendo à direita o início da rua de Santo Antônio e o morro do Castelo. A boiada está a caminho do matadouro na praia de Santa Luzia, à esquerda, iluminada por um raio de sol, a tôrre da igreja e convento do Carmo, então Capela Real e dependência do Paço. Página 67.

Aquarela original, assinada A.J.P., isto é Armand Julien Pallière. Chafariz das Marrecas. Museu Histórico Nacional. Um dos mais bonitos chafarizes da cidade, ficava na atual rua Evaristo da Veiga, no eixo da rua das Marrecas, voltado para o Passeio Público. O vice-rei Luís de Vasconcelos, ao terminar a obra do Passeio Público, mandou cordear a rua das Belas Noites e confiou a seu arquiteto, mestre Valentim da Fonseca e Silva, a construção deste chafariz, infelizmente demolido em 1896. Só se salvaram as duas estátuas de bronze, Eco e Narciso, que encimavam as pilastras laterais de granito e se acham hoje no Jardim Botânico. Chafariz das Marrecas, porque a água jorrava do bico de 5 marrequinhas de bronze, uma das quais está hoje no Museu da Cidade. O Chafarriz deu nome a rua das Marrecas. Página 104.

Aquarela de Emeric Essex Vidal. Public Fountain in Rio de Janeiro - 1827. Coleção de José Coradini, Buenos Aires. Trecho da rua Nova do Conde atual Frei Caneca, pouco acima da Rua do Riachuelo e onde ainda podemos apreciar o chafariz do Catumbi, em forma de tôrre, construido pelo intendente geral do Polícia Paulo Fernandes Viana, em 1808, para abastecer a Cidade Nova já em franco desenvolvimento. Êste chafariz fica próximo ao do Lagarto, ambos abastecidos pelo aqueduto do Catumbi, com água do Rio Comprido. A rua típica com calçamento de grandes lajes e casas de porta e janelas. É também uma das raras aquarelas do artista em que aparecem personagens e nos dá uma idéia dos trajes e costumes de então. Página 133.

Aquarela de Emeric Essex Vidal. Mr Fox's residence, Country House in the Valley of Laranjeiras, Rio de Janeiro, 1829. Coleção de Libreria l'Amateur. Representa a casa de campo do comerciante inglês Fox, nas Laranjeiras, no topo do morro, que mais tarde, seria conhecido como morro da Graça e onde atualmente está instalado o colégio Sacré Coeur de Jésus. No primeiro plano, lavadeiras no rio Carioca, ao lado do caminho das Laranjeiras. A atual rua Pinheiro Machado, antiga Guanabara, principia onde está a porteira, pois foi aberta em 1853, utilizando o caminho das carruagens que conduzia à residência que aqui vemos e que pertencia então a Domingos Francisco de Araújo Roso, proprietário de grande área de terras nesse bairro. A grande muralha de sustentação, reproduzida pelo pintor Emeric Essex Vidal, ainda lá está. Esta residência foi sem dúvida das mais belas do bairro durante toda a primeira metade do século XIX e aparece em várias vistas executadas do largo do Machado e arredores. Página 133.

Litografia da obra de Debret do livro: Voyage Pittoresque et Historique au Brésil. Paris 1834. Apresenta o epísódio da coroação de D. Pedro I pelo bispo D. José Caetano da Silva Coutinho no dia primeiro de dezembro de 1822, na Capela Imperial. É o momento em que o presidente do Senado da Câmara Municipal, Lúcio Soares T. Gouveia prestava juramento de fidelidade, pelo povo, a Dom Pedro I. Na tribuna, à esquerda, está a imperatriz D. Leopoldina com sua filha D. Maria da Glória. Nos primeiros planos titulares e ministros. Página 95.

Gravura aquarelada da Biblioteca Nacional. Félix Emile Taunay pinta o entusiasmo do povo, que agita lenços brancos em aplausos a D. Pedro I que aparece na varanda acompanhado de D. Leopldina e altas personalidades, após a Independência do Brasil. É o único documento que reproduz fielmente o edifício que ia desaparecer numa explosão, quando se preparavam os festejos da aclamação de D. Pedro II. O edifício ficava no Campo de Sant'Ana e nele foi comemorada também a chegada de D. Leopoldina e a coroação de D. João VI, ficava no centro do Passeio. Página 95.

Franz Josef Frühbeck, vienense, nascido em 1790, veio ao Brasil no séquito da arquiduquesa da Áustria, aqui passou sete meses como ajudante-bibliotecário. Chegada da esquadra luso-austríaca e o desembarque da Arquiduquesa Leopoldina no Arsenal de Marinha ao pé de São Bento no dia 6 de novembro de 1817. Gouache da Biblioteca da Hispanic Society of America, U.S.A.. É o momento em que se aproximava da ponte de desembarque a galeota real, conduzindo D. João, o príncipe D. Pedro e a arquiduquesa Leopoldina, seguida de vários escaleres, ao fundo salva a esquadra. No primeiro plano, o coche real, a cavalaria da Guarda Real e tropa de elite formada. À direita, parte da ilha das Cobras com seus depósitos e fortaleza e a capela; à esquerda, ilha das Enxadas. Página 73.




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